Getnet (GETT3): BTG (BPAC11) inicia cobertura com recomendação Neutra e target em R$ 10

Osni Alves
Jornalista desde 2007. Passou por redações e empresas de comunicação em SC, RJ e MG. E-mail: oalvesj@gmail.com.
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O BTG Pactual (BPAC11) iniciou a cobertura da Getnet (GETT3), que é uma empresa de tecnologia com soluções de pagamento que atendem do grande ao pequeno empreendedor.

De acordo com o banco de investimentos, a companhia tem reportado crescimento de TPV (Volume Total de Pagamentos) muito forte, com expansão de 64% ao ano, para R$ 182 bilhões no primeiro semestre de 2021, à frente da Cielo (+13%), Rede (+24%) e Stone (+52%).

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“Porém, atrás da PagSeguro (+73%)”, destacou o BTG, elencando recomendação Neutra e preço-alvo em R$ 10 por ação para o final de 2022.

“Por outro lado, a rentabilidade (exreceita financeira) caiu para 0,6% em 2020 e 0,5% no primeiro semestre de 2021, explicado pelo ambiente competitivo mais desafiador e uma mudança no mix de TPV para clientes muito maiores, já que a pandemia atingiu clientes de varejo menores com mais força”, disse.

O ativo GETT11 se manteve na liderança entre as maiores perdas do Ibovespa nesta sexta-feira (22). Para se ter ideia, perto das 17h as units recuavam 15,67%, negociadas a R$ 5,65, abaixo da faixa de R$ 6 na estreia na B3, na última segunda (18).

Getnet

O BTG diz esperar por uma recuperação na rentabilidade à medida que o mix de TPV do varejo se reverta gradualmente aos níveis pré-pandêmicos.

Também disse que, em suma, a Getnet está bem-posicionada para crescer no mercado de adquirência e existem várias oportunidades para melhorar a lucratividade.

“Mas, há potenciais conflitos de interesse com o Santander Brasil, o forte ambiente competitivo no setor, a alta dependência da Getnet do canal Santander e a baixa liquidez esperada das ações, assim como SANB11, o free float é de apenas 10%”, frisou.

Conforme o banco de investimentos, em 31 de março de 2021 o Santander Brasil cindiu seu braço de adquirência Getnet, criando uma nova companhia aberta separada das operações bancárias.

A ideia, disse, era listar a Getnet no Brasil e nos Estados Unidos (ADRs), com todos os acionistas do Santander Brasil recebendo quase a mesma participação na Getnet (~90% serão diretamente detidos pelo Grupo Santander e ~10% por minoritários/free float, assim como Santander Brasil).

“Getnet agora é controlada pela PagoNxt, uma empresa global de tecnologia de pagamentos totalmente controlada pelo Grupo Santander. O objetivo é destravar valor e dar aos acionistas a opção de fazerem o que quiserem com as novas ações da Getnet, a exemplo do que o Itaú fez com o XP recentemente”, ressaltou.

O relatório é assinado pelos analistas Eduardo Rosman, Ricardo Buchpiguel, Thiago Paura, Vitor de Melo.

Nº 3 de Brasil

De acordo com os analistas, a Getnet é o adquirente nº 3 do Brasil, com quase duas décadas de experiência e uma participação de mercado de 16%.

“A jornada da Getnet realmente começou antes de ser conhecida como o braço adquirente do Santander Brasil, com José Renato Hopf, um ex-desenvolvedor do banco regional Banrisul, fundando o negócio em 2003. A empresa começou oferecendo soluções de pagamento/tecnologia, já que Hopf acreditava que os clientes eram mal atendidos por um mercado dominado pela VisaNet(ex-Cielo) e Redecard [hoje subsidiária do Itaú]”, destacaram.

E complementaram: “na época, as principais bandeiras de cartões [Visa e Mastercard] tinham acordos de exclusividade com cada uma dessas gigantes adquirentes, que pertenciam aos principais bancos do país. Os principais acionistas da Visanet eram Banco do Brasil, Bradesco e Santander Brasil, enquanto a Redecard era controlada pelo Itaú, Unibanco e Citibank. No entanto, em 2010 os reguladores impuseram o fim desses acordos de exclusividade e, consequentemente, facilitaramo aumento da concorrência no mercado de adquirência.”

Conforme os analistas, o Santander decidiu vender sua participação na VisaNet e criou seu próprio braço de aquisições após a compra da Getnet. A aquisição ocorreu em 2014, mas o Santander já havia “testado as águas” em 2011, quando iniciou uma parceria comercial com a adquirente. Ter o Santander como parceiro, e depois controlador, foi essencial para os primeiros anos de crescimento da Getnet, uma vez que muitos novos participantes ainda lutavam com altos custos de distribuição e marcas de cartão locais fazendo acordos de exclusividade com adquirentes incumbentes.

“A GetNet foi a única nova entrante ganhando participação de mercado por algum tempo, já que era apoiada por um banco grande e aproveitou sua ampla distribuição de agências, posteriormente os reguladores interviram para abrir a porta para que mais participantes ganhassem relevância no mercado. Demorou um pouco para ganhar força, mas a participação de mercado da Getnet aumentou de 3% em 2013 para 15% em 2020, superando o mercado em 4x.”, ressaltaram.

A Getnet do Santander, historicamente, concentrava-se principalmente nas PMEs, e seu sucesso frequentemente refletia a estreita integração entre o banco e o braço adquirente. No 1S21, 17% das receitas da Getnet vinham de grandes clientes corporativos, 78% de PMEs e 5% de cauda longa.

“Com o tempo, esse forte ritmo de crescimento diminuiu, mas a Getnet voltou a crescer muito rapidamente nos últimos anos. No ano passado, superou seus dois concorrentes históricos, postando um TPV [volume total de pagamentos] de R$ 274 bilhões, um aumento de 32% a/a (vs. +5% para Rede e – 6% para Cielo). Mas seu rendimento de receita (ex-receita financeira) continuou a cair para 0,6% em 2020 (-30bps a/a). Parte do impacto no rendimento da receita veio de uma maior proporção de volumes de cartão de débito (menor MDR) e maior participação de grandes empresas, que pressionou a receita líquida total para baixo em 13% a/a.

Tese de investimento

Para o BTG, o objetivo final da Getnet é se tornar um balcão único no setor de pagamentos brasileiro, naturalmente oferecendo soluções de pagamentos, mas também software (como reconciliação e gerenciamento de fraude), pré-pagamento, consultoria de e-commerce e outros serviços.

A adquirente também planeja fornecer soluções de crédito (ou seja, crédito garantido por recebíveis) para clientes externos (não da base do Santander Brasil), principalmente nos canais independentes.

O processo de subscrição de crédito será liderado por um ex-VP de risco do Santander Brasil, e a Getnet receberá um abatimento na originação (ao invés de ganhar juros e incorrer no risco de crédito), enquanto o Santander Brasil assumirá o risco de crédito e controlará as aprovações de crédito.

A GetNet continuará consolidando 100% dos resultados de pré-pagamento, enquanto todos os outros produtos bancários/de crédito continuarão registrados no Santander Brasil.

“Acreditamos ser muito importante para a Getnet poder buscar um ecossistema completo, oferecendo mais do que apenas soluções de adquirência “puras”. Embora acreditemos que o Brasil (e provavelmente o Ocidente) ainda está muito longe do modelo da China, sinalizamos o que vem acontecendo no Ant Group”, disse o banco de investimentos.

E acrescentou que, historicamente, a grande maioria de suas receitas vinha de pagamentos, mas com o passar do tempo os pagamentos estão se tornando “a forma” do grupo conectar clientes e obter dados para ganhar dinheiro com outros produtos como crédito, seguros e investimentos, entre outros.

“Já as taxas de pagamento estão diminuindo, o que é uma tendência que também vemos aqui para jogadores puramente adquirentes. Essas perturbações no ambiente de pagamentos têm se mostrado desafiadoras para a Cielo, que foi desenvolvida como um “produto” dos bancos.

Por isso, é importante que o Santander seja cauteloso e evite que algo semelhante aconteça com a Getnet. O Santander Brasil entende os potenciais conflitos de interesse de listar a Getnet, uma vez que o banco provavelmente será o responsável pela maior parte dos resultados relacionados ao crédito/bancário, que muitas vezes são mais lucrativos do que a adquirência de produtos.

“E está trabalhando para dar a transparência necessária à governança corporativa da Getnet”. Frisou.

Veja GETT3 na Bolsa: