Futuro das políticas econômicas preocupa mercado

Marcelo Hailer Sanchez
Jornalista, Doutor em Ciências Sociais (PUC-SP) e Mestre em Comunicação e Semiótica (PUC-SP). Pesquisador em Inanna (NIP-PUC-SP). Trabalhei nas redações do Mix Brasil, Revista Junior, Revista A Capa e Revista Fórum. Também tenho trabalhos publicados no Observatório da Imprensa e revista Caros Amigos. Sou co-autor do livro "O rosa, o azul e as mil cores do arco-íris: Gêneros, corpos e sexualidades na formação docente" (AnnaBlume).

Vai e vem do governo federal diante das reformas tributárias e administrativa acendeu sinal de alerta no mercado, que agora revela preocupação com o futuro da política econômica do governo Federal.

Memória: nas eleições de 2018, o então candidato Jair Bolsonaro ganhou confiança do mercado ao defender políticas liberais para a economia e ao apresentar Paulo Guedes, economista respeitado, como o seu futuro ministro da Economia.

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Anunciava o seu casamento com o futuro superministro, como gostava de dizer. Mas, como toda relação conjugal, o momento é de tensão e prazo de validade, o que acendeu o sinal amarelo entre investidores e empresários, nacionais e estrangeiros.

Sinal contraditório: o presidente adiou o envio da reforma administrativa ao Congresso Nacional, que estava prometido para hoje (20) e, ao mesmo tempo, dá sinal verde para Paulo Guedes seguir com a reforma.

Esse ambiente trouxe de volta preocupações que estavam fora do radar.

Ao jornal O Estado de São Paulo, investidores elencaram algumas preocupações: cenário incerto das reformas, controle do teto de gastos, gestão orçamentária e retrocesso no ajuste fiscal.

Calendário eleitoral

Ainda que incipiente, as desconfianças de setores do mercado devem ser observadas com atenção.

O presidente Bolsonaro teme que uma profunda reforma administrativa afete o desempenho dos seus aliados nas eleições municipais desse ano.

Aos olhos dos investidores e empresariado, essa incerteza emitida por Bolsonaro é preocupante, pois, o apoio à sua candidatura se deu, principalmente, por conta das promessas de que, se eleito, emplacaria as reformas estruturais e tornaria o país um ambiente desburocratizado para a iniciativa privada.

Ao Estadão, um integrante da equipe econômica admitiu que “a desconfiança voltou e que o mercado está superatento”.

O presidente do Insper, Marcos Lisboa”, disse à reportagem do Estado que “como as despesas obrigatórias estão consumindo todos os recursos e as reformas foram modestas até agora, só teve a previdência relevante, o governo está tendo problemas”.

 

Novos atritos entre governo e Congresso Nacional

No mesmo dia em o governo cancelou o envio da reforma administrativa para o Congresso, surgiu um novo atrito entre entre integrantes do governo e o Congresso.

O ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), o general Augusto Heleno, acusou o Congresso de “chantagem constante” e foi classificado pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), de ser um “ideólogo antidemocracia”.

Esse atrito constante entre Palácio do Planalto e Congresso Nacional, também preocupa os investidores.

Ao mesmo tempo, o Congresso Nacional instalou ontem (19) uma comissão mista da reforma tributária. A meta do colegiado é concluir o texto em 45 dias e votá-lo ainda nesse semestre.

Diante de tudo isso, Paulo Guedes avisou: Sem o apoio necessário do Palácio do Planalto, com sua equipe entrincheirada e sem a prometida autonomia plena de trabalho, ele não permanece no cargo.

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