Futebol: TV interrompe pagamento de cotas e aumenta drama de clubes no Brasil

Paulo Amaral
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Crédito: Agência Brasil

A emissora de TV detentora dos direitos de transmissão dos campeonatos de futebol no Brasil resolveu interromper o pagamento das cotas dos Estaduais.

Sem bola rolando por conta da pandemia de coronavírus, a Globo anunciou que, a partir de abril, não fará mais o depósito referente às transmissões de jogos dos campeonatos Paulista, Carioca e Baiano, por exemplo.

Rio Grande do Sul e Minas Gerais, que também têm jogos dos Estaduais transmitidos pela emissora carioca, não serão afetados porque os clubes já receberam 100% do que foi acordado para 2020.

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De acordo com reportagem publicada pelo UOL, pessoas ligadas à emissora afirmaram não ser viável manter os pagamentos com as competições interrompidas pela pandemia.

A ideia, de acordo com as fontes ouvidas pelo portal, é retomar a agenda assim que houver uma previsão para a volta do futebol no País, possivelmente em junho ou julho.

Cenário caótico

Um dirigente ouvido pela reportagem do Estadão Conteúdo ilustrou o desespero que tem tomado conta de boa parte dos clubes de menor expressão, fora do chamado grupo dos grandes, formado por Corinthians, Palmeiras, Santos e São Paulo.

“A cota de TV para nós é muito importante, pois representa 85% da nossa receita”.

Fernando Ferreira, da Pluri Consultoria, especialista em marketing esportivo, fez uma projeção durante sua participação no programa Mesa Redonda, da TV Gazeta.

Segundo Ferreira, há dois cenários possíveis e, em ambos, os principais clubes do País já registrarão prejuízo em seus cofres por conta da Covid-19.

No melhor deles, em que o Brasil conseguirá “driblar” a pandemia até o fim do mês de abril, a perda para os principais clubes brasileiros (os 20 da Primeira Divisão + o Cruzeiro) já ultrapassará os 10%.

“Se a gente tiver um cenário que chamamos de otimista, chegar agora em abril e os campeonatos serem retomados, é uma situação menos dramática”, ponderou.

Campeonato Paulista

A receita – ou melhor, a falta dela – pode fazer um dos melhores times do Paulistão até o momento enfrentar sérios problemas quando (e se) a bola voltar a rolar para o Estadual de São Paulo.

O Santo André, dono da melhor campanha da competição, tem 20 jogadores em seu elenco com contratos chegando ao fim neste mês de abril.

Caso a bola volte a rolar após esse período, o clube não teria condições de disputar o restante do torneio com o mesmo grupo que mostrou força até agora.

“Se demorar para retornar a competição, fica inviável a participação do Santo André de forma competitiva. Não só do Santo André, mas de qualquer clube médio ou pequeno. Eu acho que seria injusto o Santo André retornar na competição jogando com a base ou com um time contratado às pressas”, avisou Edgar Montemort, diretor de futebol do clube, ao GloboEsporte.com.

O Paulistão foi interrompido no dia 10 de março, restando ainda duas rodadas da fase classificatória para serem disputadas. Santos, São Paulo e Bragantino lideram seus grupos. O Palmeiras, com os mesmos 19 pontos do Santo André, está em segundo na sua chave por ter uma vitória a menos.

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