FMI alerta que a inflação pode ser persistente, bancos centrais devem tomar medidas

Victória Anhesini
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie
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Crédito: Divulgação / FMI

O Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou nesta terça-feira (27) que há risco de que a inflação venha a ser mais do que apenas transitória. Ou seja, os bancos centrais serão pressionados a tomar medidas preventivas.

Os preços mais altos aumentam as chances de os bancos centrais começarem a conter suas políticas monetárias ultra-acomodatícias. Como, por exemplo, a redução dos estímulos amigáveis ao mercado e a compra de ativos.

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A entidade já havia apontado que, se os Estados Unidos continuasse ou aumentasse as políticas monetárias, poderia aumentar ainda mais as pressões inflacionárias e levar a um aumento das taxas de juros antes do esperado.

Recentemente, os investidores buscam entender se a alta do aumento dos preços ao consumidor veio para ficar. Nos EUA, o índice de preços ao consumidor atingiu 5,4% em junho, o ritmo mais rápido em quase 13 anos. No Reino Unido, a taxa de inflação atingiu 2,5% em junho, o nível mais alto desde agosto de 2018 e acima da meta do Banco da Inglaterra de 2%.

Já no Brasil, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), prévia da inflação oficial, ficou em 0,72% em julho.

Em geral, o FMI vê essas pressões de preços como transitórias. “A inflação deve retornar aos seus níveis pré-pandêmicos na maioria dos países em 2022”, disse o Fundo em sua última atualização do World Economic Outlook.

FMI

Fonte: FMI

“Disrupções de oferta mais persistentes e aumento acentuado dos preços das moradias são alguns dos fatores que podem levar a uma inflação persistentemente alta”, afirmou Gita Gopinath, economista-chefe do FMI, em postagem de blog.

Além disso, ela alertou que “a inflação deve permanecer elevada até 2022 em alguns mercados emergentes e economias em desenvolvimento, em parte relacionada às contínuas pressões dos preços dos alimentos e depreciações da moeda”.

Aumento da previsão do PIB mundial

De acordo com o FMI, a previsão de crescimento global continua em 6% para 2021, mas revisou suas expectativas para 2022.

Em vez de uma taxa do PIB de 4,4%, conforme previsto em abril, o Fundo agora vê uma taxa de crescimento de 4,9% no próximo ano.

“A elevação de 0,5 ponto percentual para 2022 deriva em grande parte da atualização prevista para as economias avançadas, particularmente os Estados Unidos. Isso reflete a legislação prevista de apoio fiscal adicional na segunda metade de 2021 e melhores indicadores de saúde de forma mais ampla em todo o grupo”, disse o FMI disse. Contudo, o panorama depende das campanhas de vacinação contra o Covid-19.

De acordo com Our World in Data, 13,81% da população global está totalmente vacinada contra Covid-19. Ainda, 13,46% está parcialmente imunizada.

No Reino Unido e no Canadá, mais de 54% de todos os cidadãos estão totalmente vacinados. Na África do Sul, esse número cai para 3,9% e no Egito para 1,57%.

PIB brasileiro cai em 2022

O FMI melhorou com força a perspectiva de crescimento do Brasil neste ano. A postagem cita a melhora nos termos das trocas comerciais do país, mas ao mesmo tempo reduziu a alta estimada para 2022.

Conforme o relatório, o Fundo passou a ver um crescimento do Produto Interno Bruto brasileiro de 5,3% em 2021, 1,6 ponto percentual a mais do que era estimado em abril. Entretanto, para 2022 a projeção de crescimento foi reduzida em 0,7 ponto, a 1,9%.

A melhora do cenário ajudou a levar a perspectiva para América Latina e Caribe a um crescimento econômico de 5,8% em 2021. O número é 1,2 ponto maior do que em abril. A previsão para a região em 2022, por sua vez, melhorou em apenas 0,1 ponto, a 3,2%.

“A melhora da projeção para a América Latina e Caribe resulta principalmente de revisões para cima no Brasil e México. É refletido resultados melhores do que o esperado no primeiro trimestre”, disse o FMI no relatório.