FMI “receita” mais investimentos em vacinas para curar economia

Paulo Amaral
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Crédito: Gerd Altmann/PIxabay

O Fundo Monetário Internacional (FMI) parece ter aderido definitivamente à campanha “Vacina, sim”. Claro que não se trata do slogan que corre o Brasil, mas sim de um pensamento que ganha força sobre a necessidade da vacinação em massa como forma de reaquecer a economia.

Em seu mais recente relatório fiscal, divulgado nesta quarta-feira (7), o FMI alertou que a pandemia da Covid-19 continuará impactando a economia global e, com isso, aumentando a dívida dos países.

Ciente da bola de neve que está sendo criada, o órgão “receitou” aos países que aumentem os gastos para acelerar as vacinações, pois esse é o caminho mais curto para começar a normalizar as finanças dos governos.

Mais vacinas, PIB maior, diz FMI

Nas contas do órgão, as vacinações acelerando globalmente gerarão mais de US$ 1 trilhão em receitas fiscais entre as principais economias do mundo até 2025.

O FMI disse ainda que, se tal cenário se concretizar, o PIB mundial pode aumentar em US$ 9 milhões no mesmo período.

“A vacinação, portanto, paga a si mesma, proporcionando uma excelente valia para o dinheiro público investido no aumento da produção e distribuição global de vacinas”, argumentou o órgão.

“As políticas, portanto, terão que se tornar mais direcionadas para manter a capacidade de sustentar a atividade econômica durante este período incerto à medida que a corrida entre o vírus e as vacinas se desenrola”, pediu Gina Gopinath, economista-chefe do órgão.

Risco de instabilidade financeira ainda é alto

De acordo com a economista-chefe do FMI, apesar de as revisões terem, em média, melhorado, o risco de instabilidade financeira global ainda é alto, principalmente por conta das novas variantes do coronavírus.

Segundo ela, as compras de ativos financeiros pelos Bancos Centrais ao redor do mundo e os pacotes de estímulos ajudaram a prevenir um grande número de falências, mas as expectativas de inflação de médio e longo prazo “seguem ancoradas”.

“O aumento das vulnerabilidades no setor corporativo e não bancário pode colocar em risco a estabilidade financeira de médio prazo”, advertiu. “As condições financeiras ainda fáceis permanecem favoráveis, mas a volatilidade nos mercados financeiros e nos fluxos de portfólio apresenta riscos significativos. Os formuladores de políticas dos mercados emergentes podem enfrentar tempos difíceis pela frente, com espaço de política monetária mais restrito devido ao aumento da inflação, a menos que os efeitos colaterais positivos da economia global ressurgente assumam o controle”, finalizou.

Atualmente, a dívida pública mundial está prestes a bater um recorde histórico de 99% do PIB do planeta, depois de ter chegado a 97% em 2020.

Nas economias mais avançadas do planeta, o pico pode ser de 122,5% em 2021, contra 120,1% do ano anterior.