Fundos de ações: você sabe diferenciar todos os tipos?

Ronaldo Araújo
Ex-assessor de investimentos agora atuante no marketing digital; habilidades em produção de conteúdo, copywriting e gestão de tráfego pago, com proficiência no gerenciador de negócios do Facebook e campanhas no Google Ads.
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Crédito: Divulgação

Desde o ano de 2015, a classificação dos fundos de ações mudou. Por meio da Instrução 555/14, a Anbima elaborou uma nova divisão para todas as classes de fundos de investimentos, inclusive o de ações.

Neste artigo, você poderá saber melhor quais são essas novas divisões e como o novo sistema foi estruturado. Lendo o texto, você estará mais informado e, consequentemente, terá a aptidão necessária para montar uma carteira com os melhores fundos de ações do mercado.

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Porque foi emitida uma nova classificação de fundos?

Ao contrário do que muitas pessoas podem pensar, a indústria de fundos é dinâmica e versátil. Isso significa que sempre existem mudanças e os novos produtos que são lançados acabam sendo incorporados pelos fundos por meio do investimento de seu patrimônio líquido.

Ademais, a sofisticação das novas formas de investir exige constantes modernizações. Foi assim que a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais ― Anbima ― promoveu um amplo debate junto aos participantes do mercado para reformular a classificação de fundos, de modo que atendesse a demanda global sem perder as características do mercado brasileiro.

Essa nova divisão da indústria de fundos no Brasil visa atender os mais diferentes interessados no tema. Podemos citar como exemplos de públicos-alvo todos os profissionais envolvidos com a gestão de fundos, planejadores financeiros, investidores, impressa e demais agentes financeiros.

Como é a estrutura de classificação atual?

A classificação vigente desde julho de 2015 divide os fundos de investimento em três níveis. A intenção com essa divisão é proporcionar um melhor processo decisório no momento de compor uma carteira. Dessa forma, é possível considerar fatores como grau de exposição ao risco e tempo de aplicação para cada investidor.

Fonte: Anbima

O processo de decisão inicia-se por meio da consideração a respeito no apetito pelo risco de um investidor, suas eventuais restrições e os objetivos preteridos. A partir daí é possível saber em quais classes de ativos seu recurso pode ser alocado. Já a segunda etapa é mais específica, pois já é conhecido o mercado em que o investidor atuará.

Assim, de acordo com a classe de fundos escolhida, parte-se para a segunda segmentação. Ela versa a respeito das subdivisões possíveis a cada mercado, considerando os tipos de gestão existente para cada um deles.

Por fim, chega-se ao nível das estratégias. De acordo com as escolhas feitas anteriormente, é possível subdividir a alocação de acordo com o modo de investimento disponível a um determinado fundo. Veremos a seguir quais são as opções disponíveis especificamente para a classe de fundos que investe em ações.

Como os fundos de ações estão classificados?

Para ser possível entender a segmentação explicada ao longo do texto a partir de agora, é necessário considerar que a classe de ativos escolhida no nível 1 foi a de ações. Portanto, toda a explanação a partir daqui é referente apenas aos fundos dessa classe.

Para ser tido em tal classificação, um fundo precisa manter ao menos 67% de seu patrimônio aplicado em ações à vista, recibos de subscrição, bônus, certificados de depósito de ações, dentre outros. A imagem a seguir deixa claro as subdivisões existentes para os fundos de ações.

Fonte: Anbima

Nível 2: Tipos de gestão

Esse é o nível de classificação no qual são feitas as divisões baseadas na modalidade de gestão do fundo. A depender da classe definida no primeiro nível, a gestão pode ter características específicas, como é o caso dos fundos de ações. Acompanhe.

Indexado

Esse tipo de gestão também é conhecida como “passiva”. Seu objetivo é acompanhar algum indicador, como o Ibovespa por exemplo. O restante do recurso do fundo precisa ser aplicado em ativos de renda fixa com grau de duração baixo para que a gestão possa ser considerada como tal.

Ativo

Já essa modalidade de gestão tem a característica de buscar superar um índice ao invés de apenas acompanhá-lo. Ou ainda, se o fundo não fizer nenhuma referência a qualquer indicador, ele também é tido como de gestão ativa.

Específicos

Os fundos com gestão específica levam esse nome porque a constituição de suas carteiras é bastante específica. De fato, existem três subdivisões possíveis a essa categoria em relação ao nível seguinte, o da estratégia: fundos fechados de ações, fundos mono ação e fundos de ações FMP-FGTS.

Investimento no exterior

Como o próprio nome remete, fundos com esse tipo de gestão fazem alocação significativa de seu PL em ativos de mercados exteriores ao Brasil. Para se enquadrar nessa categoria, um fundo deve aplicar ao menos 40% de seus recursos em mercados estrangeiros.

Nível 3: Estratégia

Em relação à estratégia adota pelos fundos de ações, as classificações mais pertinentes dizem respeito aos fundos de gestão ativa. Os outros tipos de gestão são simplificados e por isso não serão explicados aqui. Acompanhe.

Valor/crescimento

Os fundos de ações dessa categoria buscam investir seus recursos em empresas com bons fundamentos econômicos. Essas organizações tendem a apresentar grande capacidade de crescimento e, com isso, gerar mais valor para todos. Existe ainda a prerrogativa de encontrar empresas que estejam sendo negociadas abaixo de seu valor preço considerado justo.

Dividendos

Os fundos dessa modalidade procuram investir em empresas com sólida tradição de distribuição de dividendos ao longo do tempo. Pode ser ainda que o gestor tenha a visão de aportar capital em organizações que apresentem esse potencial de gerar retorno ao patrimônio do fundo.

Sustentabilidade/governança

Aqui a gestão se preocupa em comprar ações de empresas que têm bons índices de sustentabilidade empresarial que podem ser constatados por meio de uma boa governança corporativa. Cabe frisar que os critérios para seleção das empresas devem ser claramente demonstrados na política de investimentos do fundo.

Small caps

A regra para os fundos classificados como sendo de “small caps” é que pelo menos 85% de seu PL seja investido em empresas excluídas das 25 maiores participações do índice IBrX. Traduzindo para o bom português, as companhias precisam apresentar baixa capitalização de mercado. Vem daí sua denominação.

Índice ativo

Conforme foi explicado, os fundos de gestão ativa podem ser descolados de qualquer índice de referência, não o adotando. Outra possibilidade é que eles busquem superar algum índice. Para essa última condição atribui-se a categoria de índice ativo, indicando seu objetivo de apresentar melhores resultados que o benchmark escolhido.

Setoriais

São chamados de setoriais todos os fundos que têm como opção o investimento em um setor específico da economia. Ou ainda quando as aplicações são feitas apenas em setores que têm afinidade dentro de um determinado espectro econômico.

Livre

Finalmente temos os fundos de categoria livre. Nessa modalidade não há obrigatoriedade de aplicações em nenhuma especificidade. A parcela restante aos 67% obrigatórios em ações podem ser investidas livremente conforme a política de investimentos do fundo.

Conforme pode ser observado, existem diferentes categorias de fundos de ações. Com a nova classificação da Anbima, o espectro ampliou-se bastante e as escolhas podem ser muito mais refinadas quando comparada à divisão antiga. 

Para você que ainda não se sente confortável em escolher sozinho os fundos de ações nos quais aplicará, a EQI Investimentos oferece apoio especializado por meio dos assessores de investimentos. Entre em contato e saiba mais!