Fundadores da Linx (LINX3) recebem autorização da CVM para votar em AGE

Regiane Medeiros
Economista formada pela UFSC. Produz conteúdo na área de mercado de capitais, finanças pessoais e atualidades.
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Crédito: Divulgação/Linx

A Linx (LINX3) comunicou na noite de sábado, 14, que a CVM indeferiu o pedido de adiamento de sua assembleia extraordinária convocada para o próximo dia 17 de novembro.

Além disso, a Linx informou que o colegiado da Instituição deferiu o recurso apresentado pelos acionistas fundadores Nércio José Monteiro Fernandes, Alberto Menache e Alon Dayan.

Segundo entendimento da CVM, o caso não se trata de hipótese de benefício particular e tampouco de conflito de interesses, que justifique o impedimento de voto por parte dos fundadores da Companhia.

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Diante disso, os acionistas fundadores não estariam impedidos de votar na AGE nas deliberações relacionadas à operação com a STNE Participações.

Dessa forma, a Linx confirmou que fica mantida a AGE convocada para 17 de novembro, sendo que os acionistas fundadores Nércio José Monteiro Fernandes, Alberto Menache e Alon Dayan estarão aptos a votar.

A decisão do colegiado da CVM reverte entendimento divulgado em outubro segundo a qual os fundadores não poderiam votar.

Entenda o caso

A Linx (LINX3), plataforma de software para o varejo, está no centro de uma disputa que tem mexido com o mercado nos últimos dias.

Não conhece a empresa? Ela detém 45% do mercado de sistemas de gestão para o setor varejista. Entre seus princpiais clientes estão nomes como Boticário, Natura, Centauro, Tok&Stok, Ipiranga e Drogaria São Paulo.

No momento, a Linx tem na mesa duas propostas de fusão: uma da Stone e outra da Totvs.

“A Linx é uma ‘noiva’ bastante disputada faz tempo”,  diz Fabricio Winter, sócio e líder de projetos na consultoria Boanerges & Cia, especializada em varejo financeiro. “Isso porque, no negócio de automação comercial, de frente de caixa para o setor varejista, quando você tem uma solução muito bem amarrada, como é o caso, muito dificilmente o cliente troca de fornecedor.”

Segundo Winter, ao adquirir a Linx, tanto Stone quanto Totvs apresentariam aos seus clientes atuais e potenciais um portfólio de produtos muito mais atraente.

Operação Stone x Linx

A Linx assinou em primeiro de setembro de 2020 com a STNE Participações e a StoneCo um aditivo ao acordo de combinação de negócios que tinha sido anunciado em 11 de agosto.

No aditivo foi elevado o valor de resgate das ações aos acionistas da Linx pela STNE se o negócio for aprovado.

Assim, após a incorporação das ações da Linx e resgate das ações preferenciais Classes A e B da STNE, cada ação da Linx receberá uma parcela em dinheiro de R$ 31,56, e 0,0126774 ações classe A de StoneCo, negociadas na Nasdaq.

Com base na cotação de fechamento do dia 31 de agosto de 2020, essa relação de troca corresponde a um valor por ação da Linx de R$ 35,10, informa o documento. Anteriormente era de R$ 33,76.

Desta forma, o valor a pagar pela Stone passaria de R$ 6,044 bilhões para R$ 6,283 bilhões.

Resultado 3TRI da Linx

A Linx (LINX3) registrou um lucro líquido de R$ 3,03 milhões no terceiro trimestre de 2020. No mesmo trimestre do ano anterior, a Companhia havia reportado lucro de R$ 19,58 milhões.

Já no acumulado de 2020, a Linx recuou 78,1% sobre o terceiro trimestre de 2019, passando de R$ 37,42 milhões para R$ 8,18 milhões em 2020.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) foi de R$ 44,63 milhões, contra um Ebitda de R$ 40,11 milhões entre julho e setembro de 2019.

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