FIIs suspendem pagamentos de dividendos; IFIX tem maior queda

Osni Alves
Jornalista | osni.alves@euqueroinvestir.com
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Crédito: FIIs suspendem pagamentos de dividendos; IFIX tem maior queda, diz XP

Suspensão das atividades industriais e comerciais e isolamento social são medidas adotadas pelo governo para conter o avanço do coronavírus, mas com implicações empresariais.

Com a paralisação dos trabalhos e, consequentemente, quebra no caixa das companhias, elas estão anunciando a suspensão do pagamento de dividendos, incluindo aí fundos imobiliários.

Para se ter ideia, o XP Malls, com quase 182 mil associados, viu o preço da cota cair de R$ 138,80 em 4 de março para R$ 84,79 em 6 de abril.

Na mesma proporção, o HSI Mall teve suas cotas afetadas, passando de R$ 117,25 para R$ 78,60 no mesmo período. O fundo detém mais de 71 mil cotistas.

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Maior queda

Levantamento da XP Investimentos mostra que o IFIX sofreu a maior queda mensal dos últimos anos, sendo 16% no mês em decorrência do impacto do coronavírus.

Esse fenômeno não apenas criou um movimento de aversão ao risco, como também resultou em quedas operacionais com implicações na precificação dos ativos.

Conforme a XP, todos os segmentos apresentaram quedas no mês, porém, os mais afetados foram hotéis e shopping centers, com recuo de 27% e 24%, respectivamente.

O IFIX é um índice que tem por objetivo medir a performance de uma carteira composta por cotas de fundos imobiliários que são listados para negociação nos ambientes administrados pela BM&FBOVESPA.

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Março contra fevereiro

O mesmo levantamento da XP, utilizando o índice, aponta que houve queda média de 13% no pagamento dos dividendos sendo março contra fevereiro, puxados, principalmente, pela suspensão de pagamento de alguns fundos de shopping centers.

De acordo com a gestora, o Brasil passa por crise de saúde pública e econômica sem precedentes.

“No mês de março, vimos a maior desvalorização mensal do IFIX dos últimos anos, sendo menos 16% no mês, em virtude não só do movimento de aversão ao risco, mas também da precificação dos possíveis impactos operacionais”, informou.

Para a XP, os fundos de hotéis e shoppings estão entre os mais impactados por conta do fechamento das operações comerciais consideradas não essenciais.

Já o segmento de varejo e recebíveis apresentam as menores quedas do índice, sendo aproximadamente menos 12%.

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Dividendos pressionados

O pagamento de dividendos dos fundos de shoppings caiu, em média, 61% contra o mês de fevereiro e os dividendos devem continuar pressionados ao longo dos próximos meses.

“Vale destacar que os fundos de ativos logísticos e lajes corporativas, que em nossa opinião, devem ser menos impactados pelos efeitos do coronavírus, mantiveram suas políticas de distribuição, reportando poucas diferenças em relação ao mês anterior”, informou.

E acrescentou: “no entanto, não descartamos a possibilidade de queda nos pagamentos de dividendos caso a crise se prolongue e os seus inquilinos comecem a enfrentar maiores dificuldades financeiras.”

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ta-e-ai

Estrategista-chefe do grupo Latus, Jefferson Laatus explica que muitos dos fundos imobiliários estão, agora, negativos, pois tiveram fugas de cotistas, assim como também começou a ter distrato e uma série de implicações devido à crise.

Isso porque as companhias desse setor não podem queimar caixa. “Ao contrário, eles precisam preservar caixa, pois, do contrário não aguentam sobreviver e passar pela crise”, disse.

Conforme Laatus, os fundos imobiliários que são atrelados a shoppings acabam sofrendo mais. Isso porque tiveram suas atividades paralisadas por completo.

No entanto, o estrategista lembra que não se trata de inadimplência, mas postergação de pagamento para preservação de caixa futuro, até para passar por essa fase vivos.

Ele lembra que os FIIs estão expostos ao mercado como qualquer outro ativo.