Gol (GOLL4) e Azul (AZUL4) reduzem voos; Vale (VALE3) ajuda fornecedor

Rodrigo Petry
Editor-chefe, com 18 anos de atuação em veículos, como Estadão/Broadcast, InfoMoney, Capital Aberto e DCI; e na área de comunicação corporativa, consultoria e setor público; e-mail: rodrigo.petry@euqueroinvestir.com.
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Crédito: Credito: Rovena Rosa/agência Brasil

Em meio à crise econômica gerada pela pandemia do novo coronavírus, as empresas passam a se readequar à nova realidade, com a redução de suas capacidades operacionais.

Veja os destaques do Monitor CVM desta terça-feira (24):

Gol (GOLL4)

A Gol anunciou que reduzirá a partir de 28 de março até 3 de maio os voos como forma de se adequar à menor demanda decorrente da pandemia do coronavírus.

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A empresa manterá 50 voos diários entre o Aeroporto Internacional de São Paulo em Guarulhos e as 26 capitais brasileiras, de acordo com a demanda específica de cada cidade.

As operações regionais e internacionais regulares da companhia estarão suspensas. As mudanças na malha irão resultar na redução de oferta de 92% nos mercados domésticos e 100% nos mercados internacionais até o início de maio.

“Provendo esse serviço essencial, a companhia será capaz de transportar itens vitais como medicamentos e órgãos, assim como clientes que necessitam viajar”, diz o comunicado.

A empresa prevê a possibilidade de realizar voos extras para destinos regionais e internacionais de acordo com a necessidade e flexibilizará o tempo limite de conexões, para garantir a interligação entre as capitais em até 24 horas.

A Gol lembrou que alterou regras para mudanças de viagens reservadas para o período de 28 de março e 3 de maio, suspendendo a cobrança de taxas, a fim de evitar possíveis restrições nas acomodações.

Azul (AZUL4)

Assim como a Gol, a Azul informou uma redução de 90% de sua capacidade total entre 25 de março e 30 de abril, o que significa a operação de 70 voos diários para 25 cidades brasileiras.

Para reduzir custos, membros do comitê executivo terão seus salários reduzidos em 50% e os gerentes, em 25%.

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Mais de 7.500 tripulantes tiveram aprovados seus pedidos de licença não-remunerada, que representa mais da metade da força de trabalho da empresa.

Vale (VALE3)

A Vale anunciou que irá adotar uma série de medidas de suporte a seus fornecedores nos próximos dias como forma de ajudá-los a enfrentar a crise gerada pelo coronavírus.

Entre as medidas, está a antecipação, antes do vencimento das faturas, dos pagamentos às pequenas e médias empresas por serviços já realizados e materiais entregues.

Essa ajuda deverá  somar mais de R$ 160 milhões e beneficiar mais de 1.000 fornecedores.

Outra medida é a redução em até 85% do prazo de pagamento de serviços e materiais que ainda serão faturados para cerca de 3 mil fornecedores de pequeno e médio portes.

VALE3

“A Vale também suportará financeiramente as empresas e trabalhadores da construção civil de projetos que a empresa está suspendendo”, informou.

Essa suspensão tem a finalidade, de acordo com a companhia, de reduzir a circulação de pessoas nas instalações da empresa e concentrar recursos em atividades essenciais para o país neste momento.

A empresa informou que não haverá impacto sobre obras relacionadas à segurança de barragens.

Ambev (ABEV3)

A Ambev informou em fato relevante que retirou sua projeção para o Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) do negócio de cerveja no Brasil no primeiro trimestre de 2020, assim como outras previsões feitas para esse ano.

Em comunicado no dia 27 de fevereiro, a companhia previa uma queda entre 17% e 20% (high teens) no período para esta divisão.

ambev

A Ambev argumenta que a pandemia do coronavírus tem crescido significativamente, causado disrupções e impondo restrições a diversos clientes, consumidores, fornecedores e outros parceiros comerciais nos mercados em que opera.

Desta forma, “está atualmente impossibilitada de estimar de forma fidedigna os impactos do Covid-19”.

CVC (CVCB3)

A fim de tentar preservar a saúde financeira perante a crise do coronavírus que está afetando expressivamente seu negócio, a CVC informou que adotou diversas medidas.

Entre as mais importantes, está a redução da jornada de trabalho de 50% a partir de 1° de abril para todos os colaboradores.

Além disso, ocorrerá a redução de 50% de salário da Diretoria Executiva e Conselho de Administração a partir de 1° abril.

Outra medida será a suspensão de novas contratações e promoções; postergação de todos projetos e investimentos não prioritários, assim como de marketing; renegociação de pagamentos e com fornecedores e devolução de fretamentos até 31 de maio.

Com relação a cancelamento de viagens, a CVC disse está oferecendo opções de remarcação ou crédito para os que têm viagens marcadas.

E caso o cliente opte pelo reembolso de sua passagem, o prazo para pagamento será de 12 meses a partir da data da solicitação, sem correção monetária ou multas, seguindo o acordo entre o Ministério Público Federal e a Associação das Empresas Aéreas (Abear).

Weg (WEGE3)

A catarinense Weg comunicou que reduziu em 50% o pessoal que trabalha em cada turno na sua fábrica de Santa Catarina, para evitar a propagação do coronavírus no país.

A fabricante tem quatro fábricas na China, com um total de 1.986 colaboradores, e afirmou que nenhum foi contaminado pelo Covid-19 no país asiático, onde a epidemia começou em dezembro do ano passado.

Weg

“A Weg informa que, com muita disciplina, atenção e seguindo à risca as recomendações e órgãos de saúde locais, conseguiu manter suas quatro fábricas na China operando desde 11 de fevereiro sem registrar qualquer transmissão de casos de Covid-19 entre seus 1.986 colaboradores. A Weg trabalha exaustivamente para transferir as experiências que teve na China às outras unidades no mundo”, detalhou a empresa.

Mahle-Metal Leve (LEVE3)

A indústria de autopeças Mahle-Metal Leve também anunciou medidas por causa da epidemia do coronavírus.

Segundo a empresa, parte do pessoal administrativo trabalha em home office a partir desta semana e as fábricas adotarão o regime de férias coletivas e seletivas a partir desta semana.

A Mahle-Metal Leve prevê que o esquema dure até meados de abril. “Com base nos dados disponíveis neste momento, nossa melhor expectativa é a de que essa interrupção perdure pelo menos até a semana de 13 a 18 de abril”, avalia a Mahle-Metal Leve.

Segundo a empresa, a subsidiária na Argentina teve as atividades paralisadas e ficará fechada até primeiro de abril, seguindo a quarentena obrigatória decretada pelo governo do país vizinho.