Luis Stuhlberger: conheça este “fazedor de milionários”

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Divulgação/Verde Asset

Luis Stuhlberger, sócio da Verde Asset, é considerado um dos gestores de maior sucesso da história do país, um “fazedor de milionários”, como já chegou a ser definido.

Ele é o nome à frente do fundo Verde FIC FIM, um dos maiores e mais antigos fundos multimercado do Brasil.

Apesar de, neste ano, o Verde estar com rentabilidade negativa (-1,47%) e de ter registrado em setembro queda de 1,22%, o fundo já rendeu 135,40% ao ano em 1999, em meio à crise mundial e um ambiente mais especulativo, e 50,37% em 2009. Em 2019, rendeu 13,33%.

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O desempenho atual, explica a gestora, decorre da queda da bolsa brasileira, além de pequenas contribuições negativas em moedas e renda fixa.

  • Se você se interessa pelo mercado financeiro, precisa conhecer esse gestor. Nesta leitura, você conhecer a trajetória de Stuhlberger

Stuhlberger: a carreira

Formado em Engenharia Civil pela POLI (USP), Stuhlberger tem especialização em Administração pela FGV.

Começou sua carreira no mercado financeiro em 1981, na Hedging-Griffo, como operador de mercado futuro e de commodities. Em 1985, tornou-se diretor da corretora. Em 1992, estruturou e implementou uma área de gestão de fundos. Em 1997, enfim, lançou o Fundo Verde, que mudaria toda a sua história.

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Tal fundo obteve muito destaque e abriu a porta para que Stuhlberger e sua equipe fundassem, em 2015, a Verde Asset.

A gestora se auto define como um local de estudo e trabalho intenso de pesquisa, onde são geradas análises macro e microeconômicas com viés fundamentalista, contemplando o mercado local e internacional.

A Verde está entre as 20 maiores gestoras do Brasil. E tinha patrimônio estimado em mais de R$ 45 bilhões no fim de 2019.

De “zero à esquerda” a um dos maiores gestores

“Eu sempre achei que não seria nada na vida”, confidenciou Stuhlberger à revista Piauí, em outubro de 2008. “A única coisa que eu tinha para oferecer, até 1979, era o meu histórico escolar. Em todo o resto, eu era um zero à esquerda”, disse.

Stuhlberger foi um dos melhores alunos do Colégio Bandeirantes. Também foi um aluno de destaque na Escola Politécnica da USP. “Eu era uma pessoa de boa índole, de bom caráter, um bom ser humano. Fora isso, era uma pessoa inexpressiva em todos os campos: no social, no pessoal, na liderança, nos relacionamentos. Eu era do grupo dos feios. A única coisa a meu favor era a inteligência em potencial”, definiu.

Um pouco da história de Stuhlberger

Nos anos 1970, o pai do gestor, David, era dono da construtora Stuhlberger. E se uniu a sócios para montar uma petroquímica e um banco, o Expansão, que tinha participação em uma corretora, a Griffo. Nos anos 1980, Stuhlberger, o filho, foi trabalhar no banco e na corretora.

Ele fazia, então, pós-graduação em administração. E se apaixonou pelo mercado financeiro. Casou-se e, 15 dias depois de retornar da lua-de-mel, seu patrimônio familiar foi reduzido a quase nada. O Expansão teve que ser vendido às pressas para cobrir um rombo da petroquímica, decorrente da crise do petróleo.

Stuhlberger seguiu na Griffo, mas sem salário. Ele era um operador sem experiência e, ali, a remuneração era por desempenho.

Expert em ouro

Em 1982, quando o Brasil enfrentava a crise da dívida externa, Stuhlberger focou no mercado de ouro, então um dos poucos ativos fortes.

Seu desempenho foi tamanho que chegou a ser convocado pelo Banco Central para atuar como representante da instituição junto aos operadores de ouro.

Ele conta que, ao receber uma ligação do Banco Central, imaginou que receberia uma reprimenda por ter feito algo errado no mercado. Mas, ao contrário, veio uma grande oportunidade. A Griffo ganhou, assim, notoriedade.

Nas palavras do já falecido Emilio Garofalo, então chefe do Departamento de Operações Internacionais do Banco Central, foi Stuhlberger quem profissionalizou o mercado de ouro no Brasil. “Ele era sério, não blefava. Foi uma tranquilidade para o Banco Central poder contar com uma pessoa como ele”, afirmou em entrevista à Piauí.

Com a experiência acumulada no ouro, Stuhlberger não teve nenhuma dificuldade para migrar para a Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), isso já nos anos 1990.

Cerca de dez anos depois, o Credit Suisse adquiriu 100% da Griffo, de quem Stuhlberger e equipe se descolaram para fundar a Verde Asset. O banco segue até hoje como acionista minoritário da gestora.

Lições de Stuhlberger

“Meu estilo de operar é arbitrar imperfeições e buscar opções que tenham um alto potencial de retorno, com baixo risco. Opções que você tenha muito pouco a perder e muito a ganhar. Muitas vezes, perde-se muito pouco por muito tempo. Isso não importa. Os valores são pequenos e, de repente, se você consegue acertar. O ganho compensa as perdas”, disse em entrevista à jornalista Mara Luquet em 1999.

Uma lição prática de Stuhlberger: “Quando tem uma crise na bolsa, caem os papéis bons, os médios e os ruins. Os bons não deveriam cair tanto. Então surge muita qualidade a preços baixos”. Foi o que fez na crise de 2008, quando a bolsa brasileira estava em baixa e ele viu uma grande oportunidade de comprar papéis de primeira linha.

“Perder muito pouco e operar com sua cabeça disciplinada para nunca colocar seu patrimônio em risco, mesmo que, de cinco eu ganhe um, o importante é não perder muito”, ensina.