Focus: pela nona semana, mercado reduz PIB; queda deve atingir 1,96% este ano

Osni Alves
Jornalista | osni.alves@euqueroinvestir.com
1

Crédito: Wikimedia

Soma de todos os bens produzidos pelo país, o PIB brasileiro deve recuar 1,96% este ano, segundo levantamento do Boletim Focus do Banco Central (BC).

A pesquisa é feita com agentes do mercado financeiro e a redução é a nona seguida. A projeção anterior indicava que o PIB cairia 1,18%.

O mercado também revisou para baixo a estimativa de inflação. O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) passou de 2,72% para 2,52% este ano e 3,5% em 2021.

focus_bc-mercado_pib_1

Já a projeção para o dólar mudou de R$ 4,50 para R$ 4,60 ao final deste ano e também aumentou de R$ 4,40 para R$ 4,47 para o próximo ano.

Apesar da nova queda, a previsão do mercado para a contração do PIB brasileiro em 2020 ainda está abaixo da divulgada neste domingo (12) pelo Banco Mundial, que estima um tombo de 5% para a economia brasileira.

focus_bc-mercado_pib_3

Os dados do Focus foram levantados na semana passada em pesquisa com mais de 100 instituições financeiras.

ta-e-ai

Economista-chefe do banco Modalmais, Alvaro Bandeira afirma que os mercados ainda vivem clima de feriado. “O final de semana foi mais longo para muitos países por conta da Semana Santa e hoje segue estendido em vários países, notadamente na Europa”, disse.

Quanto ao resultado do PIB, ele lembra que o Banco Mundial projetou que o Brasil possa encolher 5% em 2020, enquanto a América Latina reduziria em 4,6%.

“Para 2021, projetam Brasil crescendo 1,5% e América Latina com 2,6%. Ou seja, nos dois anos estaríamos pior que o conjunto latino”, frisou.

Já o Focus, conforme ele, veio mostrando dados de conjuntura piores como previsto, com o PIB encolhendo 1,96% em 2020, produção industrial em queda de 1,47% (anterior em +0,50%) e superávit comercial um pouco melhor em US$ 35 bilhões.

Bovespa, PEC e petróleo

Bandeira lembra, porém, que semana passada a Bovespa encerrou com boa recuperação de 11,7%, com o índice em 77.681 pontos, enquanto o Dow Jones observou valorização de 12,7% e Nasdaq com alta de 10,6%. “Aqui, o dólar fechou a semana cotado em R$ 5,094, em queda de 4,4%.”

Esse panorama por si só já dá um indicativo de investimentos por proteção, a exemplo de câmbio e ouro. Outros fatores devem movimentar a semana, como a PEC do Orçamento de Guerra, marcada para ir a votação hoje, o que torna o cenário ainda mais incerto.

Uma das formas mais eficientes de identificarmos o nosso perfil de investidor, é realizando um teste de perfil.

Você já fez seu teste de perfil? Descubra qual seu perfil de investidor! Teste de Perfil

E acrescenta: “no ano de 2020, a Bovespa ainda perde 32,8%, e no último pregão da semana passada fechou em queda de 1,20%. Os investidores começaram a nova semana preocupados com o acordo da Opep e os cortes na produção de petróleo.”

Isso porque a Organização acertou a redução da produção de 9,7 milhões de BPD e espera que outros importantes produtores cortem mais 3,7 milhões de BPD. Isso vigorará até junho, quando haverá nova reunião dos membros, dia 10, para avaliar.

“A princípio, os cortes seriam reduzidos progressivamente e levados até 2022. A Agência Internacional de Energia disse que irá comprar óleo para tornar os cortes ainda mais efetivos”, reforçou.

Dados irreais

Estrategista-chefe do grupo Laatus, Jefferson Latus afirma que esses dados do PIB são, por hora, irreais. Isso porque o país está mais propenso a atingir a queda inicada pelo banco Mundial, de 4% a 5 %.

“Esqueça qualquer crescimento este ano. Não há a menor possibilidade, até porque para a gente se recuperar disso vai levar muito tempo ainda. Então, é momento de ter os dois pés no chão, e entender que vai ser um ano de muita luta”, frisou.

Ele diz acreditar que o Brasil não atingiu, ainda, o pico da pandemia e que tem mais pela frente. “Estamos vendo a Europa cedendo um pouco, EUA ainda não chegou no ápice e tende a ficar mais um tempo fechado”, ressaltou.

E acrescentou: “aqui é a mesma coisa e ainda temos problemas políticos que podem fazer com que piorem a situação um pouco.”

Refúgio de investimento

Segundo ele, o melhor refúgio de investimento agora é se manter liquido. “Muitos investidores que têm grandes alocações estão migrando para carteiras mais seguras, como tesouro americano, ouro, alguns estão fazendo em dólar”, reforçou.

E disse mais: “Bolsa e renda variável está bem complicado. As pessoas acham que está barato, mas o barato está bem longe ainda.”

De acordo com Latus, o estrangeiro não está investindo no Brasil e em lugar nenhum. “Eles estão buscando proteção e estão aguardando o rumo que a economia global vai tomar, para, aí sim, voltar a tomar riscos e investir em emergentes”, concluiu.