Futebol inglês prevê prejuízo de R$ 5 bi e falência de clubes após pandemia

Paulo Amaral
Jornalismo é meu sobrenome: 20 anos de estrada, com passagens por grandes veículos da mídia nacional: Portal R7, UOL Carros, HuffPost Brasil, Gazeta Esportiva.com, Agora São Paulo, PSN.com e Editora Escala, entre outros.
1

Crédito: Divulgação/Liverpool

Bolas de futebol, vôlei, basquete, tênis. Todas estão paradas em meio à pandemia de coronavírus que assombra o planeta. Mas, na Inglaterra, um “jogo” segue a todo vapor.

Ao invés da bola, no entanto, o que está em disputa é dinheiro. Milhões e milhões de libras, dólares e euros que movem o campeonato mais rico do mundo.

De um lado estão os jogadores de futebol dos principais clubes que disputam o Campeonato Inglês, os dirigentes que comandam a Associação de Futebol da Inglaterra (FA) e a cúpula da Premier League, organizadora da Primeira Divisão.

Do outro, prefeitos, deputados e o governo de uma forma geral, ávidos por ver no futebol alguma atitude solidária em prol das muitas vítimas de coronavírus espalhadas por todo o território britânico.

A conta do que está em jogo é alta, na casa de R$ 5 bilhões, dinheiro suficiente para levar alguns clubes do país – de menor expressão – a terem que fechar as portas se a pandemia não for contida a tempo.

A disputa

A grande discussão entre os protagonistas e organizadores do futebol com o poder público inglês começou quando Matt Hancock, ministro da Saúde britânico, vinculou a ajuda pública a uma possível redução salarial dos jogadores.

Sadiq Khan, prefeito de Londres, encampou a ideia e disse à BBC que os grandes astros do futebol deveriam assumir o golpe econômico.

“Os jogadores mais bem pagos são os que têm mais capacidade de suportar o maior fardo e, com respeito, sacrificar seus salários, mais do que as pessoas que vendem os programas (das partidas) ou a equipe de recepção”.

Uma pesquisa realizada pelo YouGov e publicada no final da semana passada mostrou que a população está de acordo.

Segundo os dados colhidos, 92% das 2.154 pessoas entrevistadas disseram que os jogadores da elite do futebol inglês deveriam fazer sacrifícios financeiros.

Mais de dois terços chegam a apontar que esse esforço deveria chegar a 50% em redução salarial ou mais.

O “contra-ataque”

A “sugestão” da ala política, apesar de ganhar apoio popular, não foi bem recebida pelos jogadores ou pelos dirigentes que comandam o esporte no país.

Gordon Taylor, presidente da PFA (Associação de Futebolistas Profissionais), foi o primeiro a defender os direitos dos jogadores.

“É ridículo que os clubes adiem suas obrigações para com os jogadores e depois gastem grandes quantias em transferências e contratações”, pontuou.

Os dirigentes da FA, sob o comando de Greg Clarke, presidente da entidade, não entraram no mérito da redução salarial dos clubes, mas pediram a união de todo o país para “manter vivo o futebol”.

Richard Masters, CEO da Premier League, enviou um pedido oficial ao governo para defender a decisão de alguns clubes mais ricos do mundo de recorrer às medidas de proteção do governo britânico.

“O esquema anunciado pelo governo é para toda a economia, incluindo muitas empresas que estão no campo do entretenimento ou que dependem de grande talento”, pontuou.

“Não apenas nossa indústria está enfrentando perdas, mas para ser realista, precisamos basear nossos planos pensando que leva muito tempo para nos recuperar completamente”, completou.

O plano anunciado pelo governo para ajudar as empresas determina que funcionários possam receber até 80% dos salários, mas limitados a 2.500 libras (aproximadamente R$ 16,1 mil).

O Tottenham e o Liverpool chegaram a anunciar que recorreriam ao programa de salvaguarda do governo, mas foram criticados e, a princípio, o Liverpool, atual campeão do mundo – e líder do Inglês dessa temporada – voltou atrás.

Uma das formas mais eficientes de identificarmos o nosso perfil de investidor, é realizando um teste de perfil.

Você já fez seu teste de perfil? Descubra qual seu perfil de investidor! Teste de Perfil

O Bournemouth, time de menor expressão da Liga, anunciou que seu técnico, Eddie Howe, autorizou redução salarial para que o dinheiro fosse destinado ao pagamento de outros funcionários do clube.

A FA tomou decisão semelhante em relação ao treinador da seleção da Inglaterra. Gareth Southgate, agora, receberá 30% a menos em seus vencimentos mensais.

O juiz

Em meio a todas as discussões, a Fifa, entidade que comanda o futebol mundial, avisou que, nesta semana, recomendará que clubes e jogadores entrem em acordo sobre possíveis reduções salariais.

A discussão sobre redução salarial no futebol não é exclusiva da Inglaterra. No Brasil, clubes e jogadores já se sentaram para tentar chegar a um acordo, que também não foi selado.

Fernando Ferreira, da Pluri Consultoria, especialista em marketing esportivo, fez uma projeção durante sua participação no programa Mesa Redonda, da TV Gazeta.

Segundo Ferreira, há dois cenários possíveis e, em ambos, os principais clubes do País já registrarão prejuízo em seus cofres por conta da Covid-19.

No melhor deles, em que o Brasil conseguirá “driblar” a pandemia até o fim do mês de abril, a perda para os principais clubes brasileiros (os 20 da Primeira Divisão + o Cruzeiro) já ultrapassará os 10%.

“Se a gente tiver um cenário que chamamos de otimista, chegar agora em abril e os campeonatos serem retomados, é uma situação menos dramática”, ponderou.

Estudo aponta que coronavírus causará prejuízo de US$ 15 bilhões ao esporte

TV interrompe pagamento e aumenta drama no futebol brasileiro