Governo do Irã afirma que vai voltar a enriquecer urânio sem restrições

Marco Antônio Lopes
Editor. Jornalista desde 1992, trabalhou na revista Playboy, abril.com, revista Homem Vogue, Grandes Guerras, Universo Masculino, jornal Meia Hora (SP e RJ) e no portal R7 (editor em Internacional, Home, Entretenimento, Esportes e Hora 7). Colaborador nas revistas Superinteressante, Nova, Placar e Quatro Rodas. Autor do livro Bruce Lee Definitivo (editora Conrad)

Crédito: Reprodução (Wikipedia)

O governo do Irã anunciou, neste domingo (5), que o país irá voltar a enriquecer urânio de maneira ilimitada, o que não fazia desde 2015. Naquele ano o Irã assinou um acordo com grandes potências mundiais e os Estados Unidos. O país se comprometia a diminuir a produção de enriquecimento de urânio em até 3,6%.

Três dias após o ataque americano que matou o general iraniano Qassem Soleimani em Bagdá, o Conselho de Segurança Nacional do Irã fez uma reunião de emergência e decidiu descumprir o acordo. O país divulgou que a produção de material nuclear não terá mais restrições.

O urânio pode ser utilizado como combustível para usinas nucleares e também para produzir material de bombas nucleares. O país vinha defendendo que o uso de urânio era feito para fins pacíficos.

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O pais ponderou, por meio de comunicado, que só retomaria o atual acordo nuclear se os Estados Unidos se comprometessem a acabar com as sanções econômicas impostas ao país.

Programa nuclear

O acordo para limitar o uso de urânio em suas instalações foi assinado em 2015 com o Reino Unido, Rússia, China, Alemanha e EUA. Países que impunham sanções econômicas ao Irã derrubaram inúmeros vetos.

Em 2018, porém, o presidente Donald Trump anunciou que voltaria a aplicar sanções ao país islâmico. O Irã decidiu, naquele ano, a voltar a trabalhar em seu programa nuclear, mas de maneira progressiva, sem mencionar o enriquecimento para produção de armas atômicas.

 Trump fala em ataque arrasador

A decisão do Irã de retomar o programa nuclear ocorre um dia após o presidente Donald Trump ter ido às redes sociais para confirmar que os Estados Unidos estão prontos para um ataque arrasador contra o Irã.

O mandatário prometeu atacar 52 alvos estratégicos do país do Oriente Médio caso os iranianos decidam retaliar a ofensiva que matou o general Qassem Soleimani.

Trump adiantou que os ataques serão em alvos de “alto nível e de grande importância”, além de “muito duros”.

O número 52 não foi escolhido por acaso. Trump o escolheu como referência o número de norte-americanos mantidos reféns na década de 70 por mais de um ano, após um grupo de estudantes e militantes islâmicos tomar a embaixada dos EUA em Teerã, em apoio à Revolução Iraniana.