Gol (GOLL4) afirma que recuperação judicial “não está nos planos”

Paulo Amaral
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Crédito: Reprodução/Smiles

Paulo Kakinoff, presidente da Gol (GOLL4) descartou que a empresa esteja pensando em entrar com pedido de recuperação judicial por conta dos prejuízos causados pelo coronavírus.

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Em live promovida pelo jornal O Estado de S. Paulo e transmitida pelo Facebook, o executivo afirmou que, no momento, essa não é uma decisão que faça parte da agenda da cúpula da companhia aérea.

“Ninguém pode responder impossível. Tudo é absolutamente possível. Porém, respondendo claramente, não temos nenhuma discussão, não enxergamos cenário que nos coloque nessa posição, assumindo as variáveis que temos hoje, de recuperação de demanda, câmbio e custos de combustível. Dentro desse horizonte de variáveis que assumimos como mais prováveis, descartamos possibilidade de recuperação judicial”, discursou.

Volta à “normalidade”

Na visão do executivo da Gol, a demanda por voos no mercado brasileiro só retornará ao patamar pré-pandemia em meados do ano que vem. E, mesmo assim, distante do que é considerado “normal”.

“Quando digo ao normal, não necessariamente aos níveis de 2019. É um normal comparável ao que foi 2017, 2018 e 2019, períodos em que as aéreas tiveram margem acima do breakeven “.

Kakinoff revelou durante a live que a projeção da companhia é aumentar a demanda de voos diários, atualmente na casa dos 120 (chegou a cair para 50 no ápice da crise, em meados de abril), para algo entre 200 e 250 voos por dia dentro de um mês, no máximo.

“Já vemos um maior nível de procura por bilhetes”, admitiu.

Em relação ao cenário internacional, o presidente da Gol foi mais cauteloso. “Hoje é positivo que nossa dependência (de voos internacionais) seja pequena. Justamente porque analistas preveem recuperação para patamares pré-crise levará anos”.

Redesenhar a companhia

Independentemente do aumento no número de voos, o executivo admitiu que a Gol tem a necessidade de se “redesenhar” para deixar a crise para trás de uma vez por todas.

Segundo Kakinoff, a empresa aérea tem caixa para ficar em situação confortável pelo menos até o fim de 2020, mas a questão é um pouco mais ampla.

“A questão principal não é quanto o caixa dura e sim nossa capacidade para reduzir a velocidade de queima de caixa, independentemente da duração da pandemia”, pontuou.

“Temos de redesenhar a companhia para uma relação de receita e custos para voltar ao equilíbrio em um cenário de demanda ainda arrefecida de maneira considerável pelo menos até o final do ano”, complementou.

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Redução de frota

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De acordo com comunicado divulgado pelo Portal Brasileiro do Turismo, a Gol estaria pensando em encolher sua frota atual em cerca de 28%, passando de 130 para 100 aeronaves.

A companhia já teria anunciado aos investidores de forma oficial a devolução de 11 B737-800s, arrendados desde o começo de 2020, e o planejamento de devolver outros sete no segundo semestre.

“Durante o mês de maio, a Gol devolveu duas aeronaves aos lessores e encerrou o período com uma frota total de 130 B737s. Até agora em 2020, a Gol já reduziu sua frota em 11 aeronaves B737-800 arrendadas, planeja devolver outras sete aeronaves arrendadas no segundo semestre de 2020 e pode reduzir até outras 30 unidades em 2021/2022, com a flexibilidade de devolver um número superior caso a demanda estiver menor”, informou a Gol.

Segundo a companhia, caso a recuperação do setor aéreo se apresente mais lenta do que o esperado, há o planejamento de devolver outras aeronaves a partir de 2021.

A Gol também já negociou este ano o diferimento de pagamentos de arrendamentos de aeronaves e motores para períodos entre três e seis meses, retendo cerca de R$ 452 milhões de recursos financeiros no período.

“Entramos em contato com alguns arrendadores para modificar os acordos de leasing e avaliaremos todas as alternativas possíveis para manter nossa frota”.

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