Governo informa que investiga 488 casos suspeitos de coronavírus

Marco Antônio Lopes
Editor. Jornalista desde 1992, trabalhou na revista Playboy, abril.com, revista Homem Vogue, Grandes Guerras, Universo Masculino, jornal Meia Hora (SP e RJ) e no portal R7 (editor em Internacional, Home, Entretenimento, Esportes e Hora 7). Colaborador nas revistas Superinteressante, Nova, Placar e Quatro Rodas. Autor do livro Bruce Lee Definitivo (editora Conrad)

Crédito: Reprodução/Agência Brasil

O Ministério da Saúde informou, nesta terça (3), que está monitorando 488 casos suspeitos de coronavírus em todo o país.

Dois pacientes de São Paulo com diagnóstico do Covid-19 são os únicos casos confirmados no Brasil. Outros 240 pacientes avaliados foram descartados como infectados pelo coronavírus

O secretário executivo do Ministério da Saúde, João Gabbardo dos Reis, disse que novos países serão incluídos na lista de suspeitos de coronavírus, entre eles os Estados Unidos.

O secretário executivo disse que novos países serão incluídos na lista de suspeitos de coronavírus, entre eles os Estados Unidos e o Canadá.

A lista de 16 países subiu para 26. Acredita-se que nos próximos dias aumente muito o número de casos suspeitos no Brasil já que os Estados Unidos é um país bastante visitado por brasileiro.

Unidades de Atenção Básica de Saúde

O governo estuda aumentar a capacidade de atendimento nas Unidades de Atenção Básica de Saúde. “Unidades básicas de saúde terão uma nova política de incentivo para ampliar a oferta de atendimento para evitar a sobrecarga nas emergências dos hospitais.”

Gabbardo também explicou que à medida que o vírus se espalha pelo mundo, será mudado o critério para dizer se o paciente é um caso suspeito de coronavírus.

“Em breve será: tem sintomas e tem viagem internacional entra para lista de suspeito. Não será mais necessário fazer lista de países suspeitos”, disse Gabbardo E antecipou que chegará um momento em que será adotada a vigilância sentinela, que monitora a tendência de aumento da circulação do vírus na região.

Ministério recomenda calma

Gabbardo reforçou que não há necessidade das pessoas que apresentam tosse ou febre leve corram para as unidades de saúde. Ele recomenda que, se o cidadão apresentar alguns dos sintomas, pode ligar para o 136 para tirar dúvidas.

“Nós não precisamos impor as pessoas que procurem as unidades de saúde com sintomas leves. Vamos deixar para ir à unidade médica quem está com sintomas mais graves”.

Casos na América Latina

Na América Latina, mesmo com a maioria dos países sem casos confirmados do novo coronavírus (Covid-19) até o momento, diversas autoridades já reconhecem que a chegada da doença é uma questão de tempo. Hoje (3), a Argentina confirmou o primeiro caso da doença.

Equador, México, Brasil e República Dominicana são os outros países afetados da região, com seis, cinco, dois e um caso, respectivamente.

Na Argentina, onde o ministro da Saúde, Ginés González García, se pronunciará sobre o assunto, o homem infectado tem entre 40 anos e 45 anos e fez recentemente um voo com escala na Itália, país que já tem mais de 2 mil infectados.

Os protocolos de atenção já foram aplicados e o homem está isolado em um quarto da Clínica Suiço Argentina, em Buenos Aires.

Outros países

Na Colômbia, o governo aumentou o risco de contaminação de moderado a alto, embora não haja nenhum caso confirmado. Guatemala, Uruguai, Paraguai, Venezuela e El Salvador também não registraram casos.

Em Honduras, o governo destinou mais de 110 milhões de lempiras (cerca de R$ 20 milhões) para enfrentar o coronavírus e afirmou que o Laboratório Nacional de Virologia está abastecido e conta com pessoal qualificado para lidar com a doença. O país já descartou dois casos suspeitos.

No Panamá, a ministra de Saúde, Rosario Turner, informou que há 850 pessoas em observação epidemiológica. O ministério comunicou que estão observando não apenas pessoas que chegaram da China, mas também da Itália e da Coreia do Sul.

No Peru, o governo disse que o vírus provavelmente já está no país. O infectologista do Instituto Nacional de Saúde do Ministério da Saúde peruano Manuel Espinoza, disse que o controle de portos, aeroportos e fronteiras terrestres só permite detectar 10% dos infectados. Portanto, 90% dos viajantes infectados vão entrar, possivelmente”, disse.

“Tudo é possível. As pessoas devem entender que, se houver um novo microorganismo, haverá muitos expostos. Não há doenças, mas pessoas doentes. Um grande grupo será infectado e não ficará doente, mas não sabemos quantos; enquanto outro grupo importante ficará doente e acontecerá como um resfriado leve e nunca irá a uma clínica ou hospital”, disse o médico.

Números do Covid-19 no mundo

No mundo todo, há 91.300 casos confirmados (desses, 80 mil estão na China), de acordo com dados compilados pela Johns Hopkins University.

O vírus causou a morte de 3.110 pessoas (cerca de 3000 na china e 120 ao redor do mundo. Trinta e três países registraram casos.

Nas últimas 24 horas, a China teve 129 mortes por coronavírus. No mundo, 1848 casos foram registrados — 80% deles no Irã e Coreia do Sul

Nos EUA, o governo monitora 108 casos, e há nove mortes registradas, de acordo com autoridades estaduais de saúde.

Capacidade laboratorial do Brasil

O Ministério da Saúde anunciou que vai ampliar a capacidade laboratorial para diagnóstico do coronavírus em todo o território nacional.

Nas próximas semanas, serão distribuídos 30 mil kits para teste diagnóstico (seguindo o protocolo de Berlim) específico para o Covid-19.

“Depois, gradativamente, serão ampliados para todos os 27 Laboratórios Centrais de Saúde Pública (LACENs) do país”, anunciou o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, durante coletiva de imprensa, em Brasília (DF), para atualizar a situação do coronavírus no Brasil.

Kits de diagnóstico

Inicialmente, serão distribuídos 10 mil kits de diagnóstico aos LACENs dos estados do Amazonas, Pará, Roraima, Bahia, Ceará, Pernambuco, Sergipe, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina, contemplando todas as regiões do país.

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro, por meio do laboratório de Biomanguinhos, iniciará a produção e distribuição dos testes ainda nesta quarta-feira (4).

Laboratórios capacitados

O secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Wanderson de Oliveira, destacou que a pasta vai capacitar todos os laboratórios centrais do país para aumentar a vigilância para a doença.

“Dentro de 20 dias, teremos todos os laboratórios centrais do Brasil realizando o teste específico para o coronavírus. Temos que ampliar a vigilância. Estamos capacitando os estados e, desta forma, teremos mais capacidade de realizar

“Nós não precisamos impor as pessoas que procurem as unidades de saúde com sintomas leves. Vamos deixar para ir à unidade médica quem está com sintomas mais graves”.

Quatro laboratórios realizam o teste para diagnóstico do coronavírus: Fiocruz, no Rio de Janeiro, Instituto Evandro Chagas (IEC), no Pará, e Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo, além do Laboratório Central de Goiás, que foi capacitado para realização do exame específico para coronavírus dos brasileiros repatriados da China que ficaram na base aérea de Anápolis (GO).

Processo de diagnóstico

A expectativa é que os laboratórios que receberem os kits já estejam preparados para iniciar o processo de diagnóstico para o coronavírus em até 20 dias.

Além do teste diagnóstico do protocolo de Berlim, o laboratório de Biomaguinhos também dará início à produção de 3 mil testes do protocolo CDC, que serão utilizados apenas como contraprova.

Além disso, os profissionais desses laboratórios também serão treinados por equipes da Fiocruz e IEC, para a realização do procedimento de forma qualificada. Os treinamentos serão in loco a partir da chegada dos kits nos estados.

*com Agência Brasil

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