GOL (GOLL4) reporta prejuízo de R$ 2,2 bi em balanço preliminar

Felipe Moreira
Felipe Moreira é Graduado em Administração de empresas e pós-graduado em Mercado de Capitais e Derivativos pela PUC - Minas, com mais de 6 anos de vivência no mercado financeiro e de capitais. Apaixonado por educação financeira e investimentos.
1

Crédito: Divulgação/GOL

A Gol divulgou nesta manhã de segunda-feira (4) seus resultados não auditados do primeiro trimestre de 2020 e informou que as demonstrações financeiras auditadas serão publicadas no dia 15 de maio.

Isso porque os auditores independentes da companhia solicitaram prazo adicional para finalizar a revisão do balanço.

A companhia registrou um prejuízo de R$ 2,261 bilhões no trimestre, contra um lucro de R$ 35,2 milhões no primeiro trimestre de 2019

O lucro líquido recorrente totalizou 173,2 milhões no primeiro trimestre, o que representa um aumento de 76% no mesmo período de 2019.

O resultado exclui ganhos e perdas não realizados de marcação a mercado do ESN/Capped Calls e os ganhos e perdas de variação cambial sobre a dívida, exclui despesas (receitas) líquidas não recorrentes, exclui variações cambiais e monetárias, líquidas.

O lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação (Ebitda, na sigla em inglês) recorrente somou R$ 1,4 bilhão, um crescimento de 51,3% sobre o primeiro trimestre de 2019.

No trimestre, a margem Ebtida recorrente atingiu 45,7%, alta de 16,1 pontos percentuais.

Fonte: Gol

O resultado financeiro foi negativo em 3,243 bilhões, um aumento de R$ 2,842 bilhões sobre as perdas do primeiro trimestre de 2019.

A Gol atribui o resultado principalmente a variação cambial do período, que resultou em perdas de R$ 2,440 bilhões a mais do que no mesmo período do ano passado.

Operacional

A receita líquida atingiu a cifra de R$ 3,1 bilhões no primeiro trimestre, uma redução de 2% quando comparada com o mesmo período do ano passado.

Segundo a Gol, a queda da receita foi influenciada principalmente pela diminuição da receita de passageiros.

A Gol registrou geração de caixa operacional de R$ 1,1 bilhão, com margem de fluxo de caixa operacional de 35,6%, uma melhora de 27,7 p.p. na comparação trimestral.

Os custos e despesas operacionais totalizaram R$ 2,122 bilhões, uma retração de 21,5%.

O lucro operacional (EBIT) foi de R$ 1,025 bilhão, alta de 102,6%. Já a margem EBIT recorrente alcançou 32,6%, aumento de 16,8 p.p.

Indicadores Operacionais

  • Yield médio por passageiro de R$ 29,57 , um aumento de 3,6%;
  • Pontualidade de 92,6%, um aumento de 5,5 p.p., de acordo com a Infraero e dados fornecidos pelos principais aeroportos;
  • Taxa de ocupação média de 79,8%, uma redução de 1,7 p.p.;
  • Utilização média de aeronaves de 12,1 horas/dia, queda de 5,5%

Indicadores de Tráfego

A capacidade da GOL no mercado doméstico caiu 3,1%, e a demanda teve um decréscimo de 4,7% em comparação ao primeiro trimestre de 2019, e a taxa de ocupação chegou a 81,1% no trimestre.

A GOL transportou 7,8 milhões de clientes durante o trimestre, uma queda de 7,1% comparado com o mesmo período de 2019.

A oferta internacional da GOL reduziu 11,8%, e a demanda internacional diminuiu em 16,0% no trimestre.

A taxa de ocupação da Companhia foi de 72,3%, um decréscimo de 3,7 p.p. Durante o trimestre, a GOL transportou 0,5 milhão de passageiros no mercado internacional.

O volume total de decolagens da GOL foi de 62.956, queda de 1,3% em comparação ao mesmo período de 2019.

O total de assentos disponibilizados ao mercado foi de 10,8 milhões no primeiro trimestre de 2020, uma queda de 2,8% em relação ao mesmo período de 2019.

Frota

No final do trimestre, a frota da Gol era de 131 aeronaves Boeing 737, sendo 124 NGs e 7 Max (não operacionais), um incremento de 7 aeronaves em comparação com o mesmo período de 2019.

Fonte: Gol

Dívida

A dívida líquida da Gol encerrou o trimestre em R$ 11,607 bilhões, alta de 11,1%.

A alavancagem financeira, medida pela relação dívida líquida e Ebtida fiocu em 2,4 vez no final de março, queda de 0,8 vez em relação ao final de março de 2019.

Investimentos

Segundo a GOL, foram suspensos todo o CAPEX não essencial, incluindo a interrupção de pagamentos a título de “pre delivery payments (PDPs)”

Coronavírus

A operadora área informou ainda que em função da incertezas derivadas da pandemia de coronavírus não é possível fornecer projeções financeiras para o futuro.

A Gol está operando com capacidade reduzida até que a demanda normal esteja restabelecida. A operadora retirou 120 aeronaves de sua operação e possui flexibilidade para devolver até 20% da sua capacidade até o final do ano.

A Gol usará os próximos meses para definir como será a demanda dos Clientes e planeja manter uma oferta reduzida para o restante do ano.

Projeções

A companhia afirmou que não é possível fornecer projeções financeiras neste momento, em função da incerteza sobre o tamanho do impacto e a duração da pandemia da Covid-19. Mas disse que a paralisação da economia levará ao corte na oferta de assentos para o segundo semestre, reduzindo a malha e a frota.