Fundos de crédito com prazo de resgate longo ficam mais atrativos

Natalia Gómez
Editora, é jornalista especializada no mercado de investimentos há 17 anos. Formada pela PUC-SP, teve experiências em veículos como Agência Estado, Valor Econômico e Revista Você SA; e na área de comunicação corporativa e relações públicas para instituições financeiras.

Os fundos de crédito privado com prazos de resgate mais longos estão ganhando mais atratividade neste momento. Para quem pretende investir neste tipo de fundo, pode ser interessante abrir mão da liquidez para conseguir retornos mais atrativos.

Em entrevista exclusiva para o site Eu Quero Investir, o head de distribuição da gestora ARX Investimentos, Paulo Bokel, explicou que este fenômeno começou em março, quando os prêmios pagos pelos títulos de crédito privado aumentaram com a crise. A queda da Selic contibuiu para este movimento.

Dúvidas sobre como investir? Consulte nosso Simulador de Investimentos

Com a queda da taxa de juros, o caixa destes fundos começou a pesar mais nos resultados, beneficiando os fundos com prazo de resgate mais longo, que têm caixas menores. Entenda o que está acontecendo neste mercado:

O peso do caixa

Os fundos de crédito privado investem em diversos títulos de crédito emitidos por empresas, como as debêntures. Mas além destes ativos, os fundos compram títulos públicos e fazem operações compromissadas cuja rentabilidade acompanha o CDI.

O objetivo destes ativos atrelados ao CDI é funcionar como uma reserva de segurança. Desta forma, os fundos podem honrar os resgates pedidos pelos cotistas a qualquer momento sem precisar vender uma grande parte dos seus ativos. Na indústria, esta parcela de investimentos conservadores é chamada de “caixa”.

Uma das formas mais eficientes de identificarmos o nosso perfil de investidor, é realizando um teste de perfil.

Você já fez seu teste de perfil? Descubra qual seu perfil de investidor! Teste de Perfil

Quanto maior o prazo, menor o caixa

Quanto maior o prazo de resgate dos fundos, menor é a necessidade de caixa. Isso porque o gestor tem mais tempo para honrar os resgates pedidos pelos cotistas. No caso da ARX, por exemplo, o fundo ARX Denali FIRF CP tem prazo de resgate D+1 (um dia após solicitação de resgate). O caixa representa 30% do fundo.

Já o fundo Everest FIC FIRF CP tem apenas 10% de caixa, pois seu prazo de resgate é D+60.

Com a queda da Selic (e do CDI), o caixa de todos os fundos está rendendo menos. Nos fundos que têm mais caixa, este impacto é maior.

“Para quem está investindo no longo prazo, vale mais a pena investir no fundo D+60, pois ele vai ser mais rentável. Esta diferença ficou mais gritante”, explica Bokel.

Planilha de ações: baixe e faça sua análise para investir

Além da Selic

Não foi apenas a queda da Selic que favoreceu os fundos com prazos de resgate mais longos. Outro fator foi o aumento nas taxas pagas pelos títulos de crédito privado.

Com a pandemia, os fundos de crédito sofreram uma debandada dos investidores. Sem compradores para debêntures, as taxas pagas por estes papéis aumentaram bastante.

Enquanto os fundos de crédito tinham retornos de CDI mais 1% antes da crise, os retornos chegaram a bater CDI mais 4% no auge da crise. Agora, os retornos estão em CDI mais 3%, em média, conforme mostra o gráfico abaixo.

Uma vez que o prêmio dos títulos cresceu, o peso relativo do caixa no resultado dos fundos ficou maior.

Mercado está normalizando

Para os investidores que têm recursos para investir agora, os fundos de crédito continuam bastante atrativos. No entanto, a tendência é que este mercado se normalize, pois os resgates estão diminuindo.

Segundo relatório divulgado pela gestora JGP, existe uma tendência de moderação no movimento de resgates. Isso porque a média diária de resgates na última semana de abril foi de R$ 345 milhões por dia, abaixo da primeira semana do mês, quando foram resgatados R$ 659 milhões por dia.

De acordo com a gestora, o movimento mais intenso de venda de debêntures deve perder a força durante maio.

Durante o mês de abril, no entanto, o volume de resgate dos fundos de crédito continuou elevado. Foram R$ 9,1 bilhões no mês, ante R$ 9,7 bilhões em março e R$ 1,5 bilhão em fevereiro.

Um dos motivos que ajudou o mercado a se acalmar foi a possibilidade de o Banco Central atuar como comprador no mercado secundário. Até o momento, o mercado não notou uma atuação direta da instituição, mas a mera possibilidade de intervenção ajudou a trazer mais confiança, segundo Bokel.

Conheça os benefícios de se ter um assessor de investimentos