Governo financiará folha de pagamento a pequenas e médias

Rodrigo Petry
Editor-chefe, com 18 anos de atuação em veículos, como Estadão/Broadcast, InfoMoney, Capital Aberto e DCI; e na área de comunicação corporativa, consultoria e setor público; e-mail: rodrigo.petry@euqueroinvestir.com.
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Crédito: PR

O governo anunciou nesta sexta-feira (27) que vai financiar a folha de pagamento de pequenas e médias empresas, como medida de combate à crise econômica gerada pela pandemia do coronavírus.

Segundo o anúncio, serão disponibilizados, diretamente na conta dos trabalhadores, um montante de R$ 20 bilhões ao mês, durante um período de dois meses – somando R$ 40 bilhões.

As empresas com faturamento anual entre R$ 360 mil e R$ 10 milhões serão beneficiadas e, conforme o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, em breve, medidas serão anunciadas para microempresas.

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Os juros serão serão de 3,75% ao ano e as empresas terão seis meses de carência e 36 meses para o pagamento. Segundo Campos Neto, as taxas ficam abaixo das praticas no mercado, na faixa de 20%

Do montante total, o Tesouro vai entrar com 85% dos recursos e 15% de bancos privados. Conforme Campos Neto, a garantia do Tesouro será equivalente aos valores aportados.

O anúncio foi feito pelo presidente Jair Bolsonaro no Palácio do Planalto, com a presença de Campo Neto, e os presidentes da Caixa Econômica Federal Pedro Guimarães, e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Gustavo Montezano.

A linha de financiamento deve beneficiar 1,4 milhão de empresas, atingindo 12,2 milhões de trabalhadores.

O limite de financiamento é de dois salários mínimos – quem ultrapassar este valor ficará limitado ao valor anunciado.

Como vai funcionar?

  • O Tesouro Nacional vai entrar com 85% do montante e os bancos privados com 15%;
  • Após sair do Tesouro, o recurso vai para o BNDES, que vai operacionalizar com os bancos comerciais, estatais e privados;
  • As empresas solicitam as linhas, assumem a dívida, e o dinheiro irá para a conta dos trabalhadores;
  • A contrapartida às empresas será a de não demitir, o que estará em contrato;
  • Os juros terão zero de spread, ou seja, custando 3,75% ao ano, que é a taxa Selic atual.
  • A expectativa é de que em duas semanas os recursos possam estar na conta do trabalhador.

Compra de créditos

Junto com as medidas para a folha de pagamento, Campos Neto afirmou que está em elaboração uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para que possibilitará ao Banco Central adquirir créditos diretamente das empresas, sem passar, antes, pelo sistema bancário.

Conforme o presidente da autoridade monetária, a medida é semelhante à adotada nos EUA pelo Federal Reserve e ocorreria apenas em momento de crise.

Ele acrescentou o balanço do BC soma cerca de R$ 1,5 trilhão.

Banco Central

Mais medidas

Ainda segundo Campos Neto, novas ações deverão se informadas e endereçadas também aos trabalhadores do setor informal.

Já o presidente do BNDES, Gustavo Montezano, informou que o governo deverá anunciar em duas semanas um pacote de auxílio às companhas aéreas e de transporte terrestre.

Auxílio emergencial

Nesta quinta-feira à noite, o plenário da Câmara dos Deputados aprovou um auxílio emergencial por três meses, no valor de R$ 600,00, destinados aos trabalhadores autônomos, informais e sem renda fixa durante a crise provocada pela pandemia de coronavírus.

A matéria segue para análise do Senado. O valor corresponde ao triplo informado pelo governo em pacote de medidas anunciado no último dia 18.

Tá, e aí?

A ação do governo destinando recursos para manutenção de salários de trabalhadores de micro e pequenas empresas gera um efeito em cascata na economia. A afirmação é do sócio daEQI Investimentos, Elias Wiggers.

Ele explica que a medida injeta dinheiro onde mais costuma faltar, que é o caixa das micro e pequenas empresas, e que, por conta disso, poderão não recorrer às demissões em massa.

“Os micro e pequenos empresários são os que mais contratam e essa ação ajuda a manter o nível de emprego e favorece a manutenção do consumo das famílias.”

E acrescenta: “é gente que pode até ter redução de salário, mas poderia não ter qualquer salário. Essas famílias têm consumo de TV a cabo, prestação de eletrodomésticos e quando o trabalhador perde o emprego, começa a cortar os custos supérfluos”, disse.

Segundo Wiggers, em um cenário de crise, manter o emprego tende a dar sustentação ao consumo e auxilia a economia como um todo.

“Se você mantém as famílias consumindo, você mantém o giro das empresas, as receitas – ainda que menores – das grandes varejistas, por exemplo, e também das companhias listadas na Bolsa.”

Assim, conforme Wiggers, ajuda o mercado financeiro porque trás mais previsibilidade e tende a estabilizar o preço das ações.