FMI afirma que recessão poderá ser mais aguda do que a da crise de 2008

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor

Crédito: Divulgação / FMI

A búlgara Kristalina Georgieva, diretora do Fundo Monetário Internacional (FMI), afirmou nesta sexta-feira (27) que a pandemia do novo coronavírus, o Covid-19, pode ser mais forte e aguda do que a registrada durante a crise financeira global de 2008 e 2009, causada pelos subprimes nos Estados Unidos.

“Já está claro que estamos numa recessão igual ou pior que a de 2009”, afirmou Georgieva, numa entrevista coletiva feita por vídeo na sede do FMI.

Para ela, recuperação só mesmo em 2021, desde que os governos tomem medidas acertadas e coordenadas.

“Uma grande preocupação sobre o impacto duradouro dessa paralisação brusca é com o risco de que a onda de demissões e de falências possam não só diminuir a recuperação, como erodir o tecido das nossas sociedades”, disse.

Países emergentes

Georgieva disse que há uma grande necessidade de financiamento dos países emergentes. Mais de 80 países já solicitaram assistência ao FMI.

Para ela, numa estimativa que considera “baixa e conservadora”, tais países precisarão de algo em torno de US$ 2,5 trilhões.

“Muitos desses mercados emergentes sofrerão uma contração quando as medidas de contenção necessárias cobrarem seu preço e sofrerão com choque da queda a demanda global por suas exportações”, analisou.

É por isso que reforçou que os governantes devem intensificar “agressivamente as medidas de confinamento”: “podemos reduzir a duração desta crise”, acrescentou.

Estados Unidos

A economista parabenizou o esforço norte-americano para socorrer a economia, que chegou a US$ 2 trilhões.

“É importante para o povo norte-americano. É também importante para o resto do mundo, dada a importância dos Estados Unidos”, considerou.

Além disso, ressaltou a importância da ação coordenada do G20, o grupo dos 20 países mais reicos do mundo, no combate à pandemia e aos seus impactos econômicos.

A diretora do FMI

Georgieva completa 67 anos em agosto e é a primeira pessoa de um país emergente a liderar o FMI. Ela entrou em setembro de 2019 no lugar de Christine Lagarde, que deixou o cargo para comandar o Banco Central Europeu.

A economista estudou política econômica e sociologia no Instituto de Economia Karl Marx em Sofia, na Bulgária, quando o país ainda estava sob um governo comunista.

Depois de se formar em 1976, ela estudou na London School of Economics (LSE), no Reino Unido.

Trabalhou também no Banco Mundial e na Comissão Europeia.

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