Governo anuncia realização de 100 leilões de ativos até o final do ano

Marcello Sigwalt
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Crédito: Site Usuport

O Brasil está na mira do investidor estrangeiro.

Com essa convicção, o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas, anunciou, nesta terça-feira (29), que o governo pretende realizar, ainda este ano, cerca de 100 leilões de ativos, divulgou a Agência Brasil.

“Temos o maior programa de concessão do mundo, que trará avalanche de dinheiro privado à nossa economia, transformando nossa infraestrutura nos próximos anos”, promete.

Fatores positivos

Entre os fatores positivos para despertar tal interesse, o ministro destacou a superação de gargalos trabalhistas e a queda da taxa básica de juros (Selic), combinadas com uma trajetória crescente de recuperação fiscal.

Ao participar do webinar “Invest Brasil Infraestructure 2020” – promovido pela Apex-Brasil – Freitas apontou os setores que serão priorizados nos leilões.

Projetos destacados

São eles, projetos de concessão das rodovias BR-116/101 (Nova Dutra, ligando Rio e SP), a BR-163 (PA) e a Ferrovia de Integração Oeste-Leste, além da 6ª rodada de concessão de 22 aeroportos.

Recorrendo à geopolítica como argumento, o ministro lembrou as dimensões continentais do país e de sua economia.

“Se colocarmos em um gráfico países de dimensão continental, acima de 5 milhões de quilômetros quadrados, população gigantesca superior a 200 milhões de habitantes e PIB maior que US$ 1 trilhão, teremos apenas três países: Brasil, China e Estados Unidos”, disse Freitas.

Teto providencial

A atratividade brasileira da atualidade, continua o ministro, também se deve à aprovação do teto de gastos, seguida de recuperação fiscal, reforçada pela conclusão da reforma da Previdência.

Na oportunidade, ele igualmente chamou a atenção para o patamar atual da Selic, de 2,25% ao ano. “Isso é extraordinário para os investimentos em infraestrutura”, exultou.

Compartilhamento de riscos

Confiante na expertise acumulada pelo país na área de concessões, Tarcísio Freitas avaliou que o Brasil possui hoje “a estrutura mais sofisticada do mundo no que diz respeito a compartilhamento de riscos” e que o risco cambial sempre foi “jogado para debaixo do tapete”.

Para que a pendência cambial fosse superada, o ministro citou a adoção da ‘outorga variável’, medida que, segundo ele, serve para ‘amortecer’ as variações do câmbio em momentos em que o investidor precisar tomar dinheiro no exterior.

“Vamos abater, do valor da outorga variável, a perda com eventual desvalorização de câmbio, ou acrescentar o ganho com eventual valorização”, explicou Freitas.