Ford (FDMO34) encerra produção de veículos no Brasil e fecha fábricas

Karin Barros
Jornalista com atuação nos dois principais jornais impressos da Grande Florianópolis por quase 10 anos. Costumo dizer que sou viciada em informação, por isso me encantei com a economia, que une tudo de alguma forma sempre. Atualmente também vivo intensamente o mundo da assessoria de imprensa e do PR.

Crédito: Reprodução site oficial Ford

Nesta segunda-feira (11) a Ford Motor Company (FDMO34) comunicou que vai encerrar a produção de veículos em suas fábricas brasileiras, localizadas em Camaçari (BA), Taubaté (SP) e em Horizonte (CE) ainda este ano.

Ficarão mantidos apenas o Centro de Desenvolvimento de Produto, localizado na Bahia, e o Campo de Provas e sua sede regional, ambos em São Paulo.

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As fábricas de Camaçari (BA), que produzia Ka e EcoSport, e Taubaté (SP), que fabrica motores e transmissões, serão fechadas imediatamente, reduzindo a produção às peças para estoques de pós-venda.

No último trimestre de 2021, será fechada também a planta da Troller, em Horizonte (CE).

A empresa afirma que irá trabalhar em colaboração com os sindicatos para “minimizar os impactos do encerramento da produção”.

Porém, cerca de 5 mil funcionários devem ser afetados na América do Sul. De acordo com o comunicado no site internacional da norte-americana, “a pandemia de Covid-19 amplificou a persistente capacidade industrial ociosa e a queda nas vendas, que resultaram em anos de perdas significativas”.

Vendas interrompidas

Com a decisão, os modelos nacionais terão suas vendas interrompidas assim que terminarem os estoques.

A partir disso, os veículos comercializados no mercado brasileiro passarão a ser importados, principalmente das unidades de Argentina e Uruguai, além de outras regiões fora da América do Sul.

Entre os próximos modelos já confirmados pela Ford, estão os novos Transit, Ranger, Bronco e Mustang Mach1.

“A Ford está presente há mais de um século na América do Sul e no Brasil e sabemos que essas são ações muito difíceis, mas necessárias, para a criação de um negócio saudável e sustentável”, disse Jim Farley, presidente e CEO da Ford.

“Estamos mudando para um modelo de negócios ágil e enxuto ao encerrar a produção no Brasil, atendendo nossos consumidores com alguns dos produtos mais empolgantes do nosso portfólio global”, completou.

Queda nas vendas em 2019

No ano passado, a Ford vendeu 119.454 automóveis, segundo dados da Anfavea.

O resultado representou uma queda de 39,2% na comparação com 2019.

A queda observada foi maior do que a registrada pelo segmento de automóveis. Em 2020, o tombo foi de 28,6%, para 1.615.942.

Fábrica em São Bernardo do Campo

Em 2019, como parte do seu plano de reestruturação global, a Ford encerrou a produção na fábrica de São Bernardo do Campo (SP).

Como consequência, a marca deixou de vender no Brasil o Fiesta, um de seus modelos de maior sucesso, e abandonou o mercado de caminhões no país.

Últimos números de 2020

A Ford foi a sexta montadora que mais vendeu automóveis em 2020, com 119.406 veículos emplacados (entre automóveis e comerciais leves), com 7,14% do total, segundo a Fenabrave.

A empresa perdeu espaço nos últimos anos, especialmente para a sul coreana Hyundai, que hoje é a quarta maior montadora do Brasil.

O Ford Ka é o seu modelo mais vendido no Brasil. Ele foi o quinto mais emplacado no Brasil em 2020, com 67.491 vendidos.

Impacto financeiro

Em decorrência desse anúncio, a Ford prevê um impacto de aproximadamente US$ 4,1 bilhões em despesas não recorrentes, incluindo cerca de US$ 2,5 bilhões em 2020 e US$ 1,6 bilhão em 2021.

Aproximadamente US$ 1,6 bilhão será relacionado ao impacto contábil atribuído à baixa de créditos fiscais, depreciação acelerada e amortização de ativos fixos.

Os valores remanescentes de aproximadamente US$ 2,5 bilhões impactarão diretamente o caixa e estão, em sua maioria, relacionados a compensações, rescisões, acordos e outros pagamentos.

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