Fundos de investimento no exterior se destacam pela rentabilidade

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Reprodução/Pixabay

Diversificar a carteira de investimentos, indo além das fronteiras do mercado brasileiro, e garantir alta rentabilidade. É o que prometem os fundos de investimento no exterior, que vêm se destacando, como aponta a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).

Segundo o relatório da entidade, em maio, os multimercado tiveram a maior captação líquida positiva (R$ 3,4 bilhões) entre os fundos de investimento. Os que mais se destacaram foram justamente os de investimento no exterior, com captação líquida de R$ 5,1 bilhões.

Além disso, a rentabilidade acumulada destes fundos de janeiro a maio foi de 3,81%, contra uma média de -0,67% dos demais tipos de multimercado. Na rentabilidade acumulada nos últimos doze meses, o destaque também se verifica, com rentabilidade de 12,71% dos internacionais contra 6,05% dos demais.

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Lucas Collazo, estrategista de alocação da Rico, confirma o crescimento destes fundos. “Aumentou muito a procura. A casa Wellington Ventura, por exemplo, que trouxemos com exclusividade, já captou 50% do planejado”, revela.

O que são os fundos multimercado de investimento no exterior?

Os fundos multimercado são uma boa opção para quem gosta de diversificar investimentos e manter uma carteira variada. Ou seja, para quem pretende distribuir seu capital nas mais diferentes alternativas oferecidas pelo mercado financeiro.

E dentro dos multimercados, existem aqueles que aplicam mais de 40% do patrimônio em ativos no exterior – são os fundos multimercado de investimento no exterior.

A estratégia garante uma diversificação ainda mais completa: geográfica e em outra moeda. Isto sem que seja necessário ter conta no exterior ou fazer remessas de dinheiro para outro país.

Quem pode investir?

Engana-se quem pensa que fundos multimercado com ativos no exterior só valem para investidores que dispõem de grandes quantias.

Estes fundos tornaram viável que o investidor brasileiro não-qualificado – ou seja, aquele que não possui mais de 1 milhão em ativos – também desfrutasse das oportunidades do mercado internacional.

Por exemplo, na XP é possível participar de um fundo multimercado internacional com aplicação mínima de R$ 5 mil. A modalidade, em geral, agrada mais aos perfis moderado e agressivo, mas está aberta a todo tipo de investidor.

Por que investir no exterior?

São muitas as razões para um investidor brasileiro buscar o mercado exterior.  Primeiramente, uma delas é a diversificação.

Diversificar a moeda do investimento é fundamental, e a crise decorrente da pandemia comprovou isto. Ou seja, saiu-se melhor quem tinha ativos em dólar. “Com dólar baixando um pouco, há brecha para a compra. E é uma chance de diversificar a carteira, porque investir em dólar é sempre proteção”, afirma Clara Sodré, daEQI Investimentos.

Ao diversificar o investimento também geograficamente, o investidor garante proteção em mercados menos voláteis do que o brasileiro.

“No mercado global, você não fica exposto às peripécias políticas do Brasil. Você consegue isolar a sua carteira”, diz Collazo.

Empresas de tecnologia estão no exterior

Além disso, a economia americana, em particular, tem uma atratividade que a brasileira não tem: as empresas de tecnologia.

“As principais empresas de tecnologia não são brasileiras e ao concentrar todos os ativos no Brasil, você perde os retornos deste avanço”, explica o estrategista da Rico. Vale lembrar que, durante o período de isolamento social das quarentenas ao redor do mundo, as empresas de tecnologia se revelaram as mais resilientes.

Aposta em economias mais fortes

A crise também escancarou a força da economia americana diante da brasileira. “Nos Estados Unidos, você atravessa a crise com o Federal Reserve (Fed) imprimindo dólar”, diz Collazo. “O resultado é que o (índice) Nasdaq já está positivo no ano e o S&P zerou perdas”, complementa.

Fora isto, o Brasil atravessa um período crítico em que a agenda de ajuste fiscal do governo federal se encontra paralisada devido à pandemia. Isso traz mais insegurança ao investidor.

“Em um momento de crise global, vemos como é importante ter as contas em ordem. Não temos recursos e espaço fiscal para promover pacotes de estímulos massivos. Enquanto isto, quem soube manter os pés no chão durante o momento de euforia colhe os frutos”, pondera Gustavo Cruz, estrategista da RB Investimentos.

Tendência deve ser mantida

Na opinião dos especialistas, a procura por mercados externos já é uma tendência que deve ser mantida. Isto devido à realidade do mercado brasileiro e também ao cenário de juros baixos.

“As pessoas terão cada vez mais que sair da zona de conforto e procurar alternativas para conseguir um retorno maior. A possibilidade de investir no exterior deixa os fundos focados nesse mercado mais atraentes”, diz Cruz.

Ele salienta que nenhum investidor vai querer ficar de fora das próximas grandes transformações pelas quais o mundo passará.

“Devemos ter na próxima década mais de 1,5 bilhão de pessoas entrando na classe média asiática, o envelhecimento da população americana e europeia, além da ascensão de empresas de tecnologia globais. Pensar que o investidor brasileiro vai ficar totalmente fora dessas ondas é muito ruim para quem deseja uma rentabilidade maior”, diz.

Necessidade de estar bem assessorado

A recomendação, no entanto, é que o investidor esteja bem assessorado. A falta de intimidade com o mercado externo e a realidade das empresas pode ser um empecilho.

“É improvável que um brasileiro tenha o mesmo know-how de quem está lá fora e acompanha o mercado há anos”, acredita Collazo.

Optando por entrar no exterior via fundo, o investidor terceiriza a escolha da estratégia e as decisões a um profissional. “A indústria brasileira de gestores tem muitos talentos”, afirma Cruz. Contar com este suporte pode ser a segurança necessária a quem tem a intenção de cruzar fronteiras.