FIIS sofrem desgaste com impacto do coronavírus

Osni Alves
Jornalista (2007); Especializado em Comunicação Corporativa e RP (INPG, 2011); Extensão em Economia (UFRJ, 2013); Passou por redações de SC, RJ e BH (oalvesj@gmail.com).
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Crédito: Reprodução/Wikimedia

Uma análise feita pelo jornal O Estado de S. Paulo mostra que o choque no mercado financeiro global, em meio à pandemia de coronavírus, causou um desgaste na indústria de fundos de investimentos imobiliários (FIIs) no Brasil.

De acordo com o periódico, até então o setor era apresentado por muitos gestores como um “porto seguro” entre as aplicações de renda variável, por representar um investimento indireto em imóveis.

No entanto, afirma, após duas semanas de reviravolta na economia, o valor das cotas dos fundos derreteu, captações foram interrompidas e os cortes de dividendos já começaram a aparecer.

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Isso porque o Índice de Fundos Imobiliários da B3 (Ifix) acumula baixa de 28,8% em 2020 (até o fechamento do pregão de sexta-feira, 20), corroendo parte expressiva da valorização de 35,9% acumulada em todo o ano de 2019.

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FII XP Malls

O FII XP Malls (sócio no Cidade Jardim, Catarina Fashion Outlet e outros dez) avisou a seus cotistas que não realizará distribuição de rendimentos neste mês, medida que será mantida até ser possível ter maior visibilidade sobre os efeitos da crise sobre os shoppings.

A medida, segundo os gestores, visa a proteger o patrimônio do fundo, uma vez que, neste momento, é de difícil estimativa o tamanho do impacto negativo nos próximos meses.

O comunicado ao mercado financeiro é assinado pela administradora BTG Pactual Serviços Financeiros, e pela gestora XP Vista Asset Management.

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FII Vinci Shopping Centers

Já o FII Vinci Shopping Centers (sócio no Minas Shopping, Iguatemi Fortaleza e Pátio Belém, além de outros dez) também optou por segurar o dinheiro em caixa em caráter preventivo.

Ocorre que o fundo dispõe, atualmente, de um resultado acumulado não distribuído, que, somado ao caixa do mês de março constituirá uma reserva que poderá ser utilizada para a distribuição de rendimentos no momento mais agudo da crise.

O panorama é da gestora Vinci Real Estate, em fato relevante. E acrescenta: “a liquidez do fundo é “extremamente confortável, com mais caixa do que vencimentos de curto prazo.”

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Mais retenções

De acordo com o Estadão, são esperados para os próximos dias mais retenções de dividendos por parte de FIIs compostos por shopping centers e hotéis, os segmentos mais afetados pela paralisação da economia global.

Isso porque sem movimento, as unidades devem sofrer com inadimplência e renegociação de aluguéis pelos lojistas, enquanto hotéis perderam a renda com diárias dos quartos.

Sócio da gestora Hábitat Capital Partners, Eduardo Malheiros afirma que para estes dois setores, não há muita opção a não ser reter dividendos e preservar o caixa.

“Há duas semanas, eu imaginava que os shoppings ficariam mais vazios, mas acabaram fechados. Os lojistas não vão aguentar honrar todos os compromissos. Então, os aluguéis serão afetados.”

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Quase 100% fechados

Levantamento jornal, hoje, mostra que 95% dos shoppings do país já estão fechados.

Sócio do escritório N,F&A Advogados, Carlos Ferrari ressalta que cresceram nos últimas dias as consultas por parte de donos de shoppings para discutir alternativas de negociação com lojistas, sinal de que os aluguéis serão afetados.

“Também serão afetados os recursos que servem como lastro para certificados de recebíveis imobiliários (CRIs), classe de ativo que compõe fundos. Veremos alguns impactos relevantes nos fluxos de locação, inclusive aqueles cedidos para CRIs ou detidos por FIIs de shoppings.”

Desvalorização

Conforme análise do Estadão, sem clima para atrair investidores, já foram suspensas ou adiadas as captações de seis fundos de ofertas públicas que planejavam estrear na bolsa ou aumentar de tamanho.

São elas a Autonomy Edifícios Corporativos, CSHG Imobiliário, Ourinvest JPP, SDI Logística e RBR Alpha. A Capitânia Reit FOF teve subscrição muito abaixo do planejado até aqui e deve acabar cancelada.

Sócio e coordenador de investimentos imobiliários da Rio Bravo, Alexandre Rodrigues frisa que o mercado mudou e se deteriorou muito rápido. Com isso, boa parte das emissões vai esfriar e pode ser cancelada nas próximas semanas.

A gestora postergou nos últimos dias a captação do seu FII de logística, de oferta restrita, isto é, só para investidores qualificados. “É um momento de alta volatilidade, e a precificação dos ativos fica impossível”, afirma.

Apesar das fortes turbulências, os gestores consultados reiteraram confiança nos fundamentos da indústria de Fundos Imobiliários.

A visão é que de eles contam com ativos “reais”: os próprios imóveis. Apesar do impacto nos recebíveis no curto prazo, não esperam cancelamento massivo dos contratos de inquilinos de shoppings, galpões industriais e prédios corporativos.

Quando a economia for “reativada”, esses imóveis voltarão a gerar renda robusta e estável, dizem. “É bom lembrar que FII é uma aplicação de renda variável e os ganhos no mercado imobiliário vêm no longo prazo”, diz Rodrigues.