Fundo soberano da Arábia Saudita investe US$ 8 bi em plena pandemia

Paulo Amaral
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Crédito: Reprodução / Pixabay

O fundo soberano da Arábia Saudita parece não ter se incomodado com a pandemia de coronavírus que quebrou a economia mundial.

Segundo informações da AFP, o investimento do Fundo de Investimento Público (PIF) em plena pandemia de coronavírus atingiu impressionantes US$ 8 bilhões.

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O governo chegou a triplicar o Imposto Sobre Valor Agregado, suspender subsídios e reduzir despesas para retardar a explosão do déficit orçamentário, mas, graças à riqueza do petróleo, mesmo com a baixa dos preços, foi possível dar ao povo um modo de vida confortável. E sem impostos.

Da Boeing ao futebol inglês

A diversificação também chamou a atenção, com investimentos pesados em empresas gigantescas, como Boeing ou Facebook.

“Não vamos deixar de aproveitar uma crise”, afirmou Yasir al Rumayyan, governador do PIF, em abril, confirmando que o fundo – de US$ 300 bilhões – aproveita a desaceleração da economia para comprar ações a preços baixos.

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Boeing, Facebook, Total, Walt Disney, Starbucks, Marriott, Citigroup: no primeiro trimestre de 2020, o órgão público saudita comprou US$ 7,7 bilhões em ações.

O PIF também apoia um projeto para comprar o clube de futebol britânico do Newcastle United por US$ 372 milhões.

Sentimentos distintos

O alto investimento do fundo gerou sentimentos distintos na Arábia Saudita. Felicidade para as empresas que foram agraciadas e um pouco de “revolta” na população.

“As empresas estão felizes com a compra de suas ações e com o aumento dos preços”, afirmou à AFP Karen Young, pesquisadora do American Enterprise Institute.

O príncipe herdeiro Mohamed bin Salman transformou o PIF em um instrumento poderoso para diversificar a economia desse país, ultradependente do petróleo.

O organismo alega “buscar ativamente oportunidades estratégicas, na Arábia Saudita e no resto do mundo, com forte potencial para gerar benefícios a longo prazo”.

Alguns desses investimentos “táticos” estão alinhados com o objetivo de desenvolver os ainda incipientes setores de turismo, ou lazer, estima Ali Shihabi, especialista saudita.

O contraponto pôde ser visto nas ruas. Em Riade, os comerciantes se perguntam por que essas quantias não foram usadas para apoiar pequenas e médias empresas, afogadas pela pandemia.

“Um clube de futebol, diversões, megaprojetos… Jogar dinheiro assim é absolutamente inútil nestes tempos de austeridade”, lamentou um funcionário público, também motorista de táxi em período parcial, para melhorar o final do mês.

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