Gol (GOLL4) e Azul (AZUL4) têm recuperação em abril após prejuízos do 1TRI21

Victória Anhesini
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie
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Crédito: Gol (GOLL4)

O setor aéreo iniciou 2021 com dificuldades, mas dados operacionais da Gol (GOLL4) e da Azul (AZUL4) começaram a sinalizar melhoras.

Em abril, a Azul reportou um aumento de 523,7% no tráfego total de passageiros (RPK, na sigla em inglês) em comparação ao mesmo mês do ano passado, quando o setor foi impactado de forma severa com os lockdowns, por conta da pandemia da Covid-19.

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Já em termos de capacidade (ASK, na sigla em inglês), a Azul apresentou um aumento de 455,8% na mesma comparação, enquanto a taxa de ocupação foi de 77,5%, ante 69% de um ano antes.

Enquanto isso, a Gol apontou uma demanda total de voos 289% maior em abril de 2021, comparado à mesma época do ano anterior.

Em relação a oferta de voos totais, houve crescimento na Gol de 273,5%. Além disso, houve transporte de 661 mil passageiros, aumento de 362,9% sobre abril de 2020 (143 mil passageiros).

No setor aéreo, a demanda por voos é medida pelo cálculo de “passageiro-quilômetro transportado” (revenue passenger kilometers ou RPK), enquanto a oferta por meio do “assento-quilômetro oferecido” (available seat kilometers ou ASK).

Estimativas da Gol (GOLL4) sobre melhoras no setor

Conforme o presidente da companhia, Paulo Kakinoff, a estimativa é a retomada na demanda e na frequência de voos no mercado doméstico no segundo semestre deste ano. O principal motivo é o avanço da campanha de vacinação contra a Covid-19.

“No Brasil, já vemos sinais de recuperação. A terceira semana de abril registrou aumento nas vendas de 4% contra o mesmo período de março”, afirmou Kakinoff, em vídeo publicado no site de RI da empresa na última quinta-feira.

O executivo também compara as estimativas com o momento atual dos Estados Unidos, que teve campanha de vacinação acelerada. Conforme Kakinoff, os dois mercados são parecidos diante da força da demanda doméstica e gigantismo territorial.

Ao ser questionado sobre as mudanças e atrasos no calendário da campanha de vacinação, Kakinoff acredita que mesmo com os percalços, a estimativa de que a população acima de 60 anos já estará vacinada até o fim do segundo trimestre é quase certa. De acordo com ele, essa faixa é fundamental para o aumento da demanda.

A aposta atual da empresa é que o mercado volte a patamares pré-pandêmicos entre dezembro deste ano e janeiro de 2022.

Dificuldades no curto prazo

Conforme o Valor Econômico, apesar do otimismo por parte da empresa, há conhecimento das dificuldades no curto prazo. A capacidade planejada da Gol para o segundo trimestre é 40% menor do que foi no primeiro. A estimativa da empresa é operar 63 aeronaves, 70% da frota média operada até o final do ano passado.

“Acreditamos que as atuais condições, apesar de difíceis, são temporárias”, acrescentou Kakinoff.

Azul (AZUL4) tem recuperação de 80% da capacidade

Já para a Azul, a capacidade doméstica (ASKs) recuperou 80%, resultando em uma taxa de ocupação de 79%.

“Em abril, seguimos gerenciando ativamente a capacidade de acordo com a demanda, que foi impactada pela segunda onda da pandemia e pelas medidas de quarentena implementadas em todo o país”, disse John Rodgerson, CEO da Azul.

“Apesar desses desafios, nossa malha exclusiva combinada com a flexibilidade de nossa frota, permitiu uma recuperação de 80% da nossa capacidade doméstica, que é uma das maiores taxas de recuperação do mundo. As tendências recentes são positivas e a recuperação da capacidade irá acelerar nos próximos meses”.

Entretanto, na comparação com abril de 2019, o RPK da Azul teve declínio de 37,5%.

Malha aérea doméstica em abril encolhe para 35,7% da oferta pré-crise

De acordo com a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), a malha aérea doméstica recuou para 35,7% em abril. O número é baseado na oferta de voos do início de março de 2020, antes das medidas de isolamento social e de fechamento de fronteiras.

Atualmente, as empresas aéreas nacionais registram uma média de 858 partidas diárias. O valor é muito próximo ao de setembro de 2020, quando havia 864 decolagens por dia, 36% da oferta regular.

Abril é o terceiro mês consecutivo de encolhimento da malha aérea doméstica. O setor aéreo registrou, desde maio do ano passado, uma retomada gradual das operações, segundo os dados da Abear. Em janeiro, foi alcançado o pico de 1,789 decolagens diárias, equivalente a 75% da oferta de partidas ante março de 2020.

Com a segunda onda de casos de Covid-19, o impacto sobre a quantidade de voos em fevereiro já era visto. Na época, a média diária recuou para 1,469, 61,2% da malha aérea pré-crise. Em março, a oferta diária de voos domésticos teve novo recuo, com 1.177 decolagens, ou 49% da oferta regular de voos.

Balanço da Azul no 1TRI21

A Azul registrou um prejuízo líquido de R$ 2,65 bilhões no balanço do primeiro trimestre de 2021. É uma diminuição de 56,8% em relação ao mesmo período do ano passado.

O resultado financeiro foi negativo em R$ 2,437 bilhões no quarto trimestre do ano passado, redução 59% sobre as perdas financeiras do primeiro trimestre de 2020.

A taxa de ocupação foi de 76,5% no trimestre, queda de 4,6 pontos percentuais. Além disso, a receita líquida atingiu R$ 1,825 bilhão no período, uma redução de 34,9% na comparação anual.

Balanço da Gol no 1TRI21

A Gol reportou prejuízo líquido de R$ 2,5 bilhões no balanço do primeiro trimestre. Os números apontam uma alta de 10,8% sobre o resultado do mesmo período de 2020, com prejuízo de R$ 2,28 bilhões.

Ainda mais, no balanço, a Gol registrou uma receita de R$ 1,56 bilhão, queda de 50,2% sobre o mesmo período do ano passado. De acordo com a companhia, a redução na receita se deu principalmente pela redução mais acentuada na demanda no setor aéreo, em decorrência da segunda onda de casos de COVID-19 com pressão na rede hospitalar que impactou no aumento no número de cancelamentos e não comparecimentos (no-show).

2020 foi o pior ano da aviação, diz Abear

No início de 2021, a Abear informou que houve uma forte retração na demanda de voos domésticos com a pandemia, configurando o pior momento para a aviação.

Antes de março de 2020, o setor aéreo tinha uma média diária de 2.700 voos domésticos. Mas o número chegou a 180 voos diários em abril.

Tudo isso também afetou o valor de mercado das empresas. De acordo com a Economática, em 21 de fevereiro de 2020, as principais companhias aéreas do mundo valiam aproximadamente US$ 174 bilhões em bolsa. Em poucos dias, em 11 de março, este valor recuou para US$ 124 bilhões.

No Brasil, somando o valor de mercado de Gol e de Azul, a queda também foi acentuada. Esta cifra recuou, no período, de aproximadamente US$ 8,2 bilhões a, impressionantes, US$ 1,2 bilhões.

O que dizem as análises

Apesar dos resultados da Azul estarem alinhados com o que a Eleven Financial Research esperava, a receita líquida superou as estimativas em relação ao yield, comparado ao trimestre anterior.

O Ebitda e o prejuízo de R$2,7 bilhões acompanharam as expectativas. Por um lado, a administração da empresa afirmou durante a teleconferência de resultados que está vendo uma recuperação de volumes e tarifas desde o final de março e começo de abril. O período parece ter sido o fundo em termos de demanda por passagens dessa segunda onda de Covid-19.

Por outro, mesmo com a recuperação esperada com o avanço da vacina, a Azul divulgou um guidance de R$4,0 bilhões de Ebitda para 2022. Conforme a Eleven, o valor é cerca de 10% acima do resultado de 2019 pré-pandemia, mas 12% abaixo da projeção (em linha com o consenso).

De acordo com a Eleven, a piora dos resultados da Gol no 1TRI21 em relação ao trimestre e ao ano anteriores também já era esperada.

A receita líquida registrada de R$1,6 bilhão ficou alinhada com a estimativa. Além disso, com a elevada ociosidade operacional gerando muita volatilidade no Ebitda, o prejuízo de R$2,5 bilhões no trimestre ficou dentro da estimativa.

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