FMI prevê “década perdida” na América Latina por causa do coronavírus

Paulo Amaral
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Crédito: Freepik

A pandemia de coronavírus fará com que a década entre 2015 e 2025 seja perdida no que tange à economia da América Latina. Palavra do FMI.

Segundo Alejandro Werner, diretor para as Américas do Fundo Monetário Internacional, os países do bloco estão enfrentando a pior recessão dos últimos 50 anos e terão, somente em 2020, uma retração de 5,2% no PIB.

Em análise publicada no blog da agência, Werner projetou uma recuperação no PIB da América Latina e do Caribe para 2021 em torno de 3,4%, com crescimento médio de 2,7% entre 2022 e 2025.

Esse crescimento, no entanto, será insuficiente para apaziguar os efeitos devastadores da pandemia de coronavírus nos países da região.

“Mesmo neste cenário de rápida recuperação, a região enfrenta o espectro de outra ‘década perdida’ durante 2015 e 2025”, pontuou o diretor.

Em outras palavras, o que Werner quis explanar é que, em 2025, mesmo com o crescimento projetado pelo FMI, o PIB dos países da América Latina não terá crescido aos níveis de 2015.

O diretor do FMI observou que, dos quase 100 países que solicitaram financiamento de emergência do FMI para responder aos desafios econômicos e de saúde pública colocados pela pandemia, 16 são da América Latina e do Caribe.

A outra década perdida

Essa não é a primeira vez que os países da região ficam à beira de “perder uma década”.

Uma reportagem da AFP lembrou que a década de 1980 ficou conhecida mundialmente como “década perdida”, mas não por causa de uma pandemia de coronavírus, e sim devido à crise da dívida.

A matéria citou que, depois da liberalização dos anos 90, o boom nos preços das matérias-prima nutriu o crescimento regional entre 2000 e 2013.

Mecanismos de ajuda

Segundo Werner, uma forma de amenizar os efeitos da nova “década perdida” nas Américas está nas mãos dos governantes.

A ideia, de acordo com o diretor do FMI, é que os países usem serviços públicos e tudo o que for possível para ajudar a massa de trabalhadores informais, estimada em 60%.

Desta forma, na visão de Werner, seria possível obter recursos para alcançar empresas menores, trabalhadores e empresas informais com esses mecanismos de ajuda.

“Criem um espaço fiscal no orçamento, reduzindo gastos não prioritários e aumentando a eficiência dos gastos para combater o aumento significativo de déficits da dívida pública”, orientou.

Dica sobre a crise do petróleo

Werner usou o artigo publicado no blog para abordar até a crise do petróleo, que vem derrubando o preço do produto e causando intermináveis discussões entre Opep, Rússia, Arábia Saudita e demais países interessados.

Segundo o diretor do FMI, aumentar impostos sobre produtos petrolíferos pode ser uma saída interessante, desde que não afete o consumidor final.

“Para fornecer a receita adicional necessária para ajudar a financiar todas essas iniciativas, um aumento nos impostos sobre produtos petrolíferos no momento em que os preços mundiais são mais baixos pode ser apropriado, desde que os preços domésticos não subam para usuários os finais”.

Projeção para o Brasil

Segundo Alejandro Werner, o crescimento do PIB do Brasil para 2021, estimado em 2,9%, já era abaixo do esperado antes mesmo do início da pandemia de coronavírus.

De acordo com o diretor do FMI, o País deve continuar implementando as reformas estruturais após o término da pandemia, pois isso permitirá ao Brasil retornar ao caminho previsto pelo FMI antes do choque da Covid-19.

Werner deixou claro que a baixa previsão de crescimento “não tem nada a ver com o ambiente político”, que voltou a ficar bastante tenso após a pandemia de coronavírus ter início no País.


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