Fusão das ações das Lojas Americanas: o que é preciso saber? Confira!

Ronaldo Araújo
Engenheiro e Agente Autônomo de Investimentos, hoje me dedico a divulgar ensinamentos sobre como funciona a Previdência Privada. Acredito que com mais conhecimento é possível fazer melhores escolhas para a formação do patrimônio de longo prazo. Para saber mais acesse www.ronaldoaraujo.com.br
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Crédito: Reprodução/Wikipedia

A notícia da fusão das ações das Lojas Americanas vem mexendo com o mercado, sobretudo na cotação dos papéis. A cada novo anúncio, uma forte reação acontece. Para entender melhor o assunto, este artigo detalha o que vem acontecendo em relação a esse grande grupo econômico.

Aproveite a leitura e fique mais bem informado!

Histórico de cotações

Entre as duas ações ON e PN (LAME3  e LAME4, respectivamente), as últimas sempre foram as mais negociadas. Durante vários anos, a cotação de LAME4 ficou com valor compreendida entre R$ 15,00 e R$ 20,00. No entanto, esse topo foi rompido por volta do fim de 2019, permanecendo acima dos R$ 25,00 até o início da pandemia.

Mesmo com a crise recém-chegada, o desempenho dos papéis se recuperou e continuou avançando, até alcançar o novo topo de R$ 35,00 em julho de 2020. Foi aí que o cenário se reverteu e uma queda vertiginosa teve início. Nada menos que 85% do valor se perdeu até que a cotação ficasse em torno de R$ 5,00.

Anúncio de fusão

Posto o novo cenário de desvalorização das ações, os controladores da companhia resolveram propor a fusão entre as ações da empresa para criar uma nova holding de investimentos. A proposta foi aceita pelos acionistas no mês de junho de 2021 e o calendário de modificações foi implementado.

Pelo novo modelo, os dois papéis LAME3 e LAME e serão fundidos às ações já existentes da companhia B2W que é a controladora do grupo, cujos títulos são negociados com o código BTOW3. Dessa super fusão nascerá a Americanas S.A. e apenas um único papel será negociado a partir de então: AMER3.

Reflexo nos preços

A cada novo anúncio nas mudanças sugeridas acontece algum reflexo expressivo na cotação dos papéis, e não há como ser diferente. Uma movimentação desse porte sempre mexe com o mercado. Assim, o primeiro movimento de grande porte foi sentido no dia 18 de outubro, quando houve anúncio da pretensão de lançar ações da companhia na bolsa americana de tecnologia Nasdaq.

Nessa oportunidade houve valorização de surpreendentes 27% nos papéis LAME3, 20% em LAME4 e de 4% nas novas ações AMER3, antiga BTOW3. Já o outro avanço nas cotações se deu no último dia 3 de novembro com o anúncio da nova estruturação societária. A valorização foi de 10% em LAME3, 13% em LAME4 e de 6% em AMER3.

Novo cenário

Talvez o maior impacto na reformulação da nova estrutura societária seja a retirada do controle acionário de seus antigos detentores. Os fundadores da 3G Capital Marcell Telles, Carlos Alberto Sucupira e Jorge Paulo Lemann são os atuais controladores do grupo e com a reestruturação o deixarão de ser.

Com o novo modelo proposto, o percentual controlado pela 3G Capital será de 29,20%. Sendo assim, a participação de mais de 50% das ações não mais existirá, o que configura que o controle foi cedido. Os atuais controladores aceitaram a proposta mediante o pagamento de um prêmio ainda a ser liquidado. Da mesma forma haverá uma compensação aos acionistas minoritários das ações das Lojas Americanas: cada um receberá R$ 0,18 por ação devido o cancelamento dos papéis.

A fusão das ações das Lojas Americanas e sua consequente reestruturação lançam um novo marco na história desse conglomerado econômico. Trata-se de um importante passo rumo à internacionalização por meio do lançamento de papéis na bolsa americana de tecnologia. Com isso, o mercado espera forte valorização em um horizonte de tempo não muito distante. Ainda assim, recomenda-se cautela na aquisição das novas ações recém-lançadas.