Fundo de renda fixa: o que é e como investir?

Ronaldo Araújo
Ex-assessor de investimentos agora atuante no marketing digital; habilidades em produção de conteúdo, copywriting e gestão de tráfego pago, com proficiência no gerenciador de negócios do Facebook e campanhas no Google Ads.
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Crédito: Freepik / Freepik

Existem diversas possibilidades de aplicação no mundo dos investimentos. Entre os diferentes mercados existentes, um deles se destaca pelo seu tamanho: é o maior do mundo. Estamos falando do mercado de renda fixa, que também pode ser alcançado escolhendo-se fazer aportes por meio de fundos dessa natureza. São excelentes opções em uma vasta gama de cenários.

Por essa razão, trouxemos este artigo até você. Nele, você encontrará informações que lhe darão subsídio para aportar recursos em um fundo de renda fixa sempre que achar conveniente. Por meio da leitura, você saberá quais são os tipos existentes e, por tabela, saberá quando usar cada um conforme sua necessidade. Por fim, você conhecerá os riscos associados a esse tipo de investimento. Confira!

O que é um fundo de renda fixa?

Um fundo de investimento é um veículo por meio do qual é possível fazer aplicações no mercado financeiro sem necessariamente ser o responsável pela gestão dos ativos. Em termos práticos, significa que não é o investidor de um fundo que escolhe os ativos. O gestor profissional é o responsável.

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No caso de fundos de renda fixa, alguns pré-requisitos devem ser considerados para que o mesmo se enquadre nessa classificação. São tidos como renda fixa os fundos que aplicam pelo menos 80% de seu patrimônio líquido em títulos dessa natureza. Os outros 20% podem ser aplicados em derivativos. A ideia principal da alocação dessa pequena porcentagem é aumentar os ganhos por meio de alavancagem quando a Selic – taxa básica de juros – estiver em patamares baixos.

A diversidade de títulos que podem compor o maior percentual do fundo é grande. Assim, podem fazer parte dessa fatia os títulos públicos negociados via Tesouro Direto, as debêntures (inclusive as incentivadas), os CDB’s bancários, CRI’s, CRA’s e quaisquer papéis que se enquadrem como sendo de renda fixa.

Qual é o tamanho desse mercado?

A renda fixa é o maior mercado do mundo. Ainda que se fale bastante da fantástica possibilidade de ganhos dos mercados de risco, o fato é que muito do capital mundial encontra-se em “terrenos” seguros. Sim, eles estão aplicados em títulos de baixo risco que visam a preservação de capital.

Isso pode ser constatado na indústria de fundos brasileira. Dados da Anbima – Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais –  mostram que de todo o dinheiro investidos em fundos na nação, mais de 36% estão alocados em renda fixa. E isso representa a maior parte do volume total de recursos que ultrapassa a marca de R$ 5 trilhões. Os dados passam por atualizações diárias e podem ser consultados aqui.

Quais são os tipos de fundos de renda fixa existentes?

Acompanhe a seguir as categorias de fundos de renda fixa disponíveis no mercado brasileiro.

Curto prazo

Como o nome sugere, os fundos de renda fixa de curto prazo só podem negociar títulos de renda fixa que tenham vencimento próximo. Ou seja, nada de vencimentos longos. Dessa forma, entram nessa conta todos os papéis com vencimento máximo de 375 dias. Ainda assim, o prazo médio de vencimento de títulos da carteira deve ser menor que 60 dias.

Longo prazo

Em contrapartida, os fundos de renda fixa da classe longo prazo devem negociar apenas títulos com vencimento superior a 375 dias. Isso proporciona maior flexibilidade ao gestor do fundo que pode fazer programações mais dispersas. No entanto, aumenta um pouco o risco também. Isso porque o fundo se compromete com investimentos de maior prazo. A recompensa dessa exposição está na possibilidade de auferir maiores rendimentos.

Simples

Esses fundos têm a prerrogativa de incentivarem  formação de uma reserva com rentabilidade melhor que a da poupança. A prioridade é a segurança e baixa volatilidade. Assim, esses fundos são obrigados a investirem 95% de seu patrimônio em títulos públicos. O porcentual também pode ser aplicado em instituições financeiras com o mesmo nível de risco de crédito que o Tesouro Nacional. Não podem fazer investimento no exterior nem em títulos privados.

Crédito privado

O fundo de renda fixa de crédito privado se opõe ao tipo de fundo explicado anteriormente. Para que seja classificado nessa categoria, deve aplicar pelo menos 50% do seu patrimônio em títulos emitidos pela iniciativa privada. Os ativos podem ser debêntures incentivadas e CDBs de bancos privados.

Referenciado

Esses fundos são assim chamados por sua obrigatoriedade de acompanhar um determinado benchmark. Seguem esta referência para buscar a rentabilidade do fundo. Por exemplo, pode ser o CDI ou mesmo o IPCA. Por essa razão, os veículos também são conhecidos como fundos DI. Eles devem aplicar 95% do patrimônio em títulos indexados ao índice escolhido. Além disso, devem manter 80% investidos em títulos públicos ou privados de baixo risco.

Dívida externa

Os fundos de renda fixa baseados em dívida externa são os mais atípicos entre todos as categorias. Eles devem manter no mínimo 80% de seus recursos investidos em títulos do tesouro nacional que estejam vinculados à dívida externa do país.

Quais são os principais riscos associados a um fundo de renda fixa?

Ao contrário do que muitos pensam, existem riscos associados ao mercado de renda fixa sim. Apesar de serem aplicações conservadoras, fatores externos podem afetar o desempenho de seu rendimento, entre outras considerações também.

Um ponto a considerar é o sempre presente risco de crédito. Ele se traduz na prática na impossibilidade de uma determinada instituição honrar com os compromissos feitos no passado. Com isso a dívida contraída não seria paga e o título não retornaria o valor investido. Outros possíveis fatores externos podem estar ligados ao risco de inflação, bem como ao risco associado à taxa de juros do país.

Há que se considerar também os riscos inerentes a operação em si. Um exemplo disso é o risco de liquidez. Sair antecipadamente de um título requer que exista essa possibilidade e muitas vezes é necessário pagar uma espécie de “pedágio” para que isso aconteça. Dessa forma, parte dos lucros esperados podem ser subtraídos no momento do resgate.

Em resumo, os fundos de investimento em renda fixa são uma excelente opção para manter a preservação do capital já acumulado, especialmente quando a economia de um país passa por momentos turbulentos. Para muitas pessoas, esses veículos de aplicação financeira podem representar um verdadeiro porto seguro. Eles também são muito bem-vindos em situações nas quais é planejado uma futura sucessão patrimonial, pois o risco de desvalorização do capital é bastante atenuado quando estão aplicados em fundos dessa natureza.