Fitch alerta: pandemia pode rebaixar economias da América Latina

Paulo Amaral
Jornalismo é meu sobrenome: 20 anos de estrada, com passagens por grandes veículos da mídia nacional: Portal R7, UOL Carros, HuffPost Brasil, Gazeta Esportiva.com, Agora São Paulo, PSN.com e Editora Escala, entre outros.
1

Crédito: Divulgação / DW

A Fitch, agência de classificação de risco, mandou o alerta: As economias dos países da América Latina precisam de um olhar atento. Caso contrário, correm risco de serem rebaixadas.

De acordo com Shelly Shetty, diretora-gerente da Fith, os impactos da pandemia, tanto imediatos quanto na recuperação das economias dos membros do bloco, estão fazendo com que todos estejam com as análises inclinadas para o lado negativo.

“Não vemos muitos riscos de alta… (vemos) vários riscos de baixa”, afirmou a executiva.

Peru puxa crescimento, segundo a Fitch

A análise da Fitch surpreendeu ao afirmar que o Peru irá registrar o maior crescimento na região este ano, com alta superior a 5%.

O Brasil, por sua vez, deve ver a economia crescer pouco mais de 3%. A diferença é fruto da espera pelo endurecimento do governo em relação à política fiscal.

Quer começar o dia bem-informado com as notícias que vão impactar o seu bolso? Clique aqui e assine a newsletter EQI HOJE!

O déficit orçamentário médio nos países da região cairá a 3% do Produto Interno Bruto (PIB), mas os déficits fiscais permanecerão altos, com uma média de 6% do PIB. O déficit do Brasil será de 7% do PIB, disse Shetty.

“A consolidação será um processo de vários anos”, sintetizou a diretora da Fitch.

A Fitch já havia anunciado, recentemente, que o crescimento recorde nas dívidas dos governos atingiria em cheio os países emergentes.

Segundo a agência, a dívida global saltou de US$ 10 trilhões para US$ 77,8 trilhões durante a pandemia, número que equivale a 94% do PIB mundial. Segundo James McCormack, responsável pelo relatório da Fitch, tanto o salto quanto os níveis da dívida são recordes.

“Para a dívida soberana de mercados emergentes, não houve ‘almoço grátis’ associado a juros mais baixos”, escreveu ele, em um recado que, se não foi direto, ao menos pareceu endereçado a países como o Brasil, que conseguiram segurar a taxa de juros no menor índice da História.

Segundo o relatório da empresa, a taxa média de juros sobre o estoque da dívida caiu de 4% para 2% na última década nos mercados desenvolvidos, mas, nos emergentes, subiu de 4,3% para 5,1% no período.

Fitch e o tamanho dos juros para emergentes e desenvolvidos

De acordo com o relatório da Fitch, os pagamentos de juros, tanto de países desenvolvidos quanto de emergentes, deverá beirar os US$ 860 bilhões até meados de 2022.

“O resultado é que, embora os governos de mercados desenvolvidos e emergentes agora tenham proporções semelhantes de dívida/PIB, eles têm custos de serviço de dívida muito diferentes”, analisou McCormack.

“Com o rápido aumento da dívida governamental de mercados emergentes, isso deve ser motivo de preocupação e tem sido um fator que contribuiu para o excesso de endividamento em vários mercados emergentes em 2020”, concluiu.