Goldman Sachs reduz projeção do PIB brasileiro e estima retração de 7,4%

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor

Crédito: Reprodução / Goldman Sachs

O Goldman Sachs mudou a projeção para o desempenho da economia brasileira em 2020 e estima agora que a retração será de 7,4% ao fim do ano.

Antes, o banco previa queda de 3,4% do Produto Interno Bruto (PIB). O Goldman Sachs levou em conta o agravamento da pandemia do novo coronavírus no país, além dos riscos políticos e fiscais que cercam Brasília.

O relatório divulgado nesta terça-feira (19) ainda avalia que em 2021 o PIB brasileiro deverá crescer 4%.

O banco norte-americano também ampliou a retração do PIB do México, de 5,6% para 8,5%, acreditando que as duas maiores potências da América Latina serão fortemente afetadas pela crise.

A projeção para a Argentina é a mesma do México.

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Brasil no epicentro da crise

“Neste estágio, não está claro quando a curva do coronavírus vai atingir seu pico”, diz o relatório do banco, com relação ao Brasil, país que se transformou em um dos epicentros da pandemia.

Os números não mentem: os Estados Unidos, nação com maior número de infectados, 1,57 milhões, e com mais mortos, 93.533, teve nesta terça-feira 1.552 falecidos, enquanto o Brasil teve 1.179. Nenhum outro país contou mais de mil óbitos em 24 horas.

Aliás apenas outros seis países contaram mais de cem vítimas fatais no último dia, sendo o México um deles e o Reino Unido destoando, com 545.

O avanço da doença no Brasil não se mostra muito agradável aos olhos do mundo.

Assim, o banco acredita que as medidas de distanciamento social deverão ser ou mantidas por mais tempo ou serem intensificadas, com pena da crise durar ainda mais.

Recuperação lenta

Uma das últimas regiões do planeta onde o vírus resolveu se aventurar, a América Latina periga ser o último lugar a conseguir controlá-lo.

Por isso, o banco acredita que as medidas restritivas de circulação de pessoas só começarão a serem afrouxadas parcialmente no entre os meses de junho e julho, com certo otimismo.

A estimativa do Goldman Sachs para a recuperação é ainda mais amarga: serão necessários mais de 10 trimestres. O PIB do Brasil deve encolher 14,2% no primeiro semestre, para se recuperar 7,7% no segundo.

Goldman Sachs vê outros problemas

O Goldman Sachs ainda enxerga problemas tão graves quanto o do novo coronavírus se espalhando: os riscos fiscal e político.

No Brasil, não raro o presidente das República entra em atrito com os demais poderes. O Congresso se esforça para tentar aplacar a crise entre os mais necessitados e o setor produtivo, nem sempre com eficácia, até porque há pouco dinheiro.

A projeção é que déficit primário fique acima de 11% do PIB em 2020 e a relação dívida/PIB, em 92% em dezembro. O déficit fiscal deve chegar ao recorde de 15% do PIB.

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