FMI: Brasil deve ter dívida bruta de 101% do PIB ainda em 2020

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
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Crédito: Divulgação / FMI

A dívida bruta do Brasil deve passar os 100% do Produto Interno Bruto (PIB) ainda em 2020, segundo o Monitor Fiscal divulgado nesta quarta-feira (14) pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).

A relação entre deve aumentar 11,9 pontos percentuais de 2019 para 2020.

Isso quer dizer que passa de 89,5% para 101,4%, com o gritante aumento de despesas, causada pela pandemia.

Além disso, a previsão do FMI é de que não há perspectiva de estabilização dessa relação até 2025, quando pode chegar a 104%.

Para o diretor do Fundo, Vitor Gaspar, a Covid-19 fez o governo ter que gastar mais.

Entretanto, reconhece a importância dos programas assistenciais.

“É muito importante reconhecer que a ajuda emergencial baseada em programas de transferência de renda ajudou 23 milhões de brasileiros a se manterem fora da pobreza”, disse.

Tendência mundial, segundo o FMI

Esse é um problema mundial.

Quase todos os países do mundo aumentaram suas despesas para poder ajudar a controlar a propagação do vírus.

O problema aqui é que o Brasil destoa dos seus pares emergentes, com piora nas projeções do próprio FMI.

Estamos apenas atrás de Angola, entre os emergentes.

“A Covid-19 no Brasil infelizmente está afetando milhões de pessoas”, ressaltou Gaspar. “Temos mais de 100.000 mortes para lamentar (são mais de 151 mil), mas deve-se reconhecer que a resposta das políticas macroeconômicas no país tem sido muito contundente e podemos identificar medidas fiscais discricionárias de cerca de 18% do PIB”.

“É uma das maiores, mesmo no contexto do G-20”, sublinhou.

“O déficit primário aumentou em nossas projeções cerca de 12% do PIB e a dívida pública aumentará para mais de 100% do PIB”, destacou.

Controle maior

Mesmo assim, o FMI lembra que o Brasil fez em 2019 uma “reforma previdenciária histórica”, segundo termos de Gaspar.

Antes da pandemia, o Brasil já havia entrado em um “ambicioso conjunto de reformas das finanças públicas”.

Elas incluem controle dos gastos do governo, eficiência tributária e descentralização de recursos fiscais.

“Esta agenda é uma agenda poderosa que realmente deve ser perseguida”, reforçou Gaspar, dando aval ao Teto de Gastos.

Expectativa do FMI

“Em nossas projeções, a dívida se estabiliza no médio prazo”, disse.

“E isso porque a taxa de juros vai ficar abaixo da tradição brasileira e o crescimento vai mesmo acelerar”, analisou Gaspar.

Ele ainda ressaltou que o Brasil é um caso “muito interessante” em que o trade-off entre o apoio fiscal no curto prazo está competindo com a estabilidade financeira, as condições de financiamento do tesouro e os riscos de rolagem.

A “saída é enfatizar a estabilidade das finanças públicas de médio a longo prazo”, disse.

Assim, no caso do Brasil, o Teto de Gastos tem um papel extremamente importante como âncora fiscal de longo prazo.

É o mesmo discurso que vem sendo defendido pelo ministro da Economia, Paulo Guedes.