Governador do RJ: isolamento está mantido, mas Crivella quer reabrir comércio

Marco Antônio Lopes
Editor. Jornalista desde 1992, trabalhou na revista Playboy, abril.com, revista Homem Vogue, Grandes Guerras, Universo Masculino, jornal Meia Hora (SP e RJ) e no portal R7 (editor em Internacional, Home, Entretenimento, Esportes e Hora 7). Colaborador nas revistas Superinteressante, Nova, Placar e Quatro Rodas. Autor do livro Bruce Lee Definitivo (editora Conrad)

Crédito: Fernando Frazão/Agência Brasil

O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, disse que o isolamento da população para conter o avanço do coronavírus está mantido no estado.

A declaração foi feita em coletiva no Palácio Guanabara, sede do executivo, após a reunião por meio digital com o presidente Jair Bolsonaro, que estava em Brasília, e com governadores da região Sudeste.

Segundo a Agência Brasil, Witzel pediu que no momento as pessoas continuem em casa, seguindo as medidas restritivas de circulação, porque somente assim os mais velhos serão preservados.

Prefeitura quer reabrir comércio

Mas o prefeito da capital, Marcelo Crivella anunciou pelo Twitter, no início desta tarde, que pretende abrir o comércio da cidade “aos poucos”, a partir da próxima sexta (27).

Crivella parece seguir o tom do pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro desta terça (24). Bolsonaro pediu o fim do isolamento social, provocando reações negativas no Congresso, na comunidade médica e outros setores da sociedade.

O estado do Rio tem 6 mortes e 305 casos confirmados. No Brasil, segundo balanço do ministério da Saúde divulgado nesta terça, há 2201 casos e 46 falecimentos em razão da doença.

Bolsonaro volta a condenar confinamento

Bolsonaro criticou mais uma vez o confinamento e as medidas de combate à expansão do vírus adotadas por governos de estados e municípios nesta quarta, em reunião com governadores do Sudeste.

A declaração causou discussão entre o presidente e o governador de São Paulo João Doria.

Witzel vai desautorizar medida de Crivella

A orientação do governador do Rio de Janeiro de manter o isolamento da população e o comércio fechado contrasta com o pronunciamento feito ontem a noite pelo presidente Bolsonaro.

De acordo com o colunista Anselmo Góis, do jornal O Globo, Witzel pretende desautorizar ação de Crivella e manter o comércio fechado.

Sobre a divergência com Bolsonaro e Crivella, Witzel ponderou que, como foi magistrado, sempre pautado em opiniões de especialistas, não caberia a ele abrir respeitosamente a divergência.

“A política é feita do diálogo de convergências e divergências. Nem sempre vamos convergir e o espaço democrático é para se ter o debate. Não convergi com aquilo que o presidente falou ontem”, afirmou.

“Espero que o presidente continue mantendo o diálogo e dando abertura para que os governadores. Não há espaço para abertura do confinamento e muito menos de afrouxamento das medidas que tomamos.”

Doria

Hospital de campanha

Witzel descartou também na coletiva divergências entre o estado e o município do Rio de Janeiro.

Como exemplo de cooperação, lembrou que a prefeitura da capital cedeu um terreno onde será instado pelo governo estadual, um hospital de campanha.

Na área de saúde reforçou a instalação de seis hospitais de campanha com capacidade para 1200 leitos.

De acordo com o governador, após o dia 4 de abril será possível fazer uma análise mais precisa do achatamento da curva de contaminação pelo coronavírus no estado e da capacidade de hospitalizar os que estiverem em situação mais grave.

Witzel destacou que, se houver necessidade, podem ocorrer alterações nas medidas adotadas, sem no entanto, revelar se o isolamento pode ser reduzido.

“Fique em casa”

“Estou otimista com o trabalho. Peço mais uma vez a todo o povo fluminense: fique em casa, observe aquilo que estamos determinando”, declarou o governador.

“Não queremos quebrar as empresas, não queremos o Brasil exterminar empregos, mas queremos preservar vidas. É muito difícil imaginar se amanhã tivermos que escolher quem vive e quem morre”, apontou.

Apoio financeiro

Witzel afirmou que saiu otimista da conversa com o presidente da República, porque houve sinalizações do governo federal para propostas apresentadas por ele, como questões ligadas ao programa de recuperação fiscal do estado.

O governador disse esperar um apoio financeiro do governo federal para o enfrentamento ao coronavírus no Rio.

“Saio otimista pela retomada do diálogo que de minha parte jamais cessou”, disse.

O estado, segundo ele, atravessa momentos difíceis na economia, com duas crises atuais – a do petróleo e a decorrente das medidas restritivas de circulação da população.

“O Rio de Janeiro já apresentava um deficit de R$ 10 bilhões. Somados à crise do petróleo e à decorrente das restrições de circulação chegam a R$ 20 bilhões”, completou.

Preocupação

O governador disse que manifestou a preocupação ao ministro da Economia, Paulo Guedes, na reunião com o presidente Bolsonaro.

Segundo Witzel, o ministro elogiou o governo do Rio por manter o compromisso com o leilão da distribuição de água e esgotamento sanitário da Cedae previsto para este ano.

No encontro, o governador pediu a antecipação dos recursos que espera alcançar com o certame.

“Em uma operação que nos permitisse ter fôlego para caminhar até o final do ano e poder retomar investimentos na nossa economia. Saio otimista porque o ministro Guedes sinalizou positivamente”, contou.

“São medidas que tomaremos juntos. A união de todos para vencer a crise é fundamental”.

Mutirão humanitário

Ainda na coletiva Witzel anunciou a criação nos próximos dias do mutirão humanitário para atender a população em situação de pobreza extrema e de renda mais baixa.

Inicialmente atenderá a 1 milhão de famílias com cestas básica. A logistica da distribuição que será feita com os municípios será divulgada em breve.

“Vamos priorizar as famílias que estejam em pobreza extrema. São famílias essencialmente chefiadas por mulheres que têm renda per capita de R$ 89 na pobreza extrema, de R$ 178 na pobreza e abaixo de meio salário-mínimo na baixa renda”, prometeu.

“Contemplaremos um milhão de famílias. Nesta primeira fase vamos atender as famílias da Baixada. Não deixaremos de atender o estado todo do Rio de Janeiro”, disse.

Witzel acrescentou que também serão atendidas, nesta primeira fase, as famílias da cidade do Rio de Janeiro e de São Gonçalo, na região metropolitana.

Sem aglomerações

“Faremos isso com cautela e sem aglomerações, seguindo orientação da Organização Mundial da Saúde e dos especialistas, com estratégica parceria com os municípios e as instituições da sociedade civil.”

Witzel revelou que tem recebido “mensagens desesperadoras” de empresários fluminenses que estão sem uma luz no fim do túnel e acrescentou que tem avaliado o tamanho da pandemia no estado ouvindo sempre os especialistas.

Reconheceu que há dificuldades econômicas, mas acrescentou que algumas empresas ainda têm condições de ajudar os seus funcionários e aos que mais precisam.

“Peço a todos união e que neste momento estejamos equilibrados para seguirmos a diante, vencendo as duas crises que se abateram sobre o nosso povo fluminense”.

Dirigindo-se aos caminhoneiros, disse que liberou o funcionamento das lojas de conveniência nos postos de combustíveis instalados em estradas, poque a categoria costuma utilizar esses locais para se alimentar.

*Com Agência Brasil

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