Fundos encerram 2020 com captação positiva de R$ 156,4 bilhões

Felipe Alves
Jornalista com experiência em reportagem e edição em política, economia, geral e cultura, com passagens pelos principais veículos impressos e online de Santa Catarina: Diário Catarinense, jornal Notícias do Dia (Grupo ND) e Grupo RBS (NSC).
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Crédito: Divulgação

A indústria de fundos de investimento encerrou 2020 com captação líquida positiva de R$ 156,4 bilhões. Segundo dados da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), o montante é a diferença entre os R$ 8,4 trilhões de aportes e R$ 8,3 trilhões de saques no período. Assim, o valor representa um recuo de 32% na comparação com 2019.

“2020 foi um ano atípico no mundo todo e com impacto em diversos setores da economia. Mesmo com os efeitos da crise, a indústria de fundos se mostrou resiliente, teve uma rápida e consistente retomada e entregou ótimos resultados”, afirma Carlos André, vice-presidente da Anbima.

Assim, os fundos multimercados e de ações foram os principais responsáveis pelo crescimento e mantiveram a trajetória bem-sucedida que registram desde o início da queda da taxa de juros.

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Os fundos multimercados fecharam o ano com saldo positivo de R$ 97,6 bilhões, com avanço de 30% sobre 2019.

Já os fundos de ações tiveram captação líquida positiva de R$ 69,4 bilhões. Apesar de expressivo, o saldo foi 22% inferior ao registrado no ano anterior.

A Anbima já havia divulgado que no último dia do ano, os fundos de investimentos alcançaram a marca histórica de R$ 6 trilhões de patrimônio líquido.

Captação líquida de fundos segundo a Anbima em 2020

 

Fundos de renda fixa foram os que mais sofreram

A classe de renda fixa foi a que mais sofreu os impactos da crise, mas teve desempenho superior a 2019. Os resgates líquidos totalizaram R$ 41,2 bilhões. Alguns aportes concentrados em fundos representativos contribuíram positivamente para os resultados. Eles ocorreram no segmento de poder público (governo) e totalizaram cerca de R$ 100 bilhões.

“A renda fixa num ambiente de taxa de juros baixa naturalmente perde atratividade, especialmente nos fundos com estratégias mais conservadoras e isso acaba estimulando os investidores a buscarem uma maior diversificação de suas carteiras e, aos poucos, reduzirem sua a aversão a risco. Mas, particularmente em 2020, muitas pessoas também precisaram acessar suas reservas de emergência, que estão em fundos mais conservadores, para pagamento de contas”, afirma Carlos André.

Em relação às rentabilidades acumuladas no ano, os multimercados foram destaque. A maior parte teve desempenho acima da taxa DI (2,76%) e do Ibovespa (2,9%).

O tipo investimento no exterior (pode alocar mais de 40% do seu patrimônio líquido em ativos lá fora) teve retornos de 12,2%, enquanto o tipo estratégia específica (adota estratégias de investimento em riscos específicos, como commodities, futuro de índice etc.) ficou em segundo lugar com 8,3%.

O “ações livre” (que pode adotar diversos tipos de estratégia) se destacou entre os tipos de fundos que apresentam estratégias de investimento na classe de ações com 6,2% de rentabilidade.

Na renda fixa, o tipo dívida externa (que aplica, no mínimo, 80% em títulos representativos da dívida externa) teve retorno de 36%, influenciado pela alta de 28,9% do dólar em 2020.

Por fim, o tipo duração alta grau de investimento (investe, no mínimo, 80% da carteira em títulos públicos com prazos maiores) rendeu 9,8% de janeiro a dezembro.