Fundos de crédito: Ritmo de resgates diminuiu, diz JGP

Natalia Gómez
Editora, é jornalista especializada no mercado de investimentos há 17 anos. Formada pela PUC-SP, teve experiências em veículos como Agência Estado, Valor Econômico e Revista Você SA; e na área de comunicação corporativa e relações públicas para instituições financeiras.

A debandada dos investidores dos fundos de crédito no início da pandemia derrubou o valor das cotas dos fundos de crédito. Ao mesmo tempo, as debêntures passaram a oferecer taxas muito mais atrativas para quem tivesse interesse em comprar. No entanto, este movimento está começando a se normalizar, segundo a gestora JGP.

Segundo relatório divulgado hoje pela gestora, existe uma possível tendência de moderação no movimento de resgates. Isso porque a média diária de resgates na última semana de abril foi de R$ 345 milhões por dia, abaixo da primeira semana do mês, quando foram resgatados R$ 659 milhões por dia.

De acordo com a gestora, o movimento mais intenso de venda de debêntures deve perder a força durante maio.

Durante o mês de abril, no entanto, o volume de resgate dos fundos de crédito continuou elevado. Foram R$ 9,1 bilhões no mês, ante R$ 9,7 bilhões em março e R$ 1,5 bilhão em fevereiro.

A avaliação é de que a primeira leva de vendas se concentrou nas debêntures mais líquidas. Estas debêntures são aquelas emitidas por empresas de ratings mais elevados.

Justamente por serem ativos de boa qualidade, a alta das taxas tem atraído compradores de volta para este mercado. Por isso, a JGP avalia que os spreads não devem voltar aos patamares observados no final de março.

Taxas atrativas no crédito privado

Em abril, os spreads superavam 450 pontos base (bps) para emissores defensivos, de acordo com o relatório. De acordo com o relatório, os spreads chegaram ao pico de 500 bps em 8 de abril.

Já no final de abril, os spreads para emissores mais defensivos ficaram abaixo de 350bps. A redução ocorreu devido à expectativa de o Banco Central atuar como comprador neste mercado.

JGP foi às compras em abril

Aproveitando este movimento de melhores taxas, a gestora JGP foi às compras em abril.

Segundo relatório, a preferência foi por comprar debêntures emitidas por empresas de altos ratings. A JGP também preferiu empresas com posições dominantes em seus respectivos mercados ou inseridas em mercados mais resilientes à desaceleração esperada para 2020.

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Na hora da escolha, a gestora deu preferência a empresas com balanços sólidos, mesmo que o resultado da operação para este ano não seja tão positivo. “Nesse momento, flexibilidade de balanço fala mais alto do que perspectivas de resultados para o ano”, destacou.

Para a gestora, o acesso a linhas de crédito sinalizam quais empresas serão potenciais sobreviventes (e eventualmente consolidadores) na era pós-COVID.

Entre as compras de abril, a JGP citou títulos de crédito privado da Natura, das Lojas Americanas e de rodovias “maduras” como a Rodovia das Colinas e a holding Ecorodovias Concessões.

A maioria destes ativos foi adicionado à carteira na primeira quinzena de abril.