Fitch mantém perspectiva negativa para nota do Brasil

Marco Antônio Lopes
Editor. Jornalista desde 1992, trabalhou na revista Playboy, abril.com, revista Homem Vogue, Grandes Guerras, Universo Masculino, jornal Meia Hora (SP e RJ) e no portal R7 (editor em Internacional, Home, Entretenimento, Esportes e Hora 7). Colaborador nas revistas Superinteressante, Nova, Placar e Quatro Rodas. Autor do livro Bruce Lee Definitivo (editora Conrad)

Crédito: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

A agência de classificação de risco Fitch manteve negativa a perspectiva da nota da dívida pública brasileira. A decisão foi divulgada no início da tarde desta quinta-feira (27) e significa que a agência pode reduzir a nota do país nos próximos meses ou anos.

Desde maio do ano passado, a Fitch mantém o Brasil com perspectiva negativa. Atualmente, a agência concede nota BB- para o país, três níveis abaixo do grau de investimento, garantia de que o país não corre risco de dar calote na dívida pública.

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Em comunicado, a agência informou que a perspectiva negativa decorre de riscos para a consolidação fiscal (reequilíbrio das contas públicas) e a possibilidade de atraso na recuperação econômica, o que torna mais difícil estabilizar a dívida pública no médio prazo.

A Fitch também citou incertezas em relação ao avanço da pandemia de covid-19 no país e potenciais atrasos no processo de vacinação como fatores que reforçam a perspectiva negativa.

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Fitch: pressões dos gastos públicos

“As pressões dos gastos públicos persistem e suporte fiscal adicional para lidar com as consequências da pandemia não pode ser descartado. As contínuas fragilidades fiscais, assim como o encurtamento da dívida, tornam o Brasil vulnerável a choques”, destacou a Fitch no texto.

Além da alta necessidade de financiamento (grande necessidade de emitir títulos da dívida pública), o comunicado citou a rígida estrutura fiscal, o fraco potencial de crescimento e o cenário político difícil como fatores que afetam o avanço das reformas fiscais e econômicas.

Apesar de listar riscos, a agência destacou que existem fatores que sustentam a manutenção da nota em BB-. O comunicado citou as elevadas reservas internacionais do país, a taxa de câmbio flexível e a renda per capita (renda dividida pelo número de habitantes) maior que a de outros países com economias semelhantes.

No entanto, uma severa deterioração nas condições de empréstimo dos mercados doméstico e externo e uma grave diminuição das reservas internacionais poderão aumentar o risco de rebaixamento do país.

Fitch: estimativas

A Fitch projeta crescimento de 3,3% para o Produto Interno Bruto (PIB, soma dos bens e serviços produzidos) do Brasil neste ano e expansão de 2,5% em 2022.

Segundo a agência, o resultado deste ano será afetado pela fraca base de comparação em 2020 e por fatores externos como a recuperação do comércio global e a elevação do preço das commodities (bens primários com cotação internacional).

De acordo com a Fitch, o déficit nominal – resultado negativo das contas do governo incluindo os juros da dívida pública – deverá encerrar 2021 em 7,4% do PIB, depois de chegar a 13,7% em 2020. O comunicado alertou para a inflação, informando que ela deve superar o centro da meta, de 3,75% neste ano, por causa do preço das commodities e do dólar alto.

A última vez em que a Fitch tinha rebaixado a nota brasileira tinha sido em fevereiro de 2018, quando a classificação do país foi reduzida para três níveis abaixo do grau de investimento. Essa é mesma nota concedida pela S&P, outra das principais agências de classificação de risco. A Moody’s classifica o país dois níveis abaixo do grau de investimento.

*Com Agência Brasil