Gol (GOLL4) registra prejuízo de R$ 1,997 bilhão no 2TRI20

Felipe Moreira
Especialista em Mercado de Capitais e Derivativos pela PUC - Minas, com mais de 7 anos de vivência no mercado financeiro e de capitais. Apaixonado por educação financeira e investimentos.
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Crédito: Gol

A Gol (GOLL4) registrou um prejuízo de R$ 1,997 bilhão no segundo trimestre de 2020, ante um prejuízo de R$ 194,6 milhões um ano antes.

O desempenho foi impactado severamente pelos efeitos da pandemia do coronavírus e variação cambial do perído.

Já o prejuízo recorrente alcançou R$ 771,8 milhões, contra R$ 2,1 milhões no segundo trimestre do ano anterior.

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O resultado financeiro foi uma despesa de R$ 1,096 bilhão no trimestre, uma elevação de 162,2%.

De acordo com a Gol, o resultado foi devido principalmente em decorrência da variação cambial do período.

Ebtida negativo

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebtida) foi negativo em R$ 282,5 milhões, contra um resultado positivo de R$ 814,6 milhões na comparação com a base anual.

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Já o Ebtida ajustado somou R$ 99,2 milhões, uma queda de 87,8%.

Enquanto a margem Ebtida ajustado atingiu 27,7%, baixa de 1,8 ponto percentual.

Gol, Azul, GOLL4

Balanço da Gol

Operacional

O número de Passageiro-Quilômetro Transportado Pago (RPK) diminuiu 92% comparativamente ao mesmo período de 2019, totalizando 773 milhões RPKs.

Entretanto, a Gol registrou um aumento de 103% em RPK de abril a junho.

Enquanto o Assento Quilômetro Ofertado (ASK) cresceu 104% dentro do trimestre, uma redução de 91% em relação ao segundo trimestre de 2019.

A GOL transportou 0,6 milhão de clientes no trimestre, uma diminuição de 92% na comparação com igual período de 2019.

O segundo trimestre de 2020 reflete os impactos diretos da pandemia no volume de operações.

A GOL encerrou o mês de junho com uma frota total de 130 B737s e com 27 aeronaves operando.

Em relação a junho de 2019, as operações de voo representaram 13% em média e cresceram para 17% no final do mês, ou 120 voos diários, com a reabertura planejada de sete bases e maior frequência na Ponte Aérea São Paulo-Rio de Janeiro.

Com um aumento para aproximadamente 250 voos diários em julho, as operações devem ficar em torno de 25% do realizado de julho de 2019 com 36 aeronaves operando na malha.

A GOL informou também que planeja reabrir 14 bases adicionais no período de agosto a dezembro de 2020.

Receita cai mais 88%

A receita líquida atingiu R$ 357,8 milhões no trimestre, uma redução de 88,6% na comparação com igual período de 2019.

Conforme a Gol, o desempenho foi afetado principalmente pela redução na demanda em decorrência da adoção do comportamento de distanciamento social pelos clientes e do fechamento das fronteiras, impossibilitando a realização de voos internacionais.

Apesar da queda significativa na quantidade de voos realizados, as receitas de transporte de cargas apresentaram uma queda menos acentuada, correspondendo a 50,7%.

Frota

Ao final do trimestre, a frota total da GOL era de 130 aeronaves Boeing 737, sendo 123 NGs e sete (7)MAX (não operacionais).

No final do segundo trimestre de 2019, a companhia contava com 127 aeronaves, sendo sete (7)MAX(não operacionais).

Durante o trimestre, a GOL recebeu uma aeronave adicional modelo 737-800 NG, para a qual o contrato de arrendamento já se encontrava celebrado antes da pandemia. A idade média da frota da empresa foi de 10,7 anos ao final do segundo trimestre.

No final do trimestre, a Gol possuía 95 pedidos firmes para aquisição de aeronaves Boeing 737 Max.

O plano de frota da companhia apresenta uma redução de 21 aeronaves operacionais até o final de 2021,com a flexibilidade de retornar ainda mais aeronaves se necessário.

Endividamento

A dívida líquida encerrou o segundo trimestre de 2020 em R$ 13,480 bilhões, um aumento de 44,2%.

A alavancagem financeira, medida pela relação dívida líquida/ Ebtida ajustado, ficou em 4,5 vezes no final do trimestre. Um ano antes, a alavancagem era de 2,7 vezes.

Guidances 3TRI

No terceiro trimestre, a Gol estima operar uma frota média de 69 aeronaves, que representará 60% da frota média operada no mesmo trimestre do ano passado.

Espera-se que a receita do trimestre a findar-se o trimestre diminua aproximadamente 73% contra o mesmo período de 2019.

As despesas devem diminuir em aproximadamente 70%, decorrentes das iniciativas de redução de custos, menores capacidade e consumo de combustível.

A GOL espera encerrar o trimestre com R$ 2,9 bilhões em liquidez e R$ 13,8 bilhões em dívida líquida ajustada.