Financiamentos imobiliários aumentaram 49% em relação a 2019 até outubro

Paulo Amaral
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Crédito: Site Viva Balneário

Os financiamentos imobiliários no Brasil registraram crescimento de 49% em relação a 2019 até o término do mês de outubro, segundo dados da Abecip.

A queda na taxa de juros Selic, atualmente em 2% ao ano, foi a principal responsável pelo novo “boom” no País, mas o mercado ainda tem potencial de crescimento, segundo Danilo Caffaro, diretor de crédito imobiliário do Itaú.

“O mercado imobiliário no Brasil está bem abaixo de seu potencial, deixando muito espaço para crescimento, apesar do estresse econômico”, comentou, ao G1.

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A Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança confirmou que, nos 10 primeiros meses do ano os financiamentos imobiliários abrangeram 320 mil imóveis e somaram um total de R$ 92,6 bilhões.

De acordo com os dados da Abecip, os números registrados entre janeiro e outubro de 2020 são os maiores desde 1994, ano do nascimento do Plano Real no Brasil.

“As taxas baixas tornam o financiamento imobiliário muito mais palatável e permitem que mais e mais pessoas aproveitem… Então, aquelas pessoas que não foram atingidas pela pandemia mantiveram seus planos de aquisição”, disse Cristiane Portella, presidente do órgão.

Desemprego e subida da Selic podem brecar financiamentos imobiliários

De acordo com a reportagem do G1, dois pontos podem impedir que o mercado de financiamentos imobiliários, ainda engatinhando no Brasil, continuem a exponencial subida.

O primeiro deles é a alta do desemprego, que já está em 14,6% no País e pode crescer ainda mais com a possível explosão da pandemia da Covid-19 e o retorno das medidas de isolamento social mais rígidas.

O segundo é o medo de que a taxa Selic não se mantenha nos atuais padrões, os mais baixos da história, e volte a subir para índices de antigamente, acima dos dois dígitos anuais.

Uma pesquisa do Banco Central apontou que a taxa básica de juros chegar em 3% em 2021, 4,5% em 2022 e 6% em 2023.

As ameaças, no entanto, não devem causar o mesmo cenário do último boom de financiamentos imobiliários no País, que acabou com as construtoras tomando de volta casas e prédios inteiros por falta de pagamento.

“Pode haver alguns problemas aqui e ali para os bancos, mas não vejo um risco sistêmico. Ao contrário da última crise imobiliária, os preços das moradias e dos juros estão baixos no momento”, comentou o analista Fábio Fonseca, sócio da JGP Gestão de Recursos.

Na Caixa Econômica Federal, outra instituição forte quando os assuntos em pauta são os financiamentos imobiliários, tem uma representação de 66% em sua carteira de empréstimos relacionada ao setor. Nos bancos privados, como o Bradesco ou o Itaú, a fatia gira entre 6% e 8%.

Dados do Banco Central apontaram também que, em 2020, os financiamentos imobiliários responderam por 61% de todos os empréstimos concedidos.

Romero Albuquerque, diretor de crédito imobiliário do Bradesco, comentou que ainda há muito a ser feito. “As baixas taxas de juros tornaram o financiamento imobiliário tão mais barato que a demanda é enorme, mesmo considerando apenas os pagadores muito bons”.

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