Governo e bancos discutem sobre ajuda financeira a grandes empresas

Felipe Moreira
Felipe Moreira é Graduado em Administração de empresas e pós-graduado em Mercado de Capitais e Derivativos pela PUC - Minas, com mais de 6 anos de vivência no mercado financeiro e de capitais. Apaixonado por educação financeira e investimentos.
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O Ministério da Economia vem debatendo com as instituições financeiras medidas para auxiliar companhias do setor aéreo, montadoras, empresas de energia e grandes varejistas no enfrentamento da crise provocada pelo coronavírus, disseram do Bradesco e do Santander Brasil nesta quarta-feira (15).

Segundo a Reuters, Bradesco, Itaú Unibanco, Santander Brasil e Banco do Brasil, estão conversando com BNDES e Banco Central sobre que instrumentos financeiros poderão ser utilizados para ajudar empresas em dificuldades.

As montadora solicitaram inicialmente linhas de crédito no valor de R$ 100 bilhões, informando que esse montante seria suficiente para manter toda a cadeia de suprimento, afirmaram fontes.

No entanto, os executivos acreditam que dificilmente a ajuda chegará a este montante. “As conversas entre os bancos, BNDES e o Tesouro têm sido muito produtivas”, afirmou o presidente-executivo do Santander Brasil, Sergio Rial, em videoconferência para discutir o efeito da pandemia na economia.

Em outra reunião, o presidente do Bradesco, Octavio de Lazari, disse que o socorro ao setor de energia deve ser finalizado nas próximas duas semanas. O ministério deseja que o BNDES fique a frente das negociações.

O banco de desenvolvimento está montando uma espécie de sindicato com os bancos para estruturar soluções financeiras, envolvendo a emissão pelas empresas de instrumentos como debêntures conversíveis, bônus de substituição e opções de compra.

O BNDES poderia utilizar parte de seu caixa, aproximadamente R$ 80 bilhões, para adquirir ativos, em conjunto com os bancos e investidores

Segundo uma fonte próxima do governo, o banco de desenvolvimento não deseja assumir todo risco sozinho porque isso restringiria sua capacidade para ajudar outras empresas. Compartilhando o risco com outros bancos e investidores, o BNDES poderá socorrer mais companhias.

Ao solicitar recursos, as empresas precisam entregar um plano de reestruturação ao BNDES. Foi levantado a hipótese de usar dívida conversível ou empréstimos garantidos pelo Tesouro. No entanto, o Tesouro não quer aportar dinheiro diretamente nas empresas.

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O cabo de guerra continua nas discussões, com bancos dispostos a ajudar, mas insistindo que o governo assuma a maior parte dos riscos em alguns casos, afirmaram as fontes.

Debates

Rial disse que as conversas com operadoras aéreas e varejistas estabelece o uso de títulos conversíveis, que permitirão resgates em ativos ou em dinheiro no futuro. Empresas aéreas, incluindo Gol, Azul e Latam Airlines, já tinham discutido com o BNDES acerca de um financiamento.

A Azul está um pouco longe de finalizar um acordo sobre um empréstimo com o BNDES, afirmou o presidente da empresa, John Rodgerson, nesta quarta-feira (15).

Rial informou que as montadoras possuem maior probabilidade de usar dívidas com garantias, sem especificar como isso ocorreria. Ainda disse que a rede hoteleira poderia utilizar seus imóveis como garantia na obtenção de recursos.