Fitch mantém nota do Brasil, mas altera perspectiva para “negativa”

Paulo Amaral
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Crédito: Divulgação / DW

A Fitch Ratings, agência de classificação de risco, divulgou em seu novo relatório que o rating do Brasil continua em BB-, mas alterou a perspectiva de “neutra” para “negativa”.

Segundo o relatório da agência, dois motivos levaram à redução da perspectiva do País para negativa: o desentendimento entre o presidente Jair Bolsonaro e o Congresso Nacional, e as incertezas em torno da duração da pandemia de coronavírus.

Além disso, a saída de Sergio Moro do Ministério da Justiça e as denúncias sobre uma possível interferência de Bolsonaro na Polícia Federal também agravaram o quadro político do País.

“Ainda que a administração e o Congresso tenham trabalhado juntos para aprovar uma importante reforma previdenciária em 2019 e as recentes medidas de emergência para apoiar a economia, fricções periódicas reduziram a previsibilidade dos resultados econômicos e políticos e nublaram as perspectivas de reforma após a pandemia”, diz parte do relatório.

A Fitch avaliou que as incertezas sobre o tempo e o impacto da evolução da Covid-19 no País poderão atrasar a implementação das reformas econômicas planejadas pelo Governo.

“A pandemia e a recessão relacionada vão incrementar ainda mais o endividamento público, erodindo a flexibilidade fiscal e aumentando a vulnerabilidade e a choques”, complementa o comunicado.

BB-

A nota BB- acompanha o Brasil desde fevereiro de 2018. À época, o Brasil desistiu de votar a Reforma da Previdência por conta da intervenção militar no Rio de Janeiro.

A BB-, atual classificação do Brasil, faz o País continuar 3 degraus abaixo do grau de investimento.

PIB

A projeção da Fitch para o PIB do Brasil em 2020 aponta para uma retração de 4%, com riscos negativos.

Já para o ano que vem, a estimativa é de um crescimento de 3% após o término da pandemia de coronavírus e o reaquecimento do mercado.

“O crescimento médio de -0,6% nos últimos 5 anos reflete uma recuperação lenta após a longa recessão de 2015/2016”, diz o relatório da agência.

“Na visão da Fitch, uma recuperação mais rápida em 2021 pode ser dificultada pelas persistentes incertezas fiscais, políticas e de reformas no contexto de um aumento do endividamento público”, complementa a nota.

Déficit

Segundo a agência de classificação de risco, o déficit das contas públicas do Brasil consumirá aproximadamente 13% do PIB do País em 2020.

Para 2021, a projeção é um pouco menos nebulosa, ficando em 6,5% do Produto Interno Bruto brasileiro.

“Dada a alta incerteza sobre a duração da pandemia, medidas fiscais adicionais (incluindo a extensão do diferimento de impostos por prazo determinado e medidas de gastos) não podem ser descartadas”.

A Fitch ainda apontou que a relação dívida/PIB do País já é bastante alta, tendo caído para 75,8% em 2019 ante 76,6% em 2018.

“A Fitch prevê que alcance 89,4% do PIB em 2020 e pode continuar a subir gradualmente com ausência de um crescimento mais rápido, consolidação fiscal ou considerável aumento de receitas não recorrentes de concessões/privatizações”.

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