GE e Johnson & Johnson anunciam desmembramento: entenda o que está por trás do split

Ronaldo Araújo
Engenheiro e Agente Autônomo de Investimentos, hoje me dedico a divulgar ensinamentos sobre como funciona a Previdência Privada. Acredito que com mais conhecimento é possível fazer melhores escolhas para a formação do patrimônio de longo prazo. Para saber mais acesse www.ronaldoaraujo.com.br
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Crédito: Diuvlgação/Johnson & Johnson

Recentemente, dois grandes grupos internacionais anunciaram o desmembramento de suas unidades de atuação, criando novas empresas. A iniciativa é conhecida como split (do verbo inglês dividir) e faz parte de um movimento que vem ganhando força, no qual os conglomerados não são mais tão populares. A GE dará vida a outras três empresas, enquanto a Johnson & Johnson se tornará duas.

Este artigo esmiúça o assunto. Lendo o texto, você terá informações a respeito da trajetória das companhias. Saberá porque é o movimento de desmembramento é oportuno e conhecerá as principais formas de investir nas empresas.

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Siga em frente e aproveite a leitura!

Qual é a situação atual das organizações?

Apesar das idades muito próximas, cada grupo teve uma trajetória diferente até aqui. Acompanhe.

General Eletrics

Conhecida por ser um ícone corporativo dos EUA, a General Eletrics (GE) tem uma longa história no empreendedorismo norte-americano. Já são mais de 130 anos de atividades, com atuação nos mais diferentes setores da sociedade.

Os produtos fabricados pela companhia alcançam um grande leque de diversidade. São eletrodomésticos, motores a jato, aparelhos médicos de diagnóstico por imagem e até mesmo as lâmpadas idealizadas por Thomas Edison.

Com tanto sucesso, a empresa chegou à marca mais valiosa do mundo, ao lado de companhias como Toyota e ExxonMobil. No entanto, desde então seu valor de mercado caiu e hoje ronda “apenas” US$ 122 bilhões.

Muito do posto de empresa mais valiosa do mundo foi pedido pelo avanço tecnológico proporcionado pelas atuais big techs. Organizações como Apple, Microsoft, Google a Amazon passaram a fazer parte do cotidiano das famílias ao redor do mundo.

Além disso, gestões administrativas não tão acertadas assim contribuíram para a perda de valor de mercado. Muitos analistas consideram que o trabalho brilhante feito pelo CEO Jack Welch na década de 1980 e 1990 foi desfeito atualmente.

Para se ter ideia, quando ele assumiu o comando, a companhia valia US$ 14 bilhões. Vinte anos depois, seu valor de mercado era de US$ 400 bilhões.

A recente derrocada se deu sob a administração de Jeffrey Immelt. Desde 2001, quando assumiu, a GE perdeu 25% de valor ao longo de 16 anos.

Somado a tudo isso, tem-se um acúmulo de dívidas muito grande. Até o fim de 2021, estima-se que o passivo bruto da companhia chegue à casa do U$ 65 bilhões.

O caminho mais certo realmente pareceu ser a divisão da empresa em três atuações distintas.

Johnson & Johnson

Já a Johnson & Johnson é um grande conglomerado de produtos para a saúde. Seus 135 anos foram dedicados a esse setor, desde que a empresa foi fundada em 1886 como uma fabricante de curativos cirúrgicos.

Seus produtos concentrados em uma linha de artigos para bebês como loções, xampus, hidratantes e talcos sempre foram um grande impulsionador da imagem da empresa, apesar das baixas margens de lucro.

A percepção de uma companhia benevolente e gentil dava força para a venda de outros produtos, como os medicamentos analgésicos como o Tylenol.

No entanto, foi justamente nesses dois pontos importantes que a empresa passou a enfrentar sérios problemas, sendo alvo de batalhas judiciais bilionárias.

O tão conhecido talco para bebês foi apontado como possível causador de câncer em alguns clientes. Talvez por isso a empresa tenha suspendido completamente a venda do produto em toda a América do Norte, ainda que alegue ser seguro.

Outro grande problema originou-se na epidemia de opiáceos vivida pelos EUA em períodos recentes. A Johnson & Johnson é acusada de contribuir para a crise de saúde pública.

A razão da acusação é a produção e comercialização de analgésicos a base de opiáceos que são extremamente viciantes. Como resultado, a organização enfrenta processos, que somados, representam bilhões de dólares em prejuízo.

Tudo isso contribuiu para o anúncio da divisão do grupo em outras duas companhias.

Por quais motivos o split pode ser interessante?

Atualmente, a visão econômica é que os grandes conglomerados estão menos populares. Sua estrutura gigante faz com que os problemas de uma dada empresa acabem sendo absorvidos pelas demais.

Além disso, a percepção do público em geral acerca de uma empresa dedicada apenas a uma atividade fim pode contribuir para o aumento das vendas.

Somando isso com a intenção de resolver os problemas do grupo, GE e Johnson & Johnson resolveram se desmembrar.

A General Eletrics se dividirá em três outras empresas. Uma delas terá atuação no setor de saúde e tem previsão de início das operações em 2023.

Já em 2024 surgirá o braço de negócios dedicado às unidades de energia, incluindo as fontes renováveis. Por fim, o que sobrar do grupo atuará no setor de aviação.

Enquanto isso, a Johnson & Johnson anunciou sua divisão em dois grupos: um deles será dedicado a fabricação de produtos farmacêuticos enquanto o outro concentrará esforços no ramo de dispositivos médicos.

Split: como investir nessas companhias?

Veja as principais formas de investir nas organizações.

BDRs

É possível investir nessas companhias por meio de BDR’s, os Brazilian Depositary Receipts. Tratam-se de títulos que representam as ações originais das empresas, com direito ao recebimento de proventos inclusive.

Eles podem ser adquiridos diretamente na B3, a bolsa de valores brasileira. O BDR da General Eletric é negociado sob o código GEOO34 e o da Johnson & Johnson opera sob a sigla JNJB34.

Ações

Para quem pretende investir diretamente nas ações das companhias citadas, existe a opção de atuar nas bolsas norte-americanas.

Para isso, é preciso abrir conta em uma corretora nos EUA. Após terminado o processo, deve-se remeter recursos ao exterior, realizando a operação cambial.

Vale ressaltar que esse é um processo mais burocrático e que pode ser bem mais demorado do que investir diretamente na bolsa brasileira.

Fundos

Por fim, pode-se optar por fazer o investimento via fundos. Existem diversos veículos desse tipo que fazem investimentos internacionais. Basta consultar a política de investimentos do fundo para saber.

Outra opção interessante é fazer o investimento por meio de um ETF. Eles são fundos de índices que também contemplam o investimento em ações de empresas do porte das companhias citadas aqui.

Antes de realizar qualquer investimento, vale a pena refletir se vale a pena. No caso das companhias citadas neste artigo, convém lembrar que são empresas seculares. Dessa forma, já passaram por crises anteriormente e ainda estão no mercado.