FIIS: 41% dos gestores apostam em rápida recuperação do setor

Osni Alves
Jornalista | oalvesj@gmail.com

Crédito: Crédito da imagem: Banco de Imagens EnvatoElements/By ollinka.

A XP Investimentos consultou as principais gestoras de Fundos Imobiliários (FIIS) do país para checar a percepção quanto ao cenário e as perspectivas para o setor. O levantamento mostra que 41% dos entrevistados aposta em rápida recuperação do setor.

De acordo com o analista Renan Manda, foram tratados assuntos referentes ao IFIX, preços dos fundos, maiores riscos para 2020 e quais oportunidades surgirão.

O levantamento é periódico, mas se faz ainda mais importante por conta do panorama atual. Nome e volume de gestoras entrevistadas não foram divulgados.

Cautela e correção de preços foram percebidas em todo o mês de maio. “Os gestores apresentaram expectativas mais cautelosas para os FIIS em comparação às respostas do começo do ano, mas ligeiramente mais otimistas comparadas à pesquisa de fevereiro”, disse.

Atualmente, disse, 32% dos gestores dizem acreditar em uma alta do IFIX em relação aos patamares de 2019. “Entretanto, não há consenso quanto ao tempo de recuperação dos preços das cotas”, frisou.

E acrescentou que 41% dos gestores apostam em uma recuperação rápida em menos de um ano, enquanto outros 55% acreditam que a recuperação virá entre um e dois anos.

“Em relação a maior tendência de adoção do home office, a maioria dos entrevistados diz acreditar que não haverá grandes impactos na locação de lajes corporativas devido ao maior uso do trabalho remoto pelas companhias”, reforçou.

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Qual a performance esperada do IFIX para 2020?

Após a forte performance dos Fundos Imobiliários (FIIS) em 2019, quando o IFIX apresentou forte alta de 37%, os gestores seguem mais conservadores em 2020.

Isso porque 23% deles dizem acreditar em quedas acima de 10%, e 41% esperam que a performance dos FIIS fechem o ano com quedas entre 10 e 0%.

“Por outro lado, no território positivo, 32% dos gestores acreditam em alta dos Fundos Imobiliários em 2020”, destacou.

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Como estão os preços dos Fundos Imobiliários?

Após a forte correção nos preços dos FIIS em razão do movimento de aversão ao risco em decorrência da crise do coronavírus, 64% dos entrevistados diz acreditar que FIIS estão baratos.

Entretanto, somente 9% frisam que os FIIS estão caros, e 27% dizem que os preços estão em patamares justos.

Quais os maiores riscos para 2020?

Após a adoção de medidas preventivas do contágio do coronavírus como o isolamento social, a preocupação dos gestores gira em torno, principalmente, dos impactos na economia e o tamanho da recessão econômica.

Para 81% deles, haverá desaceleração econômica como o maior risco para os Fundos Imobiliários em 2020.

Vale ressaltar que eventual mudança na tributação e aumento da taxa de juros perderam destaque após o início da pandemia.

Quais as maiores oportunidades para 2020?

Para 86% dos gestores, o maior propulsor para os FIIS esse ano será a aquisição de ativos. Em segundo lugar, a melhora dos indicadores operacionais como preço dos aluguéis, vacância e diminuição dos descontos vem perdendo força dado às incertezas macroeconômicas para os próximos meses.

Qual segmento deve apresentar maior crescimento dos alugueis em 2020?

Para 45% dos entrevistados, o segmento de galpões logísticos apresentará maior crescimento de aluguéis em 2020.

Enquanto, 41% vêm o segmento de lajes corporativas como o maior beneficiário dos aumentos de aluguéis.

Em razão das incertezas do cenário macroeconômico por conta do aumento do contágio do coronavírus, muitas renegociações de aluguel e novas locações em lajes corporativas podem ser postergadas até que haja maior clareza do cenário.

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Em contraposição, houve aumento da demanda por galpões logísticos bem localizados e de alta qualidade pelas empresas com serviços em funcionamento como as companhias de e-commerce e supermercados.

Qual segmento apresenta as maiores oportunidades com os preços nos patamares atuais?

Em meio a suspensão temporária do funcionamento dos shoppings como tentativa de conter o contágio do coronavírus e, consequentemente, forte correção nos preços dos fundos de shoppings, 59% dos gestores dizem acreditar que o segmento é o que apresenta as maiores oportunidades com os preços nos patamares atuais, onde muitos estão negociando com desconto ao valor patrimonial.

Quanto tempo temos até vermos os Fundos Imobiliários nos patamares pré-crise?

Na visão dos gestores, assumindo que a pandemia seja controlada nos próximos meses, 41% esperam que os FIIS voltem a patamares pré-crise do coronavírus em menos de um ano.

Outros 55% dizem acreditar que o processo pode levar entre um e dois anos. Já outros 5% apostam que a recuperação total deve demandar entre dois e três anos.

Qual segmento deve voltar mais rapidamente após a crise?

O aumento do contágio afetou os preços dos FIIs de forma generalizada já que é esperado choques em todos os segmentos.

No entanto, gestores dizem acreditar que os fundos de galpões logísticos devem recuperar mais rapidamente da crise dado que a atividade logística manteve seu funcionamento durante o período de paralisação das atividades não-essenciais pela necessidade de abastecimento de bens essenciais.

Fundos de CRIs seguem empatado na primeira posição. Os fundos de Lajes Corporativas e Shopping Centers seguem em terceiro lugar com 14% dos votos.

Dentre os fundos de “tijolo”, qual segmento deve apresentar menores impactos devido aos efeitos do coronavírus?

Entre os fundos de “tijolo”, os fundos de galpões logísticos devem apresentar menores impactos da crise do coronavírus, dado a continuidade no funcionamento das atividades de logística durante o período de isolamento social pela necessidade de abastecimento de bens essenciais, bem como a maior adoção do varejo online, que vem reagindo positivamente.

Adicionalmente, os fundos de galpões logísticos apresentam grande exposição aos contratos atípicos que garantem maior previsibilidade da receita de locação. O segmento de lajes corporativas seguiu em segunda colocação. Na sequência, o segmento de renda urbana.

Qual sua opinião sobre as tendências de locação em razão da maior adoção do home office pelas empresas em lajes corporativas no médio e longo prazo?

Para os gestores, 50% apostam que esses dois efeitos devem se balancear e não implicar em grandes mudanças na demanda.

Já 23% vêm que a demanda deve se concentrar nos principais centros comerciais (como o eixo Faria Lima-Vila Olímpia e Paulista)

Outros 9% esperam menor demanda por espaço físico devido à maior tendência de adoção de trabalho remoto.

Para 5%, haverá aumento da demanda em razão das medidas preventivas de segurança ao colaborador.

Por fim 14% ainda enxergam o cenário ainda com pouca visibilidade.