Bombardeio de mísseis iranianos atinge bases com tropas dos EUA no Iraque

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor

Mísseis iranianos atingiram, nesta terça-feira (7), bases onde estão instaladas tropas americanas no Iraque. O bombardeio foi divulgado primeiro pelas agências de notícias iranianas e depois confirmado pelas agências internacionais de notícias.

A Guarda Revolucionária do Irã assumiu a responsabilidade pelo lançamento. Teerã confirmou o ataque. E disse que “dezenas de mísseis foram lançados contra bases no Iraque”. O ataque é uma resposta do país ao bombardeio americano que matou, no último dia 2, o chefe da Guarda Revolucionária Qassem Soleimani em Bagdá.

Agências internacionais informam que o ataque envolveu até doze mísseis. Há relatos de mortos, ainda não confirmados oficialmente.

O governo iraniano divulgou  que os mísseis atingiram o interior das bases. E lembrou que, se os EUA responderam aos ataques, haverá uma “resposta ainda mais forte, dentro dos EUA”.

Trump responde

A Casa Branca disse estar “ciente dos ataques”. O presidente Donald Trump fez um post no Twitter a respeito do ataque iraniano. Disse que “está tudo bem, por enquanto”, e que os EUA têm o maior “poderio militar do planeta”. Trump avisou que fará um pronunciamento pela manhã desta quarta-feira (8) para falar sobre os bombardeios.

Fontes do Pentágono confirmaram que uma das bases americanas atingidas, a de Al Asad, no centro-oeste do Iraque, a 180 km de Bagdá, ficou “sob ataque de mísseis”. A outra base atacada é a de Erbil, no norte do país, região curda do Iraque. As duas abrigam tropas dos Estados Unidos. O país têm cerca de 5 mil soldados no Iraque

Outras fontes de segurança iraquianas confirmam que nove mísseis explodiram na base de Ain Al-Asad.

Primeiros relatos

Os primeiros relatos foram de que oito foguetes atingiram a base aérea de Al Asad, utilizada pelo Iraque e pelos Estados Unidos no país do Oriente Médio.

A secretária de imprensa Stephanie Grisham disse, na Casa Branca, que “o presidente está monitorando a situação de perto e consultando sua equipe de segurança nacional”.

Operação Mártir Soleimani

A base aérea de Al Asad fica na província de Anbar. Foi utilizada pela primeira vez pelas forças americanas após a invasão dos EUA em 2003, que derrubou o ditador Saddam Hussein. Em 2015, o local abrigou tropas americanas que foram ao Iraque combater o Estado Islâmico. Serviu de base também para a luta dos EUA contra o grupo na Síria.

De acordo com a agência de notícias AP, “a TV estatal iraniana disse que o nome da operação era ‘Mártir Soleimani’, em menção ao general iraniano Qassem Soleimani, morto no último dia 2 em ataque aéreo comandado pelos EUA.

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Segundo a agência AP, a divisão aeroespacial da Guarda, que controla o programa de mísseis do Irã, foi quem lançou o ataque. O governo Irã informou que divulgaria mais informações em instantes.

Base foi visitada por Trump

Essa base foi visitada pelo presidente americano Donald Trump em dezembro de 2018, e pelo vice-presidente Mike Pence, em novembro do ano passado.

Os ataques pesados de mísseis foram realizados pela Guarda Revolucionária Iraniana, de acordo com emissoras de TV do Irã. A base atingida acolhe soldados iraquianos e norte-americanos.

Outra base atingida

Informações dão conta também que a base de Al Anbar, também no centro-oeste do Iraque, foi atingida por mais de 30 mísseis iranianos.

O correspondente do Voice of America Military Affairs citou fontes dizendo que cerca de oito mísseis foram disparados conta base de Al Asad.

“Vingança começou”

Na rede de mensagens Telegram, integrantes do Hezbollah dizem que “a vingança já começou”. E há relatos de que explosões também são ouvidas em Erbil, cidade curda no norte do Iraque.

Outras bases

Sirenes de alerta foram ouvidas na base de Taji, no Iraque, ao norte de Bagdá, quando as notícias da Fars News Agency informaram que cinco foguetes foram disparados contra a base que hospeda soldados americanos.

O repórter do Curdistão 24, Barzan Sadiq, entretanto, tuitou que a base estava calma na noite de terça-feira e os relatórios indicaram que o ataque relatado pode ter sido um exercício.

As sirenes foram ouvidas logo depois no consulado dos EUA em Erbil, na região curda do Iraque, ter soado um alerta.

Embaixadas emitiram alerta

Diante das ameaças de retaliação do governo do Irã, embaixadas dos Estados Unidos ao redor do mundo emitiram, nesta terça (7), um alerta a cidadãos americanos que vivem fora do país para “manterem discrição” e “reverem planos de segurança pessoal”. O aviso foi publicado em sites de várias embaixadas, inclusive a do Brasil.

O país norte-americano está em estado de alerta depois que atacou e matou, na quinta-feira (2), o general iraniano Qassem Soleimani, chefe da da Guarda Revolucionária Islâmica e uma das figuras mais queridas e respeitadas do Irã. Ele era o segundo nome mais importante do país, depois do aiatolá Ali Khamenei – mais até do que o presidente Hassan Rouhani e que o chefe do parlamento, Ali Larijani.

O general estava em Bagdá, capital do Iraque, e foi morto com outras importantes patentes do país.

O comunicado

O comunicado do governo norte-americano via embaixadas diz que “há uma crescente tensão no Oriente Médio que pode resultar em riscos à segurança dos cidadãos dos EUA no exterior”.

A embaixada no Brasil segue a recomendação geral e pede aos cidadãos que vivem aqui fiquem alertas “sobre seu entorno” e “em locais frequentados por turistas”, e que tenham “documentos de viagem atualizados e facilmente acessíveis”. Além disso, a embaixada informa que “continuará analisando a situação de segurança e fornecerá informações adicionais conforme necessário”.

O mundo inteiro está em alerta. O mesmo comunicado aparece nos sites das embaixadas dos EUA nos principais países europeus: em Berlim, na Alemanha; em Londres, na Inglaterra; em Paris, na França; em Moscou, na Rússia; em Madri, na Espanha; e de outras, especialmente a de Jerusalém, em que um alerta de segurança foi publicado logo na segunda (6).

Retaliação

O secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Ali Shamkhani, revelou nesta terça-feira (7) que estão sendo identificadas formas para uma retaliação contra os Estados Unidos. Ele fala em “13 cenários de vingança”.