Goldman Sachs: coronavírus cortará 0,7% do crescimento mundial

Omar Salles
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Crédito: Getty Images

Um relatório do banco americano Goldman Sachs projeta que o surto do coronavírus cortará o crescimento da economia mundial em 0,5% no primeiro trimestre e outros 0,2% no segundo trimestre deste ano.

Com os cortes, a projeção do Goldman Sachs é que a economia mundial crescerá 2% em 2020.

A projeção do banco prevê uma expansão bem menor que a do Fundo Monetário Internacional (FMI), que no último sábado reduziu sua expectativa de crescimento de 3,3% para 3,2%.

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Segundo o banco, a forte desaceleração da economia levará os bancos centrais a reduzirem as taxas de juros, com um possível corte já na próxima reunião do Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos. A taxa de juros nos EUA está entre 1,5% e 1,75% ao ano.

“A plena retomada deverá ocorrer no segundo semestre, o que reduz a nossa projeção de crescimento da economia mundial para 2% neste ano”, analisa o Goldman Sachs.

O banco avalia que a desaceleração será rápida já em março, mas também será curta, o que “evitará por pouco uma recessão”.

“Neste cenário, prevemos um corte na taxa de juros de 0,25% pelo Federal Reserve em março, podendo ocorrer um segundo corte de 0,75% em junho”, projeta o banco americano.

Porém, o banco alerta que fazer projeções econômicas, ainda mais quando é preciso levar em conta a ação de um vírus, é difícil.

Dois cenários: o ruim e o pior

“As importações chinesas deverão se recuperar só no terceiro trimestre deste ano. Precisamos levar em conta que como o surto se espalhou para a Coreia do Sul, Japão, Irã e Itália, interrupções na cadeia de suprimentos deverão acontecer também nestes países”, comenta o banco.

“Nós projetamos dois cenários. O primeiro é de uma recuperação rápida no segundo trimestre. Neste caso, o avanço do vírus será contido no começo do segundo trimestre e os danos à cadeia de suprimentos da economia serão pequenos. O consumo será retomado a partir de abril”.

“O segundo cenário é mais sombrio. A cadeia de suprimentos será interrompida e haverá fraqueza na demanda doméstica das economias ao redor do mundo. Isto provavelmente levará a uma campanha agressiva de cortes nos juros pelos bancos centrais”, prevê o Goldman Sachs.

No cenário positivo, as autoridades chinesas conseguirão conter o surto nas próximas semanas. Assim, as fábricas retomarão a produção e os efeitos sobre as indústrias estrangeiras – que importam insumos, peças e produtos chineses – serão passageiros, sentidos apenas em março e começo do segundo trimestre.

Contudo, no cenário negativo, o surto se espalha pelo mundo e vira pandemia.

Os países reduzem importações da China e exportam menos para o gigante asiático, que demora mais para se recuperar, voltando à plena atividade só no segundo semestre. “Neste cenário, haverá uma recessão mundial”, alerta o banco.

“O que podemos dizer com grande confiança é que nas últimas duas semanas o cenário negativo ganhou força”, pondera o banco de investimentos.

Impacto nos setores

Um outro relatório feito pelo Goldman Sachs com o foco no surto do coronavírus apenas na China, publicado no dia 20, prevê que o impacto será mais forte nas seguintes indústrias: turismo, aviação, varejo de luxo, indústria automotiva, produtos de consumo e em último celulares e eletrônicos.

A primeira recuperação, ainda em março, deverá ocorrer no consumo de celulares e eletrônicos, inclusive na China. Em abril, poderá ter início a retomada do varejo de produtos de consumo, aí incluídas bebidas, alimentos mais caros, mercearia.

O turismo, projeta o Goldman, só começará a recuperação no final do segundo trimestre deste ano ou em julho, começo do terceiro trimestre. Um pouco antes se recuperará o setor da aviação comercial.

“A recuperação começará, como ocorreu na epidemia da SARS em 2002-2003, quando as pessoas acreditarem que a doença está sob controle”, avalia o banco.

A epidemia da Síndrome Respiratória Aguda Severa (SARS, em inglês) também surgiu na China no final de 2002, no inverno boreal, contaminando 8 mil pessoas e matando 800 até meados de 2003.

O coronavírus ou Covid-19, contudo, já contaminou mais de 82 mil pessoas e matou perto de 3 mil.