Construção e petróleo devem ter recuperação mais lenta, prevê corretora

Marcia Furlan
Jornalista com mais de 30 anos de experiência. Trabalhou na Editora Abril e Agência Estado, do Grupo Estado, como repórter e editora de Economia, Política, Negócios e Mercado de Capitais. Possui MBA em Mercado de Derivativos pela FIA.

Crédito: finnews

As empresas de construção civil, petróleo, saneamento e metalurgia/siderurgia deverão registrar uma recuperação mais lenta em relação a outros setores após a grave crise econômica causada pela pandemia do coronavírus.

De acordo com um relatório da Planner Corretora, em uma lista de 15 setores, 11 devem ter uma recuperação mais rápida e podem ser vistos como alternativas de investimentos no médio prazo.

São eles: alimentos, beleza e saúde, comércio e varejo, concessões, distribuição de combustíveis, energia elétrica, instituições financeiras, locação de veículos, mineração, tecnologia, veículos e implementos.

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A Planner considera que a crise econômica causada pela pandemia do coronavírus tem potencial para derrubar o PIB esse ano e se estender para 2021, com efeitos diferentes sobre as empresas.

Alimentos

As empresas desse setor listadas em bolsa, de acordo com a Planner, têm grande parte de sua dívida e receita em dólar, mas costumam fazer proteção (hedge) de suas operações. Além disso, possuem liderança em seus mercados de atuação, com boa geração de caixa, liquidez adequada e baixa alavancagem.

Como destaque, a corretora cita a São Martinho (SMTO3), que tem potencial de valorização de 25%, e a JBS (JBSS3), que pode subir 36,3%.

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Beleza e saúde

O setor de saúde deve ser um dos menos afetados pela crise, pois manteve suas atividades apesar do isolamento, por meio da utilização de delivery, no caso de farmácias e drogarias. No caso dos hospitais, o movimento, obviamente, até aumentou.

As que atuam na área de laboratórios viram sua receita diminuir em razão da quarentena, mas devem retomar rapidamente o ritmo quando o isolamento acabar.

A exceção nessa área são as empresas de beleza e cosmético, que devem ter queda, apesar do e-commerce.

A Planner vê potencial de crescimento de 28,2% para as ações do Fleury (FLRY3) e de 16,4% para o Grupo Natura (NTCO3).

Comércio e Varejo

Neste setor, a Planner ponderou que o Covid-19 gerou implicações de curto prazo nas companhias varejistas em diferentes escalas, conforme a exposição delas ao consumo cíclico e não cíclico.

O destaque é o comércio eletrônico, que teve uma expansão no primeiro trimestre em todo o país, e a pandemia deve ajudar a consolidar esse canal de venda.

Mas as empresas não estão todas no mesmo patamar, por isso os resultados podem ser diferentes. E também estarão sujeitas ao tamanho da queda da confiança e do emprego.

Os papéis do Magazine Luíza (MGLU3)têm potencial de crescimento de 15,8%, Via Varejo (VVAR3), de 21,7%, Lojas Renner (LREN3), de 13,4%.

Concessões

Em concessões, como já mostram os resultados de tráfego em rodovias divulgados semanalmente pelas empresas, o segundo trimestre deve ser bastante impactado. Mas a expectativa é que se recuperarem rapidamente, com exceção dos aeroportos.

A previsão para os papéis da CCR (CCRO3) é de 23,1%.

Distribuição de combustíveis

Nesse setor, as perdas devem ser grandes no segundo trimestre, mas espera-se a retomada rápida. Claro que as vendas de gasolina, etanol e GNV, usados em veículos de passeio, não serão no nível anterior à crise, por conta das demissões e layoffs. Já as vendas de diesel, que caíram pouco, devem voltar para muito perto do nível anterior à quarentena, assim que a movimentação das pessoas for liberada.

A Planner vê um potencial de valorização de 54,6% para a Petrobras Distribuidora (BRDT3).

Energia elétrica

A preferência, nesse setor, é pelos segmentos de transmissão e geração, uma vez que o de distribuição já sofre os impactos de queda da demanda e pode ter problemas de caixa. Entre a cotação máxima e a mínima das últimas 52 semanas, o setor apresentou queda média de 49% em linha com a desvalorização de 48% do Ibovespa na mesma base de comparação. Apesar de tradicionalmente ser uma ação de defesa, as expectativas são cautelosas.

A Engie (EGIE3) tem potencial de crescimento de 15,7%,

Instituições financeiras

Entre os bancos, um fator positivo é que a crise não é financeira, como foi em 2008, portanto os impactos são mais limitados. Além disso, as ações de diversos órgãos para aumentar a liquidez do sistema criaram condições positivas para ultrapassar a fase. No entanto, a Planner disse preferir os bancos grandes, com maior estrutura, liquidez, padrão de governança destacados e também maior capacidade de recuperação. E destaca que em termos de valorização, o setor ainda está devendo e foi um dos que menos subiu na recuperação recente em abril.

Os papéis do Bradesco (BBDC4) têm potencial de crescimento de 63,7% e os do Itáu (ITUB4), de 45,6%

Locação de veículos

Para esse setor, as apostas de retomada são para os segmentos de frotas e aplicativos, e muito menos para turismo e negócios. O potencial da Locamérica (LCAM3) é de 41,5%.

Mineração

A Vale se mostra como uma boa opção nesse momento porque o setor deve ser pouco impactado, já que os preços do minério estão estáveis e o real se desvalorizou. Os principais clientes, as siderúrgicas chineses, continuam com bom desempenho.

As ações da Vale (VALE3) podem subir até 30%, na estimativa da Planner.

Tecnologia

O setor é um dos poucos que têm conseguido minimizar os impactos da enorme desaceleração econômica devido à pandemia e foi um dos menos impactados, por isso deve retornar mais rápido à normalidade. O momento, na verdade, potencializou esse ramo, na medida que é essencial para as operações digitalizadas, as vendas online e a comunicação.

Veículos e autopeças

O retorno das vendas e da produção de veículos tende a ser bem lento, resultado da queda do emprego e da renda, que vai se aprofundar. No entanto, segmentos relacionados ao agronegócio podem ter outro comportamento, influenciados pela demanda por alimentos.

A Planner vê um potencial de valorização de 51,4% dos papéis da Randon (RAPT4).

Sinal Amarelo

Construção Civil

A previsão para esse setor, naturalmente muito sensível à desaceleração econômica, é de menor ritmo de lançamentos e foco nas obras em andamento e redução de distratos. As empresas tinham se capitalizado para retomar o crescimento e a pandemia interrompeu isso. Agora, algumas voltaram a buscar recursos para capital de giro, o que pode afetar o resultado financeiro novamente. Empresas com foco na alta renda e média alta renda e nos corporativos deverão sofrer menos.

Eztec (EZTC3) e Cyrela (CYRE3), na previsão da Planner, têm potencial de crescimento de 36,8% e 49,4%, respectivamente.

Petróleo

A corretora vê duas crises nesse setor, a da pandemia e da derrocada dos preços em razão da disputa entre a Arábia Saudita e a Rússia, que levou a um aumento da produção no momento de redução da demanda. Para a reversão desse cenário, é preciso um incremento consistente na demanda e/ou redução maior da produção, o que a Planner vê como provável nos próximos meses, ajudando a estabilizar os preços.

Enauta (ENAT3), que atua em gás, tem potencial de valorização de 121,6%, enquanto Petrorio (PRIO3) pode subir 81,3%.

Saneamento

Apesar de também ser considerado um setor defensivo, as empresas do setor estão desempenhando um papel social em meio à pandemia e postergando o reajuste das tarifas. Com isso enfrentaram bastante volatilidade nas últimas semanas e caíram mais que o Ibovespa.

As perspectivas de privatização ficaram adiadas para 2021.

A estimativa de valorização dos papéis da Sanepar (SAPR11) é de 50,2%.

Siderurgia e Metalurgia

O setor deve ser bem impactado pela paralisação das indústrias que são seus principais consumidores. Usiminas e Gerdau, por exemplo, optaram pelo desligamento e abafamento de fornos, o que sinaliza uma retomada lenta. A Gerdau (GGBR4), no entanto, tem bom potencial de valorização, de 79,5%, em razão de sua estrutura de produção no Brasil e no exterior.