FMI calcula o trauma do setor de turismo com a Covid-19

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
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Crédito: Reprodução / Ministério do Turismo

O Fundo Monetário Internacional (FMI) publicou nesta quinta-feira (20) um estudo sobre os impactos da Covid-19 no turismo internacional, dentro do seu Relatório do Setor Externo 2020.

A organização diz que a queda vertiginosa do turismo terá um impacto desproporcional nos países que dependem de viajantes estrangeiros, com efeitos potencialmente em grande escala nas contas nacionais de suas economias.

Bloqueios relacionados a pandemia, cancelamentos de voos e fechamentos de fronteiras, tudo vai no coração da economia de certos países.

Costa Rica, Grécia, Marrocos, Portugal e Tailândia podem estar entre os países mais atingidos, com perdas na receita do turismo superiores a 3% do PIB.

O gráfico mostra os impactos diretos do turismo nas importações, exportações e saldos da conta corrente.

Isso em um cenário que prevê reaberturas graduais em setembro, com uma queda de cerca de 70% nas receitas do turismo em 2020.

O saldo da conta corrente de um país é uma medida de suas transações totais – que inclui, mas não se limita, ao comércio de bens e serviços – com o resto do mundo.

Para algumas economias, uma queda no turismo (que é considerada uma exportação) pode ter um impacto sobre os saldos gerais em conta corrente.


Divulgação / FMI

FMI calcula o impacto

O turismo internacional está entre os setores mais atingidos pela crise. Não há dúvidas disso.

Durante os primeiros quatro meses de 2020, o turismo internacional encolheu 50% em relação ao mesmo período em 2019.

Voos internacionais e reservas de hotéis foram os mais afetados.

O impacto direto projetado no turismo nas balanças comerciais em 2020 dependerão criticamente do ritmo de recuperação do setor.

Contudo, isso é algo altamente incerto.

Mesmo com a suspensão gradual de restrições de viagens a partir de setembro, as receitas de turismo ficariam 73% abaixo de 2019.

O impacto direto na balança comercial iria variar de queda de 6% a 2% do PIB.

Dependentes do turismo

Por exemplo, na Tailândia, uma redução no turismo devido à Covid-19 poderia reduzir as exportações do país em 8 pontos percentuais do PIB.

Além disso, pode ter um impacto líquido direto de cerca de 6 pontos percentuais do PIB em seu saldo em conta corrente em 2020.

No final, poderia corroer parte do superávit geral de 7% em conta corrente que o país tinha em 2019.

Ou seja, não é um impacto a se desconsiderar.

“As perspectivas para nações menores e dependentes do turismo são ainda mais nítidas”, diz o FMI.

No gráfico acima, estão as economias de médio a grande porte.

Mas, no mesmo cenário, alguns estados menores que dependem especialmente do turismo podem ter um impacto direto dramaticamente maior em seus saldos comerciais e em conta corrente.

Ainda assim, o efeito geral que um declínio no turismo terá sobre os saldos em conta corrente pode ser menor do que impactos diretos projetados.

Países

Prevê-se que as perdas na receita do setor que excedam 2% do PIB sejam concentradas entre os grandes exportadores de turismo.

São países como Costa Rica, Egito, Grécia, Marrocos, Nova Zelândia, Portugal, Espanha, Sri Lanka, Tailândia e Turquia.

Espera-se que o aumento das balanças comerciais do turismo se espalhe de maneira mais uniforme entre os importadores líquidos de serviços de turismo.

As saídas de capital estrangeiro foram 20% por cento maior em economias com 20% exportações concentradas no turismo, em relação àquelas sem receitas turísticas.

Recuperação

Embora a incerteza seja alta, os efeitos nefastos sobre o turismo podem persistir até certo ponto em 2021.

E até mais.

Muito ainda se desconhece sobre o ritmo de recuperação do turismo em 2020.

O desejo e a capacidade das pessoas de viajar para o exterior podem continuar a enfrentar ventos contrários em 2021

A pandemia em curso impõe medo, deixando uma perspectiva incerta para o turismo em economias grandes e pequenas.

Junto com eventos culturais, talvez seja a indústria que vai se recuperar por último.

O turismo em economias menores

Economias menores e dependentes do turismo e até economias maiores com uma grande indústria de turismo podem ter efeitos colaterais.

Por exemplo, nações menores com menos recursos domésticos, geralmente dependem de mais importações para sustentar suas indústrias de turismo.

Uma queda nas exportações de turismo e na atividade econômica que ela impulsiona, tanto direta quanto indiretamente, levará a uma queda correspondente nas importações

E isso reduz o impacto geral sobre o saldo da conta corrente.

Ou seja, pode ser uma compensação.

Mas isso nos números econômicos.

O impacto gerado pelo desemprego e aumento da pobreza elimina qualquer compensação.

Segundo o FMI, o problema seguirá por toda a cadeia, até mesmo depois da recuperação da indústria.

Os países terão que mitigar tais efeitos colaterais de aumento da pobreza e déficit maior.