Fundos de renda fixa voltam a ter captação líquida negativa em outubro

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.

Crédito: Reprodução/Pixabay

Com Selic em sua mínima histórica e ameaças constantes ao teto de gastos (devido ao custo da pandemia e também aos ruídos políticos), a renda fixa vem perdendo cada vez mais atratividade. E os fundos atrelados a ela também vêm sentindo o impacto.

Em outubro, os resgates voltaram a superar os aportes na modalidade, segundo a Anbima. E, dentre as opções de fundos de renda fixa, apenas sete de 16 tipos registraram, até dia 22 do mês, rentabilidade acima da taxa DI de 2,28% ao ano.

Em outras palavras: mais da metade dos fundos de renda fixa está tendo rentabilidade abaixo do CDI.

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A captação líquida de todos os fundos no mês, calculada até 22 de outubro, já é negativa em R$ 17,74 bilhões. Em setembro, ela havia tido registro positivo de R$ 21,25 bilhões.

A performance da renda fixa vem sendo comprometida principalmente pela volatilidade dos preços no mercado secundário das Letras Financeiras do Tesouro (ou Tesouro Selic). Estes papéis representam parcela expressiva nas carteiras de renda fixa. Isto especialmente nos fundos indexados à taxa DI, que é usada como referência para a remuneração em renda fixa.

O tipo que mais vem se destacando na renda fixa em termos de captação é o duração baixa soberano, que captou R$ 10,21 bilhões no mês até 22 de outubro. No ano, a captação líquida é de R$ 167,57 bilhões.

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Fundos de renda fixa atrelados ao dólar têm rentabilidade maior

Já a maior rentabilidade mensal tem sido a do fundo renda fixa duração alto grau de investimento, que registrou alta de 1,20%.

No acumulado do ano, as maiores rentabilidades são dos fundos de renda fixa atrelados ao dólar, como renda fixa investimento no exterior (10,09%) e renda fixa dívida externa (44,35%). Isto acontece principalmente devido à alta do dólar ante o real.

Os tipos que ainda superam a DI são: renda fixa indexados, renda fixa duração média soberano, renda fixa duração alta grau de investimento, renda fixa duração livre soberano, renda fixa duração livre grau de investimento, renda fixa investimento no exterior e renda fixa dívida externa.

renda fixa

Reprodução/Anbima

De acordo com o IMA (gráfico abaixo), índice da Anbima que serve de parâmetro para o desempenho dos investimentos em renda fixa, a variação em outubro (até dia 27) é positiva. Tem ganho de 0,11%. Em setembro, o desempenho foi negativo: queda de 0,06%.

IMA

Reprodução/Anbima

Fundos multimercado têm destaque

Os fundos multimercados são o de maior captação líquida em outubro, R$ 623 milhões. Ante recuo de R$ 13,16 bilhões da renda fixa. E recuo de R$ 57 milhões das ações.

No ano, eles também apresentam o melhor resultado entre as classes, com admissão de recursos no total de R$ 84,88 bilhões. Isto ante R$ 66,80 bilhões das ações e R$ 7,23 bilhões da renda fixa.

O tipo multimercados livre teve a maior captação, de R$ 2,42 bi. Mas em rentabilidade o destaque é para o multimercados investimento no exterior, com 10,63% ao ano de rentabilidade. Ele é seguido por multimercado estratégia específica, com 5,48%.

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Reprodução/Anbima

Fundos de ações também têm resgate superando aporte

Já a classe de fundos de ações registrou captação líquida negativa de R$ 57,7 milhões. Isto no acumulado até 22 de outubro.

A respeito da classe ações, todos os tipos exibiram rendimento superior a 4% em outubro. O destaque é para fundos de ações indexados. No ano, porém, as rentabilidades seguem todas negativas, dada a volatilidade atual dos mercados.