Fitch: 6% das empresas do portfólio da agência operam com risco elevado

Osni Alves
Jornalista (2007); Especializado em Comunicação Corporativa e RP (INPG, 2011); Extensão em Economia (UFRJ, 2013); Passou por redações de SC, RJ e BH (oalvesj@gmail.com).
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Crédito: Divulgação / DW

Agência de classificação de risco de crédito, a Fitch Ratings informa que aproximadamente 6% das companhias avaliadas por ela operam em indústrias classificadas como de risco elevado, e 18% em outras com exposições acima da média.

Conforme relatório, empresas aéreas, de jogos, hospedagem e lazer, petróleo e gás, açúcar e álcool estão expostas a elevado risco.

Já as companhias de autopeças, aluguel de frotas e automóveis, mineração, varejo não alimentar e especializados, bem como aeroespacial e defesa sofrem exposição acima da média.

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Seguindo o informe, as empresas de construção e materiais de construção, produtos químicos, consumo, manufaturados diversos, incorporação imobiliária, mídia e entretenimento, papel e celulose, real state, shopping centers, transportes e serviços ambientais sofrem exposição moderada.

Por fim, serviços diversos, energia elétrica, alimentos, bebidas e tabaco, saúde, varejo de alimentos, gás natural, varejo farmacêutico, ferrovias, tecnologia, telecomunicações e saneamento sofrem exposição gerenciável.

 

Nível de exposição

De acordo com a Fitch, 20% das empresas avaliadas pela agência sofrem exposição moderada. “Até o momento, elas observam menor impacto em relação às demais categorias pesquisadas. Isso porque possuem estruturas organizacionais que lhes dão alguma proteção.”

Para os setores com exposição gerenciável, onde está a maioria das companhias (56%), a Fitch não espera mudanças significativas no perfil de crédito, desde que os outros três principais fatores de risco não apresentem fraquezas significativas.

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Risco de liquidez

De acordo com a agência, o Brasil tem histórico de intensa volatilidade macroeconômica. Assim, carregar elevada posição de caixa funciona como colchão para mitigar riscos de curto prazo.

Com esse panorama, o risco de liquidez se torna um fator crucial para a avaliação de crédito do país.

Para a Fitch, uma maior posição de liquidez será essencial para as indústrias mais impactadas e para aquelas com capacidade de recuperação mais lenta.

“A capacidade de acesso a novas linhas de crédito será fortemente testada neste cenário e será um fator importante para a análise de empresas com índices mais fracos de cobertura de dívida”, diz.

E prossegue: “o risco de refinanciamento aumentará para várias companhias identificadas no relatório, devido a perdas esperadas de receita, forte consumo de caixa, elevados vencimentos de dívida de curto prazo, maior seletividade na oferta de crédito e, para um grupo menor, forte desvalorização do real.”

Companhias Aéreas

 

Ratings públicas

Dentre as ratings públicas brasileiras avaliadas pela Fitch, 36% foram classificadas com robusta liquidez, 11% estão acima da média, 30% na média e 23% abaixo da média. “Tratam-se de emissores com posição de caixa somada ao saldo de linhas de crédito compromissadas não sacadas sobre dívida de curto prazo.”

Vale ressaltar que a potencial queima de caixa operacional durante o surto de coronavírus pressionará liquidez nos próximos meses. Assim, setores com elevado risco ou exposição acima da média estão mais expostos ao risco de liquidez e podem ter forte queima de caixa.

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Risco cambial

Empresas brasileiras com receita apenas em moeda local diminuíram sua exposição à dívida em dólar sem hedge, com poucas exceções, como a Sabesp.

Embora tendam a apresentar volume significativo de dívida em moeda estrangeira, sua alavancagem deve ter impacto positivo, devido ao incremento do Ebitda.

Uma maior pressão deve ser sentida por empresas que importam matéria prima ou produtos finais, dada a limitação de repasse da desvalorização cambial aos preços, uma vez que a inflação permanece bem comportada e a economia, pressionada.

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