Gol (GOLL4) e Azul (AZUL4) disparam na bolsa com ajuda do governo

Osni Alves
Jornalista desde 2007. Passou por redações e empresas de comunicação em SC, RJ e MG. E-mail: oalvesj@gmail.com.
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Crédito: Medidas do governo dão sobrevida às aéreas; ações disparam

Medidas anunciadas pelo governo ontem transformaram a sexta-feira (20) em um verdadeiro céu de brigadeiro para as companhias e fizeram as ações disparar.

Isso porque boa parte das empresas implementaram imediatamente algumas das ações, tais como redução na jornada de trabalho e salário, bem como licença não remunerada.

As três principais companhias que atuam no Brasil aderiram e os cortes que ambas farão pode chegar a 80% de suas equipes. São elas Latam (LTM), Gol (GOLL4) e Azul (AZUL4).

O esforço visa manter as empresas de pé em meio à pandemia do coronavírus. O segmento é um dos mais atingidos por conta de cancelamento de voos e fechamento de terminais.

O remédio foi amargo, mas o alívio imediato. Isso porque às 12h30 desta sexta os papéis da Gol saltavam 40,56% a R$ 8,49 e os da Azul disparando 46,2% a R$ 17,50.

Já na bolsa de Santiago, os papeis da Latam disparam 18,89% a 2.144,70 pesos chilenos, enquanto as ADRs da companhia na bolsa de Nova York estão em alta de 25,51% a US$ 2,46.

Na última quarta, a Gol já havia anunciado cancelamento de dividendos para o exercício 2019.

Principais custos

A alta das ações se explica por conta do alto custo das operações das companhias aéreas. Para se ter ideia, a folha de pagamento está entre as maiores despesas das empresas.

Isso porque os salários e benefícios representam entre 16% a 18% da receita. Na sequência vem o combustível, onde incide PIS, Cofins e CIDE.

Levantamento feito pelo jornal Valor Econômico com analistas do mercado financeiro estima que, caso a demanda das companhias caia 50%, o prejuízo será de pelo menos R$ 1 bilhão.

A cifra não leva em consideração o dólar. O mercado projeta que os cortes nas folhas fiquem entre 30% e 50%.

Executivos

Conforme fato relevante das companhias, os cortes na remuneração também atingem seus executivos.

Para os membros do comitê executivo, a redução será de 25% dos membros do comitê executivo até a normalização da situação, além de adiar a participação nos lucros e resultados em 2019.

Na Gol, haverá um corte de 40% nos salários de abril, maio e junho dos diretores, vice-presidentes e o CEO da companhia, Paulo Kakinoff.