Debêntures podem financiar a retomada da economia

Clara Sodre
Assessora de Investimentos na EQI Investimentos. Ex bancária, especialista em investimento CEA e ANCORD.
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Crédito: Imagem/reprodução/tororadar

Se por um lado os investidores mais arrojados querem acompanhar a retomada da economia comprando ações da bolsa, também temos os investidores mais conservadores em um cenário de juros baixos sem saber que fazer. E para ajudar nessa jornada, vamos entender como o mercado das debêntures, em um cenário como esse, pode favorecer tanto o investidor quanto as empresas e ainda auxiliar na retomada do crescimento econômico. 

Mas o que são debêntures? 

Em um breve resumo: você empresta dinheiro a uma empresa e em troca você recebe o capital investido mais juros. Ao investir em debêntures você passa a possuir um título de crédito contra uma empresa. São uma alternativa às empresas para arrecadar dinheiro com custos mais baixos do que pegar emprestado no sistema bancário. Para o investidor, as regras de remuneração desse título são dadas na contratação. Portanto, as debêntures fazem parte da renda fixa. Você também pode acessar nosso artigo o que são debêntures e como funcionam, para sanar todas as dúvidas acerca desse investimento. 

Surfando a onda da curva de juros 

Recentemente, vimos a precificação das debêntures cair com a crise mundial causada pelo coronavirus. Essa queda de preços das debêntures não estava relacionada à qualidade de crédito das empresas. Na verdade, houve uma falta de liquidez do mercado. Nesse sentido, se você estava tentando se desfazer de uma debênture, acabou saindo com prejuízo. Bem parecido com o que aconteceu com a bolsa, mas por ser renda fixa isso acabou assustando alguns investidores. 

Por outro lado, a mesma falta de liquidez que atrapalhou na precificação, ajudou quem estava entrando no mercado. Por não ter compradores, os vendedores dos títulos precisaram oferecer juros maiores para atrair investidores, mesmo para empresas com melhores notas de crédito.

Segurança

Diferente de outros investimentos de renda fixa, as debêntures não possuem cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Para trazer segurança ao investidor as debêntures contam com outros tipos de garantias. As garantias irão dizer a ordem no qual será dada a preferência de pagamento, caso a empresa encontre-se em falência. 

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As garantias podem ser: 

Real: quando está atrelada a um bem ou ativo da empresa. Esses bens não poderão ser negociados até a finalização deste título. 

Flutuante: assim como a garantia real é atrelada a um ativo. O que muda é que esse ativo não é fixo e pode variar no decorrer do prazo da debênture. 

Quirografária: não possui garantia real e nesse caso, em situação de falência concorrerá com os demais credores da instituição. 

Subordinadas:  o detentor terá preferência de recebimento somente sob os acionistas.

A classificação de crédito também é uma alternativa para analisar as debêntures. Por meio dessas notas de classificação que o investidor avaliará a probabilidade de inadimplência da empresa.

Cenário de juros baixos e incentivos 

Com a SELIC a 3,75% (e se falando em novos cortes), o investidor se vê obrigado a buscar rentabilidades mais atrativas longes dos títulos públicos, tornando as debêntures mais atrativas. Por outro lado, as empresas que precisam se organizar, podem aproveitar as taxas mais baixas para gerar novas séries que substituam o passivo. Dessa forma, o alongamento das dívidas irá aumentar o prazo e diminuir os custos. 

Um dos setores que ficará no radar dos investidores é o de infraestrutura, já que os títulos emitidos por empresas desse setor, contam com isenção de imposto de renda, aumentando assim, o rendimento real da aplicação. Essas são as debêntures incentivadas, o governo não cobra IR dessas debêntures pois o dinheiro arrecadado desses títulos, irão ser usados para melhorar a infraestrutura do país, logo não cobrar IR irá incentivar a compra desses títulos. 

Recuperação da economia

Uma das maiores apostas do governo para recuperação pós coronavirus são investimentos em infraestrutura.  Retirando toda a tensão que veio junto a criação do plano Pró-Brasil, o ministro Paulo Guedes defende que a retomada econômica deve ser impulsionada pela participação da iniciativa privada. 

 “A população brasileira vai ganhar dinheiro por ajudar empresa que merece ser preservada”, afirmou Paulo Guedes, ao falar sobre a emissão de debentures conversíveis para capitalizar empresas.

Conclusão 

As debêntures são vistas como um dos investimentos em renda fixa mais rentáveis. Sendo assim, poderão ser utilizadas para socorrer empresas em meio a crise ou até mesmo auxiliar a infra-estrutura do país. Além disso, o financiamento do setor de infraestrutura e produtivo do Brasil, auxilia as empresas a saírem dos empréstimos bancários, podendo assim, garantir juros mais competitivos. Logo, o ambiente se torna favorável tanto para as emissoras de debêntures quanto para os investidores.