Fundos de inflação: ainda vale investir?

Ronaldo Araújo
Ex-assessor de investimentos agora atuante no marketing digital; habilidades em produção de conteúdo, copywriting e gestão de tráfego pago, com proficiência no gerenciador de negócios do Facebook e campanhas no Google Ads.
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Crédito: Divulgação

Com a alta de preços, será que os fundos de inflação ainda valem a pena? Em quatro anos, a Selic recuou de 14,25% (2016) para 2,00% (2020). Em 2021, os juros retomaram a trajetória de alta, ainda que tímida.

A queda dos anos anteriores se deu porque o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) definiu pela queda da taxa na maioria dos encontros. A iniciativa comprometeu a alta rentabilidade do passado de investimentos em renda fixa.

Assessor de investimentos, Elias Wiggers explica que os títulos públicos e privados adquiridos antes de 2017 estão se valorizando por conta da precificação destes papéis. “Isso vale também para os fundos de inflação”, diz.

Segundo ele, a razão se dá pelo fato de os investidores conseguirem obter ágil ou deságio mais vantajoso nestes ativos. O primeiro é a diferença de cotação entre o valor das moedas de dois países. Já o segundo é a diminuição do valor de um título sobre seu preço de mercado.

“Esse benefício ocorre exclusivamente no mercado secundário e são mais comuns em ativos pré-fixados ou atrelados à inflação, a exemplo do IPCA+ (Índice de Preços ao Consumidor Amplo)”, frisa.

Qual é a diferença entre mercado primário e mercado secundário?

Os títulos públicos e privados são negociados originalmente no mercado primário, ou seja, quando as empresas ofertam estes ativos pela primeira vez. Em um segundo momento, eles passam a ser comercializados pelos participantes do mercado, como as corretoras que intermediam os investidores. Este é o mercado secundário.

“Em 2019, os papeis atrelados à inflação dispararam e muita gente aproveitou para surfar essa onda. As pessoas viram seus fundos de inflação valorizarem acima da média frente aos demais produtos de renda fixa, assim como aqueles atrelados ao tesouro”, lembra.

Como exemplo, ele cita as Notas do Tesouro Nacional B (NTN-B) que costumam pagar juros acima da inflação. Seus prazos alcançam até 30 anos e seus contratos são atrelados aos juros futuros.

“Quem define a Selic é o governo. Se ele optar por uma taxa menor, os preços dos contratos caem também, e aí o título de longo prazo [do governo] se rentabiliza no mercado secundário. É dessa forma que os rendimentos dos pré-fixados sobem quando os juros caem”, diz.

Quais são as expectativas para 2021?

De acordo com o consultor, em 2021 os investimentos atrelados ao CDI (Certificado de Depósito Bancário) devem gerar retorno na casa dos 4%. Isso porque os fundos de inflação deverão render de 6,5% e 8%.

No entanto, devido às novas diretrizes econômicas tomadas pelo governo em 2021 os rendimentos dos títulos ligados à inflação podem voltar a ser atraentes. Prova disso é o resultado da reunião mais recente do Copom.

No encontro de março de 2021, a taxa Selic voltou a subir após um longo período de quedas. Assim, os rendimentos dos títulos do Tesouro Nacional apresentarão melhor rentabilidade. O esperado é uma maior procura por esse tipo de ativo, o que pode valorizar ainda mais sua cotação por meio do mecanismo conhecido com marcação a mercado.